MMA Além do UFC apresenta o top 5 das melhores organizações regionais do mundo

Por João Gabriel Gelli | 24/11/2016 14:42

Mais de oito meses já se passaram desde que a coluna foi ressuscitada e diversos eventos que aconteceram em todos os cantos do mundo foram abordados, alguns com mais frequência do que outros. Como o MMA Além do UFC não encontrou nenhum grande card de destaque para esta semana, as próximas palavras serão dedicadas a montar uma lista daquelas que seriam as principais organizações regionais de MMA ao redor do mundo.

Antes de começar, é preciso informar os critérios usados para definir um evento como regional. Foram classificadas como regionais todas as organizações que promovem cards em um espaço geográfico limitado, considerados exclusivamente como torneios que alimentam as grandes empresas, como o UFC, o Bellator, o WSOF, o Invicta e o ONE, com jovens talentos que precisam progredir aos poucos no nível de dificuldade que enfrentam ao longo de suas carreiras e com maioria de atletas oriundos do país-sede ou de vizinhos, em casos de países pequenos.

O que pode ser observado nas organizações que serão elencadas a seguir é que não existe uma fórmula fechada para se consolidar como um grande evento no cenário regional. O que todas elas reúnem é um grande número de prospectos em confrontos competitivos, minimizando as disparidades técnicas. Algumas realizam poucos cards ao longo do ano, enquanto outras promovem vários.

Um detalhe que vale ser ressaltado é de que nenhuma organização brasileira entrou na lista. Isso se dá por diversos fatores, como casamentos unilaterais de lutas, com o intuito de promover cartel de algum lutador específico, e os grandes conflitos de interesse que existem no MMA nacional, que, apesar de possuir uma das maiores ofertas de talento do mundo, acabam minando a qualidade geral que é encontrada nos eventos por aqui.

Feitas essas considerações, vamos à lista:

1º ACB

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O primeiro colocado em nosso ranking é o Absolute Championship Berkut, ou ACB, uma organização russa sediada em Grozny, na Chechênia, que cresceu muito nos últimos anos, promovendo torneios de bom nível em todas as divisões de peso. Em seu plantel, conta com alguns dos melhores prospectos do mundo, como Denis Goltsov, Petr Yan, Magomed Magomedov e Askar Askarov, além de terem mandado seus campeões dos penas e meios-pesados, Zabit MagomedsharipovGadzhimurad Antigulov, recentemente para o UFC.

Quase todos os eventos do ACB são recheados de confrontos bem escolhidos, com desafiantes bem selecionados, entregando combates de alto valor de entretenimento. No começo de outubro, foi realizado um card na Escócia, até hoje o país mais distante visitado. O crescimento vem trazendo atletas gabaritados do Brasil e do Reino Unido para competir por uma promoção que cada vez mais coloca seus atletas em posições de destaque no cenário de alimentação das grandes organizações.

No entanto, caso possa ser feita uma aposta, como o ACB tem um plantel talentoso o suficiente e monta cards com uma periodicidade acima da média, pode se imaginar que esta venha a se juntar ao pelotão das maiores organizações internacionais em um futuro próximo.

2º Titan FC

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Sediado na Flórida, o Titan FC já promoveu mais de 40 cards desde 2005, quando foi fundado por Joe Kelly. Em 2012, a organização foi comprada pela RFA, mas acabou readquirida por Kelly no ano seguinte, quando foi remodelada. Após dois eventos, Jeff Aronson se tornou sócio majoritário e exerce a função de diretor executivo até hoje.

No ano passado, a organização assinou um contrato de transmissão com o UFC Fight Pass, plataforma digital do UFC, que já exibiu os últimos seis cards. Com uma sólida mistura entre veteranos de grandes promoções, como Desmond Green, Kurt HolobaughSteven Siler, com nomes promissores como Jose Torres e o recém-contratado pelo WSOF, Andre Harrison, o Titan já se consolidou no mercado como uma das principais fornecedoras de talento do MMA mundial.

3º LFA

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Pode parecer estranho colocar uma organização que ainda nem fez seu primeiro evento em uma posição tão elevada na lista. No entanto, o Legacy Fighting Alliance, ou LFA, surgiu por conta da fusão de dois dos mais fortes celeiros de talento do cenário norte-americano, a RFA e o Legacy FC. Esta junção aconteceu após a contratação de Mick Maynard, então presidente do Legacy, como matchmaker do UFC e contará com o comando do empresário Ed Soares, executivo da RFA.

Muita expectativa cerca a nova organização, uma vez que os campeões de suas precursoras tinham a ida para o UFC ou Bellator quase garantida. Além disso, os primeiros eventos devem marcar unificações de cinturões, o que promete grandes momentos quando estamos falando de promoções que tiveram campeões recentes como Holly Holm, Thomas Almeida, Pedro Munhoz e Sergio Pettis. O plantel atual é uma combinação de bons prospectos brasileiros e americanos com alguns lutadores das cidades por onde passam, contando com atletas do gabarito de Raoni Barcelos, Thiago Moisés, Leandro Higo, Alexandre Pantoja, Damacio Page, Matt Schnell e os muito promissores Logan Storley e Mackenzie Dern.

4º M-1 Global

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Mais antiga das selecionadas, o M-1 Global, que também promove uma série de eventos chamados de M-1 Challenge, existe desde 1997 e já revelou diversos nomes para o cenário mundial. Com sede na Russia, a organização já rodou pelo Leste Europeu e ficou conhecida por realizar copromoções durante o início de sua caminhada. Em 2009, promoveu seu primeiro grande card e foi a casa da então despedida de Fedor Emelianenko, dono de uma parcela do evento, do MMA, em 2012.

Atualmente, um dos melhores atletas fora do UFC atua pelo M-1, o campeão peso pena Ivan Buchinger, que venceu dez lutas seguidas desde que perdeu para Conor McGregor no combate que levou o irlandês para o UFC. Outros nomes fortes da organização estão nos meios-pesados, como o campeão Rashid Yusupov e os ex-detentores do título Viktor Nemkov e Stephan Puetz, e nos médios, com Ramazan EmeevAnatoly Tokov, formando um plantel de qualidade acima do padrão para as categorias no cenário regional. Também vale destacar os prospectos Alexey Kunchenko, Magomed Idrisov, Pavel Vitruk e Sergey Romanov.

5º Cage Warriors

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Palco da luta entre McGregor e Buchinger, em 2012, citada acima, o Cage Warriors existe há quinze anos e é considerada uma das principais forças além dos grandes eventos, classificada como uma das melhores organizações europeias. Apesar do sucesso em revelar talentos, a promoção passou por um período de cerca de um ano e meio inativo, retornando em abril. De lá para cá, já foram seis cards, com dois campeões dos médios, Jack HermanssonJack Marshman, migrando para o UFC antes de defenderem suas coroas – ambos lutaram no octógono mais famoso do mundo no último sábado.

Além de McGregor, outros campeões do UFC tiveram passagens pelo Cage Warriors, casos de Michael Bisping e de Joanna Jedrzejczyz. Do atual plantel da maior organização de MMA do mundo, Gegard Mousasi, Ross Pearson e Joe Duffy (último a vencer McGregor antes do UFC) também atuaram pela promoção ao longo de sua história. Agora, os lutadores que estão chamando a atenção são os campeões dos pesos pena e leve, Paddy Pimblett e Chris Fishgold, respectivamente. A expectativa é que ambos assinem com o UFC em breve.

Menções honrosas

Akhmat Fight Club (Rússia/Chechênia), BAMMA (Inglaterra), KSW (Polônia), Ring Of Combat (Estados Unidos) e Fight Nights Global (Rússia).

Matchmaker do MMA Brasil, fanático por esportes, mesmo sem botá-los em grande prática. Fã de MMA, NFL, estudante de Engenharia e viciado em séries.