Manny Pacquiao diz que vai assistir à gravação da luta, mas aceita o resultado: “Ele venceu” (atualizado)

A revisão do filipino Manny Pacquiao enterra de vez as discussões de roubo na luta do século. A grande maioria da imprensa especializada concordou com os resultados oficiais, inclusive com o mais largo deles.

Na noite do último sábado, Floyd Mayweather venceu Manny Pacquiao na luta mais lucrativa da história dos esportes de combate. Diante de mais de 16 mil pessoas que lotaram a MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, o invicto americano alcançou a 48ª vitória na carreira por decisão unânime.

Foi só o resultado ser anunciado de modo oficial para iniciar um mar de reclamações pelas redes sociais. Não adiantou as estatísticas mostrarem que Mayweather acertou mais e foi acertado menos – a essência do boxe – para mudar o pensamento de quem dizia que a vitória do americano foi “o maior roubo da história”.

No calor do momento, ainda dentro do ringue, Pacquiao disse que merecia ter vencido, justificando que Mayweather “não fez nada”. Mais calmo, depois de esfriar a cabeça e assistir à gravação da luta, o filipino mudou de ideia, de acordo com o reportado pelo site do jornal Philippine Daily Inquirer. Pac-Man falou de uma lesão no ombro direito que o incomodou a partir do terceiro assalto, mas fez questão de reconhecer a vitória do oponente.

“Estou muito feliz com o resultado. Eu fiz uma boa luta. Não pude usar muito minha mão direita, mas ainda assim foi bom. Ele (Mayweather) é rápido, é um bom boxeador. Deem a ele os créditos. Ele venceu a luta.”

Atualização: talvez possa ter acontecido uma falha de compreensão da matéria do Inquirer (do link acima). Na coletiva após a luta, Pacquiao diz “Eu tenho que revisar o DVD agora quando eu voltar para o meu quarto para ver o que aconteceu” (veja no vídeo abaixo a partir de 1:40).

De qualquer forma, a concordância com os placares anotados pelos juízes oficiais Burt Clements, Glenn Feldman e Dave Moretti, incluindo o largo 118-110 anotado pelo último, teve eco em quase toda a imprensa especializada ao redor do mundo. Abaixo, um levantamento dos marcadores apontados por alguns dos principais analistas, alguns com mais de 30 anos acompanhando a nobre arte. A única exceção do garimpo ficou por conta de um jornalista brasileiro.

Steve Farhood (Showtime): 118-110 Mayweather

Chris Williams (Boxing News): 118-110 Mayweather

Harold Lederman (HBO): 117-111 Mayweather

Michael Rosenthal (Ring Magazine): 116-112 Mayweather

Doug Fischer (Ring Magazine): 116-112 Mayweather

Dan Rafael (ESPN.com): 116-112 Mayweather

Christian Esguerra (Philippine Daily Inquirer): 116-112 Mayweather, podendo ser 117-111

Tim Dahlberg (Associated Press): 115-113 Mayweather

Kevin Iole (Yahoo Sports): 115-113 Mayweather

Gareth A. Davies (The Telegraph): 115-113 Mayweather

Chris Mannix (Sports Illustrated): 115-113 Mayweather

Daniel Fucs (Combate/SporTV): 115-113 Mayweather

Connor Ruebusch (Bad Left Hook/BloodyElbow): 115-113 Pacquiao, mudou na revisão para 116-112 Mayweather

Wilson Baldini Jr (UOL): 115-113 Pacquiao

É importante ressaltar duas curiosidades. Uma é que a HBO é a dona do contrato de televisão de Manny Pacquiao – Lederman apontou um placar ainda mais elástico que o dado na resenha pós-luta pelo MMA Brasil (116-112). A outra ficou com o jornal Philippine Daily Inquirer, que ostenta em seu site uma faixa saudando seu compatriota que diz: “Você ainda é o nosso campeão”. O Inquirer marcou 116-112, mas com uma ressalva que o 9º assalto poderia ser anotado em favor do americano.

Ainda que apenas por uma noite, foi ótimo ver o boxe voltar a ter repercussão no Brasil. Provavelmente a esmagadora maioria não vai assistir no próximo sábado ao astro mexicano Canelo Álvarez enfrentar o americano James Kirkland, mas uma sementinha foi plantada. Talvez acompanhando mais de perto este esporte tão fascinante, deixando de lado comparações sem sentido com o também apaixonante MMA, mais pessoas possam se aprofundar cada vez mais sobre a nobre arte, compreender melhor seus critérios e conhecer suas estrelas cativantes e histórias sensacionais.