Por Alexandre Matos | 18/12/2016

Tivesse o UFC On FOX 22 acontecido no Brasil e Michelle Waterson teria sido celebrada com um “a campeã voltou”. A ex-detentora do cinturão do peso átomo do Invicta FC teve excelente atuação na vitória sobre Paige VanZant, num evento que atraiu 13.136 fãs para o Golden 1 Center, em Sacramento, Califórnia.

Mesmo com a torcida inteiramente a favor da representante do Team Alpha Male, Waterson não se intimidou e tomou conta das ações desde o princípio da luta. Colaborou com isso o fato de VanZant decidir atuar controlando a distância de longe, exatamente o jogo que favorecia a carateca Michelle, que misturou chutes no corpo com ganchos de direita.

Depois de receber alguns golpes potentes, VanZant finalmente tentou encurtar, mas errou o movimento. Waterson se antecipou e lançou um koshi guruma, caindo por cima da adversária. No chão, Michelle não demorou a passar para as costas e encaixar o mata-leão. Paige tentou se defender, mas a posição estava muito profunda. Quando buscava tirar a mão direita de Waterson de trás de sua cabeça, VanZant acabou apagando, fazendo com que o árbitro John McCarthy decretasse o fim na marca de 3:21 de luta.

Além da vitória, que deve catapultá-la para perto do top 5 do peso palha, Waterson ainda embolsou US$50 mil adicionais por um dos bônus de desempenho da noite.

Mickey Gall finaliza Sage Northcutt e pede Dan Hardy

A Tristar Gym sabia uma coisa ou duas a respeito de Sage Northcutt para ajudar Mickey Gall, que venceu o duelo de prospectos com a terceira interrupção em três lutas disputadas no UFC.

No primeiro round, Northcutt mostrou que ainda tem muito o que aprender defensivamente. Apesar da base no caratê, que dá uma ótima sustentação para o sistema de defesa de quedas, o texano permitiu que Gall o derrubasse e o controlasse no solo, confiando numa guarda que não funcionou. No segundo assalto, Sage tentou se movimentar mais para atrapalhar as entradas de queda do oponente, mas percebeu que também há um caminho de aprendizado antes de achar que pode se mexer como Dominick Cruz.

Sem acertar as transições, Northcutt tentou um soco e teve o braço bloqueado. Gall, sabendo onde o oponente estava, acertou um soco forte que mandou Sage à lona. Mickey então foi muito ágil para pegar as costas de Sage e aplicar o mata-leão que deu cabo do rival na marca de 1:40 do segundo assalto.

Antes da luta, Gall tinha avisado que já pensara num nome para enfrentar em caso de vitória. Quando foi perguntado pelo comentarista Brian Stann, ele surpreendeu ao citar Dan Hardy, que não luta desde setembro de 2012. No Twitter, o britânico brincou com o desafio: “Ele (Gall) tinha idade para assistir ao UFC na época em que eu lutava?”

Urijah Faber encerra a carreira com vitória dominante sobre Brad Pickett

A última luta da carreira de Urijah Faber, diante de seus vizinhos, fãs, familiares e amigos, não poderia acabar mal. Pois o Califórnia Kid teve uma atuação convincente para vencer Brad Pickett.

O inglês não teve chance durante todo o combate. O primeiro assalto foi praticamente todo disputado no kickboxing. Faber conseguiu um knockdown quando acertou um veloz gancho de esquerda e quase chegou ao nocaute no ground and pound, mas o árbitro mandou seguir.

Nos dez minutos finais, o wrestling de Faber entrou em ação e o líder do Team Alpha Male puniu Pickett novamente no ground and pound e ainda tentou se aposentar com sua tradicional guilhotina, mas o europeu resistiu. Cansado e muito machucado, Pickett não teve forças para buscar o nocaute milagroso e não teve chance enquanto o combate esteve no solo.

Alan Jouban bate Mike Perry com atuação sólida

O amalucado Alan Jouban mal deu as caras em Sacramento. Quem apareceu para lutar foi um sujeito que sabia a hora de explodir e de esfriar os ânimos. Na vitória sobre Mike Perry, Alan tentou até usar as quedas, faceta pouco explorada de seu jogo.

Jouban começou em ritmo forte, mas percebeu que não poderia deixar a luta virar pancadaria quando começou a ser alvejado pelos contragolpes de Perry – num deles, Jouban catou cavaca e quase foi à lona. Como o adversário não alongava as combinações, Alan conseguiu sair na frente aplicando muitos chutes na perna dianteira.

Na segunda etapa, Perry melhorou a produção ofensiva e levava curta vantagem até o final da parcial, quando levou um knockdown e viu Jouban virar o round. No terceiro, Mike passou a lutar pelo Hail Mary, que não apareceu, dando a oportunidade que o adversário precisava para disparar combos de socos e chutes. No fim das contas, Jouban venceu por 30-27 na contagem do MMA Brasil e de dois juízes, enquanto o terceiro viu 29-28, garantindo a unanimidade na decisão.