Por João Gabriel Gelli | 06/06/2016

O octógono mais famoso do mundo chegou pela primeira vez ao Forum de Inglewood com o forte card do UFC 199. O evento, que já era ótimo no papel, conseguiu entregar acima das expectativas, trazendo a melhor oferta de lutas de 2016 até aqui, com candidatos a nocaute e também a provável zebra do ano.

A noite foi capitaneada pela primeira defesa de cinturão dos médios Luke Rockhold contra Michael Bisping e o encerramento da trilogia entre Dominick Cruz e Urijah Faber, valendo o título dos galos.

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Agora, passado o evento, chega a hora de incorporar o matchmaker interno e analisar o que o futuro reserva aos principais envolvidos nas lutas de sábado.

Michael Bisping contra Yoel Romero

Aconteceu!

Em um semestre mágico, Michael Bisping superou Anderson Silva, Luke Rockhold e conseguiu consagrar sua grande carreira no MMA ao conquistar o cinturão dos médios do UFC com um nocaute no primeiro round.

A vitória do inglês torna o topo da categoria dos médios ainda mais bagunçado, com Chris Weidman querendo retomar o título em Nova York, Ronaldo Jacaré almejando sua chance, Yoel Romero retornando de suspensão e Rockhold desejando encerrar a trilogia com o novo campeão.

Apesar de nenhum destes caminhos ser descartado, a coluna já vem há algum tempo afirmando que o cubano Romero é o próximo desafiante por direito se forem tratados apenas méritos esportivos. Para completar, Weidman e Jacaré podem se enfrentar em uma eliminatória no segundo semestre, enquanto Rockhold recebe o combate abaixo.

Luke Rockhold contra Vitor Belfort

Luke Rockhold entrou no octógono no UFC 199 esbanjando confiança, que podia facilmente ser interpretada como soberba. Muito por conta disso, subestimou as habilidades e o poder de Michael Bisping e terminou nocauteado pela terceira vez em igual número de derrotas na carreira, perdendo o título.

Já pedindo por uma revanche imediata, o agora ex-campeão dificilmente terá seu desejo concedido e deve voltar para o final da fila na elite da categoria. Como não será o próximo desafiante e provavelmente nem o seguinte, nada melhor do que ter a oportunidade de vingar uma de suas derrotas, ao duelar com o ainda relevante e vencível Vitor Belfort.

Dominick Cruz contra o vencedor de TJ Dillashaw-Raphael Assunção

Aconteceu!

Dominick Cruz lutou duas vezes em um período de cinco meses e se reforçou como o melhor peso galo do mundo, capturando o cinturão da divisão das mãos de TJ Dillashaw, em fevereiro, e superando o histórico rival Urijah Faber, na noite deste sábado, em sua primeira defesa.

Tudo indica que Cruz pretende seguir ativo e fazer de tudo para recuperar o tempo perdido durante os mais de quatro anos de lesões. Por isso, a expectativa é vê-lo mais uma vez no octógono ainda em 2016, tendo como desafiante o vencedor do embate entre TJ Dillashaw e Raphael Assunção, que acontecerá daqui a um mês, no UFC 200.

Urijah Faber contra Bryan Caraway ou Dennis Bermudez

Pela quarta vez em sua carreira no UFC, Urijah Faber disputou o cinturão dos galos. Pela quarta vez, saiu derrotado do octógono. Conforme o esperado, o “California Kid” não foi páreo para Dominick Cruz e agora se encontra em uma encruzilhada na carreira.

A série de reveses em lutas por título, a idade já bastante avançada para uma categoria tão leve, alguns sinais de desgaste técnico e toda a história já vivida no MMA podem ser fatores que levem Faber a optar por se aposentar, encerrando uma grande carreira.

Contudo, o manda-chuva do Team Alpha Male ainda tem lenha para queimar e pode ser um atleta valioso tanto nos galos quanto nos penas. Dessa forma, mantendo-se na atual divisão, é capaz testar as pretensões de Bryan Caraway no top 5 e, caso opte por retornar à categoria de cima, um embate com Dennis Bermudez também pode ser interessante.

Max Holloway contra o perdedor de José Aldo-Frankie Edgar

Após superar Ricardo Lamas em um animado combate na noite de sábado, Max Holloway marcou seu nome como uma força a ser reconhecida na divisão dos penas do UFC, chegando ao nono triunfo consecutivo na organização, terceira maior sequência atualmente, atrás apenas dos gigantes peso por peso Jon Jones e Demetrious Johnson.

Com uma posição de top 5 inquestionável e apenas 24 anos, Holloway é uma das grandes promessas para o futuro da categoria. Contudo, também é o presente e, se não fosse o campeão Conor McGregor travando a fila com uma descabida revanche contra Nate Diaz, no UFC 202, teria garantido a sua disputa de cinturão.

Como José Aldo e Frankie Edgar disputarão o título interino no UFC 200 e o vencedor duelará com McGregor no fim do ano ou no começo de 2017, Holloway poderá ser colocado em uma eliminatória contra o perdedor da disputa entre Aldo e Edgar. Caso o UFC e McGregor optem por uma subida para os leves, com a disputa do UFC 200 valendo o título linear, Holloway se coloca como o primeiro desafiante do novo campeão.

Dan Henderson contra a aposentadoria

Aconteceu!

Com um dos mais belos nocautes de 2016 até aqui, Dan Henderson superou Hector Lombard no último combate de seu contrato com o UFC. Já próximo de completar 46 anos, Hendo é uma lenda do esporte que não tem mais capacidade física e técnica para se criar na elite da divisão dos médios e que se encontra no melhor momento possível para se aposentar, após a primeira luta de sua vida na qual todos os filhos o assistiram.

Dustin Poirier contra Michael Johnson

Dustin Poirier chegou para ficar na divisão dos leves. Desde que tomou a decisão de subir de categoria depois do nocaute sofrido diante de Conor McGregor, já são quatro atropelamentos consecutivos. A vítima da vez foi Bobby Green, um adversário que já esteve no top 10. Com isso, é hora de Poirier chegar a esta área do ranking, seguindo o próximo passo de sua progressão. Para recebê-lo, Michael Johnson será um bom teste.

Brian Ortega contra Jeremy Stephens

Pela terceira vez seguida em sua carreira no UFC, Brian Ortega se via em situação complicada na luta, mas conseguiu tirar um coelho da cartola e vencer. Dessa vez, o oponente era Clay Guida e o coelho foi uma joelhada sensacional, que tornou Ortega apenas o segundo a nocautear o ex-peso leve. Contudo, o resultado deixou algumas dúvidas no ar e, para botar em teste sua tendência de começar os combates devagar, nada melhor que um confronto com um matador da estirpe de Jeremy Stephens.

Beneil Dariush contra Evan Dunham

Depois de uma inesperada derrota para Michael Chiesa, em abril, Beneil Dariush entrou de última hora em um combate contra o invicto James Vick buscando se recuperar. A missão do iraniano foi bem sucedida, com um potente nocaute conquistado ainda no primeiro round. Isso o coloca em posição para voltar a enfrentar um top 15 e servir como porteiro dos dez melhores em um embate contra o homem que ele substituiu no evento, Evan Dunham.

Jessica Bate-Estaca contra Michelle Waterson

Dona de um irregular retrospecto de quatro vitórias e três derrotas como peso galo, Jessica Bate-Estaca tomou a decisão de cortar peso para bater o limite das palhas. Na estreia, enfrentou a ex-desafiante Jessica Penne e não poderia ter impressionado mais. Numa verdadeira surra, Andrade nocauteou no segundo round e chegou metendo o pé na porta na nova divisão. Assim, a ideia é que ela realize outro combate nas redondezas do top 10 para se acostumar melhor com a categoria antes de buscar avançar em direção ao cinturão. Para isso, Michelle Waterson surge como a oponente ideal.

Além dos duelos acima, seguem algumas sugestões para os outros envolvidos no card de sábado:

Ricardo Lamas vs Charles do Bronx
Hector Lombard vs vencedor Krzysztof Jotko-Tamdam McCrory
Bobby Green vs Francisco Massaranduba
Clay Guida vs Alex Caceres
James Vick vs vencedor Leandro Buscapé-Jason Saggo
Jessica Penne vs Alex Chambers
Cole Miller vs Mike de la Torre
Sean Strickland vs Lorenz Larkin
Tom Breese vs Roan Jucão
Henrique Frankenstein vs Igor Pokrajac
Jonathan Wilson vs Daniel Jolly
Kevin Casey vs Jake Collier
Elvis Mutapcic vs Ricardo Demente
Polo Reyes vs Sheldon Westcott
Dong Hyun Kim vs Brendan O’Reilly

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