Michael Bisping conquista cinturão com nocaute arrasador sobre Luke Rockhold no surpreendente UFC 199

Ignorando as casas de apostas, Michael Bisping completou seu sonho com um nocaute monstruoso em Luke Rockhold. Antes, Dominick Cruz foi mais uma vez o "Dominator" e passeou contra Urijah Faber.

“Força de vontade é mais importante do que habilidade”.

É bem provável que a frase acima, uma das muitas do vasto repertório do imortal Muhammad Ali, tenha passado pela cabeça de Michael Bisping nas últimas 24 horas. Em mais uma prova de quão incrível é o MMA, o britânico conquistou o cinturão dos médios depois de aplicar um nocaute fulminante em Luke Rockhold. O duelo foi o principal do excelente UFC 199, que aconteceu no Forum de Inglewood, em Los Angeles.

Difícil negar que o agora ex-campeão entrou com um certo ar de menosprezo pelo adversário. E o começo do combate deu a impressão de repetir o primeiro duelo entre ambos, de novembro de 2014. Bisping tentou imprimir volume no kickboxing enquanto Rockhold soltava chutes em busca de encaixar o primeiro golpe que mudaria o destino das ações. Pois quem lançou esta carta foi o britânico. Com um potente cruzado de esquerda, Bisping mandou Rockhold à lona. O americano se levantou bastante atordoado e levou outra pedrada, desta vez um gancho de canhota, e desabou sentado e desacordado na grade. O árbitro “Big” John McCarthy tirou o “Conde” de cima do adversário na marca de 3:36 de luta.

Uma das maiores piadas da história do MMA chega ao fim. Bisping não só teve sua chance de disputar um cinturão como ainda deu uma resposta aos que criticam seus “punhos de almofada”. Isso na luta seguinte de ter sido o primeiro a tirar sangue de Anderson Silva. Num espaço de três meses, Mike concretiza seus dois maiores sonhos. Em seis meses, o UFC vê os improváveis Stipe Miocic e Miesha Tate se juntarem a Bisping como campeões da maior organização do mundo.

Que esporte maravilhoso.

Dominick Cruz mantém o cinturão dos galos com passeio sobre Urijah Faber

Mais um capítulo de uma das mais bonitas histórias do MMA foi escrita em Los Angeles com a primeira defesa do cinturão dos galos por Dominick Cruz, que mais uma vez venceu o arquirrival Urijah Faber.

Cena recorrente na luta: Dominick Cruz acerta o rosto de Urijah Faber (Foto: Zuffa LLC via Getty)

Cena recorrente na luta: Dominick Cruz acerta o rosto de Urijah Faber (Foto: Zuffa LLC via Getty)

O desafiante mostrou seu valor no primeiro round quando equilibrou as ações numa parcial praticamente inteira disputada na luta agarrada. Cruz e Faber trocaram quedas e botes em busca de finalizações, numa disputa frenética palmo a palmo no solo. Por curta margem, o campeão saiu na frente.

Tudo mudou a partir do segundo round. Cruz mandou o rival a knockdown com uma forte pancada de direita. Faber se levantou rapidamente, mas levou um chute alto e não mais conseguiu se recuperar. A partir dali foi mais uma atuação clássica do “Dominator”, que desafia as leis da Física ao aplicar um golpe na posição X e sumir dali no mesmo instante.

Cada vez mais perdido, Faber desperdiçava energia socando o vento enquanto engolia couro constante. O campeão mandou o desafiante novamente à lona no quarto assalto, completando o serviço com pancadas na lateral da cabeça do adversário caído. Faltou bem pouco para Cruz conseguir o sonhado nocaute. No quinto, Faber tentou uma última ofensiva, mas não conseguiu muito mais do que agredir o vento e levar seguidos contragolpes.

O MMA Brasil marcou 50-45 a favor de Dominick Cruz, mesmo placar dos juízes Ron McCarthy e Jeff Mullen. A nota dissidente foi de Wade Vierra, que deu o primeiro round para Faber e a luta para Cruz por 49-46.

Max Holloway se consolida como força nos penas na maior atuação da carreira

Foi uma atuação daquelas de encher os olhos e mostrar que a elite da divisão dos penas não tem quatro lutadores, mas cinco. Max Holloway dominou Ricardo Lamas e chegou à nona vitória consecutiva.

Uma versão aprimorada de Holloway esteve em ação no UFC 199. A defesa de quedas se mostrou mais sólida do que nunca ao deter todas as tentativas de quedas do ótimo wrestler Lamas. Numa dessas investidas, Ricardo chegou a ser pego numa guilhotina, mas conseguiu se defender. A defesa de striking do havaiano sofreu poucos sustos com uma exibição de alto nível no controle de distância – Max batia e saía do raio de ação do rival no exato momento do contragolpe.

No terceiro round, a cereja do bolo da atuação do jovem Holloway. Depois de levar duas canhotas justas, ele aceitou a pancadaria desesperada de Lamas, que tentou o último suspiro. Mesmo sob fogo cruzado, Holloway mostrou queixo resistente e levou vantagem também neste momento. Os três juízes marcaram o mesmo 30-27 que o MMA Brasil anotou.

Cotoveladas de Dan Henderson mandam Hector Lombard desacordado à lona

Quando Dan Henderson parece acabado, seu absurdo poder de nocaute age novamente. Desta vez a vítima foi Hector Lombard, que engoliu uma Bomba-H, mas ruiu com cotoveladas.

O primeiro assalto foi sensacional, com ambos chegando perto da vitória por nocaute depois de um começo de respeito de ambas as partes. O primeiro a acelerar foi o americano, que acertou sua violenta direita em cheio no rosto do cubano e o mandou à lona. Recuperado, Lombard devolveu fogo e largou um gancho de esquerda que fez Hendo desabar. Hector tentou finalizar com uma americana, mas Hendo novamente mostrou porque é um dos mais resistentes lutadores da história ao levar outro knockdown e sobreviver às pancadas do potente ex-judoca.

No segundo round, a direita de Hendo fez Lombard tentar um single leg. Com uma perna bloqueada, o americano rapidamente girou o tronco e disparou uma cotovelada bárbara de esquerda que fez Lombard desabar já praticamente nocauteado. Henderson soltou mais duas direitas e o árbitro Herb Dean intercedeu na marca de 1:27.

Era hora de Hendo tirar as luvas, deixá-las no centro do octógono e anunciar sua aposentadoria com mais um nocaute brutal em seu estado natal. Emocionado, o veterano de 45 anos disse que não sabe qual será seu próximo passo.

Dustin Poirier aniquila Bobby Green em menos de três minutos

A diferença de talento entre o “Diamante” Dustin Poirier e Bobby Green ficou bastante clara. Em momento algum o combate ficou equilibrado.

Green tentou tomar a postura de contragolpeador, mas teve pouco espaço diante das combinações de Poirier, que mais uma vez mostrou precisão nos golpes e fluidez no jogo de pernas. Um gancho de esquerda mandou Bobby pela primeira vez a knockdown. Ele se levantou, mas apenas para ser engolido pela volúpia do oponente. Poirier lançou socos e um direto de esquerda na têmpora enviou o rival novamente à lona. Green caiu em posição fetal e não respondeu às pancadas emitidas por Poirier. Aos 2:53 de luta, Dustin Poirier conseguiu a quarta vitória em igual número de lutas como peso leve.