Michael Bisping sobrevive a duas Bombas-H de Dan Henderson e defende o cinturão no UFC 204

Em luta divertida, Michael Bisping sofreu para vencer Dan Henderson no UFC 204, que marcou a primeira defesa do britânico e a aposentadoria do mito americano.

A Manchester Arena estava lotada para ver o herói do MMA local defender seu cinturão pela primeira vez no UFC 204. O horário ingrato poderia ter feito alguns pegarem no sono, mas Michael Bisping sofreu mais do que o necessário contra Dan Henderson e deixou a arena elétrica.

O punho direito engatilhado de Hendo ainda provoca pesadelos em Bisping. Sete anos depois do brutal nocaute do UFC 100, o hoje campeão fez um primeiro round tenso, com poucas ações ofensivas e muitos erros defensivos, várias vezes deixando o lado esquerdo da cabeça desprotegida. Macaco velho, Hendo percebeu a brecha e mandou a Bomba-H, que lançou Bisping a knockdown. A saraivada de socos e cotoveladas no ground and pound teriam rendido um 10-8 para o veterano caso as novas orientações de pontuação estivessem em vigor.

Bisping voltou um pouco mais atento e mais ativo para o segundo round, lançando combinações e usando os chutes para impedir contragolpes de Henderson. Porém, a mania de voltar o jab com a mão baixa deu as caras novamente, mas numa situação hilária. Hendo reclamou de um chute baixo, mas o árbitro Yves Lavigne não mandou parar. Bisping avançou socando, o que deixou o americano irritado e o fez mandar outra Bomba-H, novamente jogando o britânico longe. Desta vez não tinha tempo para o ground and pound e os juízes ficaram com um pepino nas mãos: 10-9 Hendo ou Bisping? Fui na segunda opção.

Depois de dois sustos e com o rosto amassado, finalmente Bisping tomou vergonha no terceiro assalto. Lutando mais fechado, menos exposto e com mais volume de jogo, ele abriu vantagem no round mais claro do combate. No quarto, Hendo aproveitou um chute baixo para descansar e recuperar o fôlego, que já estava prejudicado havia mais de 10 minutos. Mesmo assim, Bisping continuou melhor e abriu vantagem em 39-37.

Sabendo que sua carreira só tinha mais cinco minutos, Hendo juntou as forças que restavam do fundo de seu ser e tentou a última ofensiva. Ele até voltou às origens ao aplicar uma queda em Bisping, mas não conseguiu manter o campeão no chão por muito tempo. O campeão aumentou o ritmo no fim de uma parcial equilibrada. Para fechar a carreira com chave de ouro, Hendo deu uma cambalhota para tentar emendar um chute no estilo Tony Ferguson 20 anos mais velho. Foi só para lembrarmos que ele é o maior casca-grossa da história do MMA.

No fim das contas, eu marquei 48-47 Bisping, mesmo placar de dois dos juízes oficiais. Outros placares válidos poderiam ser 47-47 (10-8 Hendo no round 1, marcação que fatalmente aconteceria no ano que vem, quando estiverem valendo as novas recomendações de pontuação) ou 48-47 Hendo, com 10-9 para o veterano no segundo assalto. Nem mesmo o 49-46 que um dos juízes oficiais marcou é muito duro de engolir, já que o quinto assalto foi equilibrado.

Com a vitória, Michael Bisping não só defendeu seu título pela primeira vez, mas superou Georges St. Pierre como o maior vencedor da história do UFC (20 vitórias do britânico contra 19 do canadense) e empatou com Tito Ortiz e Frank Mir como os que mais lutaram no octógono (27 aparições cada). De quebra, os 119 golpes contundentes conectados pelo campeão formam a quinta vez que ele passou da contagem centenária numa luta, outro recorde do UFC.

Gegard Mousasi vence Vitor Belfort à moda de Vitor Belfort

Muito respeito ao legado de Vitor Belfort, mas a diferença de idade, de fome, de condicionamento físico e técnico hoje em dia era muito grande em favor de Gegard Mousasi.

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Para alegria dos fãs, Mousasi adotou a postura de encurralar Belfort e controlar a distância num ponto em que o brasileiro poderia alcançá-lo. Por causa disso, o primeiro assalto foi tenso devido ao fato de Vitor ter capacidade de explodir. Porém, logo na primeira vez que o veterano tentou avançar, o bom serviço de contragolpes do europeu parou o oponente. Uma boa combinação de jab-direto de Mousasi fez Belfort balançar no fim da parcial, vencida pelo ex-campeão do Strikeforce.

O segundo assalto seguiu com o belo trabalho de jabs de Mousasi, que também retaliava rapidamente a todas as tentativas de ataque de Belfort. Cheio de confiança, Mousasi incorporou Belfort. Ele largou uma canelada de direita que fez o brasileiro balançar. Como Vitor não caiu, Gegard disparou o inferno no oponente, o derrubou com facilidade e montou. E quando isso acontece nas lutas do Belfort, já sabemos como termina. O velho leão virou de lado debaixo de uma chuva de socos, fazendo o árbitro encerrar o massacre na marca de 2:43 do segundo round.

Jimi Manuwa manda Ovince St. Preux para as profundezas da vala

Os pegadores Jimi Manuwa e Ovince St. Preux levantaram expectativa de pancadaria em Manchester. A troca de pancadas demorou, mas quando deu as caras, rendeu um nocaute brutal.

A esperada pancadaria passou longe no primeiro round. Fora uma joelhada no thai clinch aplicada por Manuwa, a primeira parcial foi disputada praticamente inteira no clinch na grade ou no grappling no chão. St. Preux levou vantagem nas transições e trocas de posição, mas teve que defender uma guilhotina quando o inglês mostrou perspicácia e agilidade. O descendente de haitianos saiu na frente por 10-9.

Manuwa seguiu melhor na troca de golpes em pé no segundo assalto, mas falhou em alongar as combinações. O britânico jogou dois bons ganchos na linha de cintura e, contra um oponente estático, demorou a acelerar. Porém, OSP pediu para perder e o Poster Boy lhe deu o que queria. Outro gancho na linha de cintura fez St. Preux abrir a guarda. Manuwa mandou um tiro em forma de cruzado de direita. Ovince balançou e finalmente Manuwa apertou. A combinação terminou com um gancho no queixo que fez o americano desabar desacordado por cima da perna, de olhos virados. Um nocaute brutal a 2:38 do segundo round.

Jiu-jítsu garante vitória de Stefan Struve sobre Daniel Omielanczuk

Depois de exibir alguma evolução na luta em pé, foi hora de Stefan Struve voltar para seu porto seguro. Deste modo, o gigante holandês conseguiu finalizar Daniel Omielanczuk.

Struve tinha a missão de mostrar que realmente aprendeu a controlar a distância em pé. Pois Omielanczuk não encontrou muito trabalho para acertar socos violentos no gigante, mesmo faltando polimento técnico na maioria das vezes. Porém, num desses avanços do polonês, o holandês conseguiu botar para baixo e, no chão, montou, pegou as costas, tentou finalizar, bateu e virou o round.

Logo no começo do segundo assalto, Daniel tentou derrubar no corpo a corpo na grade, mas sofreu com o tamanho do oponente. Struve reverteu a situação, disparou uma joelhada no thai clinch, derrubou no osoto gari e caiu quase montado. No solo, Struve ameaçou pegar o braço, mas logo saiu no triângulo de mão. Muito próximo à grade, encurralado, Omielanczuk girou para o lado errado e foi forçado a batucar na marca de 1:41 da segunda etapa.

A vitória marcou a primeira submissão de Struve em quatro anos e meio ou sete lutas. Neste intervalo, o holandês nocauteou o atual campeão Stipe Miocic, a quem desafiou na entrevista pós-luta.

Mirsad Bektic volta de contusão fazendo o de costume: destruindo gente

Depois de quase um ano e meio parado se recuperando de lesão no joelho, o bósnio Mirsad Bektic voltou para lembrar que a categoria dos penas tem um sujeito violento. A vítima da vez foi Russell Doane.

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Substituto de última hora, Doane até equilibrou a luta em pé nos primeiros momentos, muito por alguma ferrugem de Bektic. Mas quando o europeu grudou, o confronto virou monólogo. Bektic foi lá embaixo para catar o calcanhar de Doane e derrubá-lo. Em seguida, duas quedas poderosas deixaram Russel em definitivo no chão. A primeira tentativa de mata-leão de Bektic pareceu que esmagaria a cabeça do rival. Russell até mostrou valor se defendendo, mas a insistência do bósnio rendeu frutos e, com mais um mata-leão, deu cabo do oponente quando o cronômetro marcava 4:22 de luta.

Fotos: Josh Hedges/UFC