MMA Além do UFC traz resultados da última semana de 2018, com Rizin e finais da PFL

Por Idonaldo Filho | 02/01/2019 19:19

Como era de se esperar, na primeira semana do ano não temos muitos eventos. Por isso, o MMA Além do UFC será um pouco diferente do que nas demais semanas. Sem nenhum card de grande relevância que possa ser citado, destacaremos os principais resultados da última semana, que contou com dose dupla de Rizin e as finais da PFL, que distribuíram 1 milhão de dólares para os vencedores. Além disso, o Brave CF e o Fight Nights Global também trouxeram boas ofertas, com interrupções interessantes e prospectos que são promissores.

Fight Nights Global 91

O Fight Nights Global está cada vez mais decadente, mas as duas lutas mais importantes da noite acabaram entregando boas interrupções e afirmações de dois prospectos que prometem causar no cenário russo de MMA em breve.

Primeiro, pelo peso médio, o campeão Roman Kopylov manteve o cinturão e a invencibilidade, ao mostrar seu repertório vasto na trocação e dominar o veterano ardiloso Yasubey Enomoto. É possível que Kopylov se junte à barca da organização e apareça no RCC, evento que está acolhendo alguns dos lutadores que saíram da promoção.

Nos pesos pesados, o pupilo de Fedor EmelianenkoAnatoly Malykhin, conquistou a terceira vitória como profissional ao atropelar o veterano Baga Agaev em pouco tempo. Malykhin conseguiu uma queda próximo da grade e, uma vez no chão, transformou o duelo em baile, ao fazer transições tranquilamente até chegar em uma forte kimura que fez Agaev bater. Malykhin é um nome para se ficar de olho e conta com uma vitória muito boa contra Salimgerey Rasulov, um dos melhores pesos pesados russos, via domínio total, no MMA amador.


BRAVE CF 21

Realizado na Arábia Saudita, o Brave CF 21 foi um bom evento e que contou com pitadas de violência. Na luta principal, Jeremy Kennedy deixou para trás a fama de lutador chato que criou no UFC e conquistou um nocaute bonito quando colocou Marat Magomedov para sambar no cage antes de dar algumas cotoveladas definitivas com o adversário já nocauteado, graças ao árbitro carniceiro. Kennedy está invicto no Brave e pode vir a disputar o título em breve.

Na luta coprincipal, outro nocaute. Rami Hamed se deu melhor, ao conquistar uma brutal interrupção contra o compatriota Gadzhimusa Gadzhiev após uma boa sequência de socos que entraram limpos no daguestani. Essa foi a primeira luta de Hamed – que representa o Líbano- no Brave.

 

Usman Nurmagomedov, primo de Khabib Nurmagomedov, campeão dos leves do UFC, conquistou um nocaute técnico ao não dar nenhuma chance para o japonês Issei Moriyama. Se ele tiver a pressão do nigeriano e do russo que compõem seu nome, com toda certeza Usman será um lutador que devemos ficar de olho.

 


RIZIN Heisei’s Last Yarennoka!

Evento menor do Rizin, que costuma fazer dois eventos no dia 31 de dezembro, o Rizin Heisei’s Last Yarennoka! envolveu apenas lutadores japoneses, mas contou com boas lutas. A principal foi um duelo entre os veteranos Tatsuya Kawajiri Satoru Kitaoka, sendo que o último saiu vitorioso na decisão dividida. Mas o destaque mesmo foi Mikuru Asakura, que conquistou um belo nocaute com uma joelhada, apagando Takeshi Inoue bem no canto do ringue de forma brutal. Com isso, Asakura conquistou a sua nona vitória em dez aparições profissionais de MMA.

 


RIZIN 14

O Rizin 14, como toda edição promovida pela organização, foi um festival, muitas vezes mais entretenimento do que lutas. O evento inclusive sofreu com o atraso da estrela principal do evento, Floyd Mayweatherque gerou preocupação se realmente iria lutar. No entanto, no final das contas Floyd apareceu e surpreendeu, não pelo resultado vitorioso contra Tenshin Nasukawa, mas sim porque a expectativa era de uma luta de exibição morosa, um sparring de luxo. Contudo, o que se viu foi uma humilhação. Três knockdowns em uma surra completa ainda na primeira etapa, fazendo o corner de Nasukawa jogar a toalha e o japonês de apenas 20 anos ir aos prantos literalmente. Segue a luta completa:

Já no MMA, Kyoji Horiguchi estava sendo dominado pelo forte wrestling de Darrion Caldwell, que conseguia impor toda a sua enorme vantagem física sobre o japonês. Porém, assim como contra Joe Taimanglo, Caldwell vacilou e deixou o pescoço livre, o que possibilitou que Horiguchi pegasse a guilhotina que definiu o duelo e lhe deu o cinturão inaugural dos galos no Rizin. A expectativa é que eles façam uma revanche no Bellator, em um cage, como estava no acordo firmado entre as organizações. Será que foi uma boa para o UFC deixar Horiguchi ir embora tão fácil assim? Seria um bom atleta na divisão dos galos.

Na divisão dos meios-pesados, o prospecto tcheco Jiří Procházka sofreu um pouco com o jogo de pressão que Brandon Halsey costuma impor sobre seus oponentes, mas foi capaz de reverter a situação e nocautear o adversário no chão. Um dos melhores nomes da divisão fora do UFC, Prochazka pode ser uma boa adição para o evento do UFC em Praga, mas rumores já dão conta de que o Rizin pretende casá-lo contra Mirko Cro Cop em abril. Curiosamente, Halsey chegou a cair do ringue por duas oportunidades, sendo advertido por isso.

No peso pesado…feminino, Gabi Garcia conquistou mais uma vitória por finalização no Rizin, desta vez sobre uma atleta mais jovem do que as que andava enfrentando ultimamente. A campeã de jiu-jítsu conseguiu o triunfo com uma forte americana, após levar a adversária Barbara Nepomuceno ao solo. Esta foi a sexta vitória de Gabi Garcia no MMA. Após a luta, o lamentável aconteceu, com a senhora Shinobu Kandori, de 54 anos, e sua trupe subirem no ringue exigindo uma luta contra Gabi Garcia, que já foi cancelada por duas oportunidades.

Já o talentoso Justin Scoggins segue em sua intensa derrocada. Em sua primeira luta fora do UFC, ele novamente mostrou pouca inteligência e decidiu derrubar um ótimo grappler em Yuki Motoya, que logo tratou de finalizar o americano, que emendou a quarta derrota seguida de sua carreira no MMA.


PFL 2018 #11

O último evento da PFL no ano, que encerrou a temporada de 2018 aconteceu durante a virada do ano aqui no Brasil. As finais foram disputadas e cada vencedor ganhou US$1 milhão como prêmio, além claro, do cinturão do evento.

No peso-pena, apontado como um dos favoritos pelo MMA Brasil antes do torneio, Lance Palmer utilizou seu bom wrestling e foi dominante como esperado, vencendo na decisão sem dar chances para Steven Siler conquistar uma finalização. Assim, Palmer conquistou o prêmio, após chegar ao evento como o maior favorito da noite nas finais.

Entre os leves, uma zebra. O brasileiro Natan Schulte venceu o ex-top 15 do UFC Rashid Magomedov por decisão unânime em luta disputada. Nathan chegou a derrubar Rashid e acertou bons golpes no russo nos rounds finais para reverter um começo difícil no combate. Curiosamente essa luta envolveu dois atletas que treinam juntos na ATT.

Na categoria dos meios-médios, Ray Cooper III estava com hype pelos nocautes que conquistou na temporada e era favorito para boa parte dos fãs. Entretanto, quem levou o prêmio foi o russo Magomed Magomedkerimov, que finalizou o havaiano com uma guilhotina, frustrando-o e levando o dinheiro e o cinturão para o Daguestão.

Um nocaute brutal no primeiro soco dado na luta aconteceu na final dos médios, quando o veterano Louis Taylor deu cabo de Abus Magomedov em apenas 33 segundos. O alemão engoliu um soco e caiu praticamente apagado de costas para o chão, recebendo ainda um poderoso soco do americano no chão antes da interrupção.

A final dos meios-pesados trouxe um bonito fim para a carreira de Sean O’Connell. Ele se aposentou com o prêmio máximo e o cinturão depois de derrotar o brasileiro Vinny Magalhães, que desistiu no intervalo do terceiro para o quarto round, após cansar bastante e sofrer muito com a trocação de O’Connell. Sean se aposentou novamente, já que ele havia encerrado a carreira após ser demitido do UFC, mas voltou para disputar o torneio e agora deve se manter como comentarista da PFL.

E, por fim, nos pesos pesados, outro brasileiro conquistou o prêmio máximo. Naturalmente um meio-pesado, Philipe Lins superou a desvantagem de tamanho diante dos adversários e se tornou campeão do torneio na categoria dos pesados após vencer o ex-UFC Josh Copeland, que foi muito resiliente e não caiu, mas viu o duelo ser interrompido pelo árbitro para preservar sua saúde.

Além disso, em uma luta bônus na noite, a judoca olímpica Kayla Harrison seguiu atropelando todas que colocam em sua frente. Dessa vez, ela passou por cima de Moriel Charneski sem piedade, acabando a luta com poderosos socos e que levaram ao nocaute técnico. Tendo em vista que a PFL fará o torneio na categoria de Kayla no ano que vem, veremos mais desempenhos como esse, já que a categoria é basicamente inexistente.