MMA Brasil entrevista Shane Burgos, integrante do Top 10 do Futuro do peso pena

Por Pedro Carneiro | 06/12/2017 23:11

O promissor americano Shane Burgos foi apontado na nossa coluna Top 10 do Futuro como alguém que pode vir a ser um dos grandes lutadores num futuro breve. Ele surpreendeu praticamente toda a imprensa brasileira, com a exceção do MMA Brasil, quando venceu o brasileiro Godofredo Pepey, no UFC On FOX 25, em julho.

Shane se mostrou um cara tão sensacional que até instalou o WhatsApp no celular somente para poder dar essa entrevista exclusiva ao MMA Brasil. O americano, detentor de uma mistura de ótimo boxe, combinações e wrestling defensivo, falou um pouco da sua história, da carreira e do futuro.

Como você decidiu começar a lutar?

Vi um episódio do UFC Unleashed e foi amor à primeira vista para mim. Fui instantaneamente fisgado e fiquei obcecado com o esporte.

Qual foi a opinião dos seus pais quando você decidiu lutar? Eles te apoiaram ou não gostaram da ideia?

Meus pais sempre me apoiaram em todos os meus esforços, especialmente na luta. Eles também são grandes fãs do esporte desde que me envolvi.

Quais foram as suas maiores dificuldades técnicas no início? Como você as superou?

Fui diagnosticado com um caso grave de escoliose até os 16 anos de idade. Apenas um ano após o início do meu treinamento, fui forçado a fazer uma cirurgia corretiva para endireitar a espinha e ajudar a prevenir futuras lesões. Ainda tenho as duas hastes de metal e parafusos na coluna vertebral até hoje. Superar isso foi o maior obstáculo. Eu fiquei basicamente paralisado durante o primeiro mês após a cirurgia, mas sabia que tinha encontrado minha vocação na vida. Tornei aquilo um ponto de virada para voltar à carreira e a treinar regularmente. Foi exatamente o que eu fiz e não olhei para trás desde então.

Você tem um ótimo boxe e um bom wrestling defensivo. Como estão seu wrestling ofensivo e o jiu-jítsu?

Muitas pessoas falam sobre minha luta em pé e a defesa de quedas, que é boa, porque eu tenho trabalhado muito duro com esses aspectos do meu jogo, mas eu originalmente comecei como um grappler. Se você olhar para o meu cartel, a maioria das minhas lutas como amador foram vitórias por finalização, assim como as primeiras profissionais. Eu me sinto confortável onde quer que seja a luta, mas sei o que os fãs querem ver e o que o UFC quer ver. Eles querem ver nocautes e guerras, então eu tento o meu melhor para dar a eles o melhor show que puder. Sempre procuro ganhar um bônus em cada uma das minhas lutas.

Como você vê a necessidade que os lutadores de MMA têm de promover suas lutas para ganhar mais dinheiro?

Mais e mais lutadores estão tentando falar para tentar levar as pessoas mais entusiasmadas com eles. Isso funciona para alguns caras, mas não para outros. Deve ser natural, como é para Conor McGregor e Nate Diaz; caso contrário, acho que eles soam como bobos. Eu deixo minha luta falar por mim.

Como foi o convite para lutar no UFC?

Recebi o chamado para enfrentar Tiago Trator com somente duas semanas e meia para a luta. Eu estava pressionando no Twitter desde que vi o oponente original dele ter sido notificado pela USADA. O local do evento era a uma hora e meia da minha casa, então funcionou perfeitamente. As estrelas estavam alinhadas; peguei a luta e consegui a vitória. Foi uma experiência incrível, nunca mais esquecerei. Realmente um sonho que se tornou realidade.

Há algum lutador que você se espelha?

Há muitos lutadores que eu gosto de assistir, mas meu estilo é meu. Vou tentar pegar coisas que vejo de outros caras e ver se isso funciona no meu jogo. Às vezes funciona, às vezes não acontece, mas não tento forçar nada. Eu sigo com o fluxo na hora da luta.

Você consegue se dedicar 100% ao MMA ou ainda tem um emprego regular? Quais os seus planos para prosperar com o MMA?

Até a minha segunda luta no UFC, eu estava trabalhando em tempo integral como instrutor na academia do Tiger Schulmann (treinador de Shane e ex-campeão do CFFC). Agora que estou no UFC por um pouco mais de tempo, decidi me concentrar mais na carreira, mas ainda dou aula na academia duas vezes por semana. É bom para mim, gosto de ensinar os meus alunos e ajudá-los a melhorar. Planejo começar uma carreira de comentarista depois que parar de lutar, mas preciso fazer meu nome ficar grande o suficiente por meio de minhas lutas para me preparar para o futuro numa nova carreira.

Você foi nomeado pelo MMA Brasil como um dos lutadores mais promissores da categoria dos penas. Como você lida com a expectativa e a pressão por bons resultados?

Isso pra mim foi uma honra, agradeço muito por isso. Eu ainda amo a pressão. A pressão faz diamantes e sinto que prospero quando a pressão é mais pesada e as luzes são mais brilhantes.

Qual o seu próximo oponente?

Não tenho nenhum oponente oficial ainda, estou apenas me mantendo pronto, mas espero que eu tenha algum adversário em breve.

Nota da edição: quando a entrevista foi feita, ainda não havia sido confirmado que Shane Burgos enfrentará Calvin Kattar, no UFC 220.

Existe um adversário particular que você quer enfrentar?

Ninguém em particular, eu só quero continuar subindo a escada e continuar fazendo lutas emocionantes para os fãs e o UFC!

Você já veio ao Brasil? Concordaria em lutar aqui sabendo das dificuldades que estrangeiros encontram no país?

Nunca estive no Brasil, mas sempre foi uma viagem que esteve na minha lista. Adoro a comida, as praias, a paisagem e a cultura. Eu sei que um dia com certeza nossos caminhos vão se encontrar. É muito mais conveniente combater nos Estados Unidos, mais perto de casa, mas eu definitivamente aceitaria uma luta no Brasil se me fosse oferecido.

Muito obrigado, Shane. Gostaria de deixar algum recado?

Obrigado, caras, pelo apoio e fiquem de olho na minha próxima luta. Prometo que sempre serei um lutador que vocês nunca vão perder! Toda vez que eu vou lá, é pra fazer um show e terminar a luta!

Historiador e fã de lutas, conheceu o MMA através das lutas de Vitor Belfort, no UFC 12. Fanático por cinema, séries, literatura e Sylvester Stallone.