MMA Brasil entrevista Georges St. Pierre: “Acho que as pessoas não viram o melhor de mim ainda”

A coluna de entrevistas "Eu tenho 99 dúvidas" recebe seu maior convidado até hoje: o maior campeão da história dos meios-médios e um dos candidatos a melhor lutador da história do MMA. Georges St. Pierre conversou com Pedro Carneiro e falou da carreira e do retorno ao UFC.

Na semana passada, tive a oportunidade de entrevistar o maior meio-médio de todos os tempos e um dos três melhores lutadores da história do MMA, o superastro Georges St. Pierre.

Em uma conversa profunda e sem rodeios, o lendário canadense falou sobre o passado, as dificuldades do início, vitórias e derrotas, a pausa e o retorno na carreira. Com vocês, GSP.

Você é um atleta que sempre passou uma boa imagem para os fãs e sempre aparece feliz publicamente. Porém, poucas pessoas conhecem as dificuldades financeiras que você enfrentou no início. Pode nos falar como foi essa fase da sua vida?

Eu vim de uma cidade muito pequena, perto de Montreal. A minha família não era rica, vim de uma familia modesta. Fiz meu primeiro milhão após a luta com Jon Fitch e, após conseguir esse dinheiro, a primeira coisa que fiz foi dar tudo para os meus pais. Eu não quero que meus pais tenham que se preocupar com mais nada pelo resto da vida deles. Isso me fez muito, muito feliz.

Como surgiu seu interesse pelo MMA e por que você procurou especificamente a academia de Greg Jackson?

Eu comecei treinando caratê quando tinha 7 anos. Quando eu era adolescente, vi o Royce Gracie no UFC e isso me inspirou a me tornar um lutador de MMA. Comecei a treinar wrestling com 19 anos, jiu-jítsu com 17 anos e passei a fazer tudo o que pudesse ajudar a me tornar um grande lutador. Nisso estava envolvido ter grandes treinadores e um grande mentor.

Você foi derrotado apenas duas vezes na carreira. Sua primeira derrota foi em uma disputa de cinturão contra Matt Hughes e a segunda contra Matt Serra. Como você avalia essas lutas hoje e o quê você faria de diferente?

Eu perdi duas vezes na vida e cada uma dessas derrotas me ensinou um lição diferente. Algumas pessoas quando perdem se afundam e nunca mais conseguem se recuperar. Eu usei minhas derrotas para achar um caminho para melhorar. Quando perdi para o Matt Hughes, eu o enxergava como um ser humano invencível e isso me travou. Então essa luta me ensinou a nunca superestimar alguém. E quando eu virei campeão, comecei a tratar Matt Serra não como ele merecia, porque eu estava super confiante. Isso causou a minha segunda derrota, me ensinou a nunca menosprezar ninguém, a nunca subestimar alguém. Essas duas derrotas me tornaram um lutador melhor e mais inteligente.

Qual foi a luta mais dificil da sua carreira?

Minha luta mais difícil foi a luta em que eu me machuquei mais. Foi contra o Carlos Condit. Ele foi o adversário que mais me machucou.

Georges St. Pierre considera Carlos Condit sua luta mais difícil (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Georges St. Pierre considera Carlos Condit sua luta mais difícil (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Você fez um The Ultimate Fighter com Josh Koscheck e enfrentou Nick Diaz, ambos lutadores conhecidos por provocar muito os adversários. Como você lida com o trash talking?

Eu não faço trash talking primeiramente porque não sou bom nisso e segundo porque inglês não é minha primeira lingua. Eu escolho minhas lutas com cuidado e eu sou melhor lutando do que falando.

Você fez um grande retorno contra Carlos Condit depois de muito tempo com o joelho lesionado. Como você está para outra volta depois de tanto tempo de inatividade?

Eu escolhi voltar a lutar porque realmente acredito que estou no meu auge agora. Eu acho que as pessoas não viram o melhor de mim ainda. Acredito que ainda tenho alguns poucos anos para lutar, mas não quero competir quando estiver em decadência e virar um saco de pancada. Então eu estou de volta porque estou no meu auge, mas quando sentir os sinais de que estou decaindo, vou me aposentar.

Porque você decidiu fazer essa pausa na carreira?

Quando decidi fazer uma pausa na minha carreira, três anos atrás, foi porque eu estava trilhando a estrada do campeão por muito tempo e isso é muito dificil. Estava me tomando muito tempo e trazendo muito estresse, por causa de todos os holofotes, críticas e tudo mais que envolve o mundo da luta. Eu precisava disso para a minha saúde mental. Quando eu parei, estava fisicamente bem, mas mentalmente eu estava doente e emocionalmente não estava feliz. Fiz algumas mudanças e agora estou feliz por voltar. Tirei férias incríveis, descansei bastante, realmente aproveitei a vida e agora estou feliz, na melhor forma da minha vida para voltar.

Não é arriscado voltar em uma disputa de cinturão na categoria de cima?

Todos os esportes evoluem com o passar do tempo e eu acredito que, no MMA, não é diferente. Eu jamais voltaria se eu não fosse o mesmo Georges St. Pierre que era três anos atrás e, se voltei, é porque estou confiante. Meus treinadores e companheiros de treino também acham que estou melhor do que eu costumava ser antes de parar. De outra forma, se eu estivesse do mesmo jeito, creio que teria uma noite terrível na próxima luta. Então vocês vão ver o melhor Georges St. Pierre. O melhor que já existiu!

Quem são os cinco melhores lutadores de MMA de todos os tempos na sua opinião (em ordem)? E onde você se coloca nessa lista?

Em primeiro lugar, Royce Gracie. Depois Fedor Emelianenko, Anderson Silva, Jon Jones… É difícil dizer.

Quais são seus planos para o futuro em caso de vitória sobre Michael Bisping? Você enfrentaria Conor McGregor pelo cinturão dos leves ou em peso casado? Qual a sua opinião sobre o irlandês?

Eu acho que o Conor McGregor é um lutador incrivel, mas não acho que ele seja o melhor lutador da atualidade. Ele é o melhor se promovendo e tem um grande carisma, tem uma grande popularidade, mas existem lutadores melhores do que ele no esporte hoje. Mas não acredito que uma luta contra o McGregor irá acontecer um dia.

Você é muito conhecido no Brasil. Gostaria de mandar um recado para os fãs brasileiros?