Por Alexandre Matos | 04/06/2017 01:44

O peso pena do UFC volta a ter um campeão linear unificado. Na noite deste sábado, na Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro, Max Holloway nocauteou José Aldo na maior atuação de sua carreira, diante do maior público do UFC na capital fluminense.

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A capacidade de retaliação de Aldo deu o tom do primeiro round. Como Holloway demorou a apertar o ritmo, facilitou o trabalho de contragolpes do campeão linear. Com ataques esporádicos e sem sequência, Holloway era acertado sempre que tentava invadir o raio de ação do brasileiro. Faltavam velocidade e volume. Vieram em seguida.

O cenário mudou no segundo assalto graças à capacidade de adaptação de Holloway. O havaiano encontrou sua distância e seu ritmo, ajudado pela postura do brasileiro. Aldo decidiu boxear usando o pivô, diminuindo sua área de circulação. De quebra, não tentou chutar nem derrubar. Holloway então acertou combinações de socos, muitas vezes com quatro ou cinco golpes. A confiança foi aumentando até chegar a imitar os irmãos Diaz, com direito a Stockton slaps e braços abertos. Luta empatada.

Nada mudou no terceiro. Na verdade, o quadro do parágrafo anterior foi somente se acentuando. Conforme Holloway crescia, Aldo não fazia menção de sair da armadilha que ele se meteu. Com uma combinação limpa de dois diretos e dois cruzados, o havaiano mandou o brasileiro a knockdown. Começou aí a selvageria no ground and pound. Max foi inteligente ao evitar o trabalho de guarda de Aldo, movimentando-se por cima enquanto socava para baixo. De tanto apanhar, Aldo foi arrefecendo. McCarthy conversou com o brasileiro até que viu a total falta de defesa de Aldo. O nocaute técnico aconteceu na marca de 4:13.

Esta foi a 11ª vitória consecutiva de Holloway, que igualou a marca de Royce Gracie, atrás apenas de Anderson Silva (16), Jon Jones (13), Georges St. Pierre e Demetrious Johnson (12). Frankie Edgar agora aponta como o provável primeiro desafiante do monstro havaiano.

Claudia Gadelha tem trabalho fácil contra Karolina Kowalkiewicz

A expectativa era de disputa ferrenha, mas Karolina Kowalkiewicz nem deu para a saída. Claudia Gadelha mostrou que MMA é multidisciplinar e finalizou a polonesa no primeiro round.

Era claro que Kowalkiewicz queria a luta na longa distância. Socos retos trataram de manter Claudinha longe, ainda que fossem golpes no vento. Quando a polonesa dava sinais de que iria se soltar, Gadelha rapidamente a bloqueou, derrubou, caiu por cima e pegou as costas. Não tinha como ser diferente: mata-leão encaixado, uma breve tentativa de defesa e os tapinhas redentores. Foram necessários apenas 3:03 para que a brasileira provasse que ela é a número dois destacada no peso palha.

Vitor Belfort vence a primeira por decisão depois de 10 anos

Com lapsos do velho leão, Vitor Belfort mostrou alguns frutos dos treinos da Tristar Gym contra Nate Marquardt. Ainda assim, não deveria ser suficiente para vencer, mas estamos em terras da CABMMA.

Marquardt mostrou que estudou o adversário quando não pestanejou para chegar ao clinch, derrubar e cair por cima da guarda de Belfort. O americano trabalhava algum ground and pound quando o árbitro Osiris Maia foi camarada com o brasileiro e mandou a luta voltar ao centro, de pé. A partir dali, quase nada aconteceu, garantindo o primeiro 10-9 para Marquardt.

O segundo round teve dois momentos distintos. Na primeira metade, Belfort emplacou uma explosão de socos e pressionou Marquardt contra a grade. Punhos voaram, duas joelhadas acertaram a guarda do americano, mas o carioca não conseguiu o nocaute – até mesmo porque muito do ataque parou no bloqueio de Marquardt. Pior do que isso, Vitor viu seu gás esvair. Assim, a segunda metade foi dominada por Marquardt, que levou menos perigo, mas foi mais constante, acertando bons socos que tiraram sangue do supercílio do rival. Pelo maior tempo de domínio, Marquardt ampliou sua vantagem.

O panorama seguiu parecido na abertura da última parcial. Por um lado, Belfort parecia cansado. Por outro, dava a impressão de estar guardando as últimas energias para decidir a parada. Como Marquardt também estava cansado, o ex-campeão dos meios-pesados foi capaz de arriscar algumas combinações, lançar dois ou três chutes altos e garantir o 10-9. Na contagem oficial, os três juízes foram na direção contrária do MMA Brasil ao concederem um triplo 29-28 para o brasileiro.

Paulo Borrachinha nocauteia Oluwale Bamgbose depois de pancadaria frenética

Tudo conforme previsto no duelo entre Paulo Borrachinha e Oluwale Bamgbose. Agressividade em alta, defesa em baixa, gás curto, público alucinado. Melhor para o brasileiro, que manteve a invencibilidade.

Foi Bamgbose quem começou apertando o ritmo, lançando golpes duros contra o brasileiro. Obviamente isso acendeu o espírito psicopata de Borrachinha e o confronto tomou contornos anárquicos. Paulo tomou a dianteira quando imprimiu verdadeiro massacre contra a linha de cintura do nigeriano. Com tanta volúpía, era esperado que ambos caíssem de rendimento, o que favoreceu o jogo de quedas de Bamgbose no fim da parcial. Ainda assim, 10-9 claro para Borrachinha.

Quando voltaram para a segunda etapa, ambos estavam devendo na praça do condicionamento físico, mas o africano estava visivelmente pior. Num lance que beirou o ridículo, Bamgbose, provavelmente com problemas para enviar oxigênio para o cérebro, tentou um chute parecido com nada. O golpe se chocou nas costas de Borrachinha e Oluwale foi ao chão. Como estava morto, sequer teve condições de plantar guarda debaixo da chuva de socos que caiu sobre sua cabeça. O árbitro “Big” John McCarthy interrompeu corretamente na marca de 1:06.

Yancy Medeiros nocauteia Erick Silva em mais uma barbeiragem de Eduardo Herdy

O patrono da categoria Árbitro do Ano no Baranga Awards aprontou mais uma. O árbitro central Eduardo Herdy interrompeu o combate que vinha sendo o melhor do UFC 212 até então, garantindo uma vitória por nocaute de Yancy Medeiros sobre Erick Silva.

O duelo começou em alta intensidade sem que fosse preciso baixar o nível técnico. Medeiros iniciou pressionando Silva e conseguiu um duro knockdown. No entanto, Erick se recuperou e paulatinamente cresceu de produção, trabalhando forte contra o corpo do havaiano. Mesmo com a queda, o brasileiro venceu o primeiro round.

Erick pareceu ter mapeado bem a movimentação de Medeiros. Com um bom sistema defensivo, o capixaba ora atuava como contragolpeador, ora como agressor no segundo assalto. Quando a luta parecia à sua feição, Medeiros encontrou seu queixo com um gancho. Erick foi a knockdown novamente, mas estava se defendendo quando Eduardo Herdy se precipitou e interrompeu a luta na marca de 2:01 do segundo round. A interrupção foi tão ruim que o próprio Medeiros criticou na entrevista pós-luta.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.