Luta entre Zabit Magomedsharipov e Jeremy Stephens é planejada para o UFC 235

Por Gustavo Lima | 16/12/2018 16:42

No último sábado (15), diversas fontes da imprensa global do MMA reportaram que o UFC está próximo de oficializar um duelo entre Jeremy Stephens e Zabit Magomedsharipov para o UFC 235, em Las Vegas, no dia 3 de fevereiro do ano que vem.

A primeira inferência feita analisando este casamento é o salto gigantesco no nível de competição em que veremos Zabit (16-1) atuar. Mike Santiago, Sheymon Moraes, Kyle Bochniak e Brandon Davis possuem bons valores, mas se encontram muito aquém da capacidade técnica do ex-campeão do ACB.

Todavia, se a barra demorou para subir, as quatro atuações absurdas de Magomedsharipov o tiraram de vez do cenário em que se encontrava previamente, no qual era desconhecido demais para que lutadores do alto escalão aceitassem lutar contra ele. Vale lembrar o episódio em que Yair Rodriguez chegou a ser demitido por se “esquivar” de uma luta contra Zabit.

O atual dono da 14° posição do ranking dos penas tem grande oportunidade de pegar a via rápida rumo à elite da divisão. Nessa altura do campeonato, no qual o nível técnico de Zabit já está se tornando amplamente conhecido, a conquista de um posto maior dentro da categoria depende somente de uma vitória contra um nome estabelecido. A oportunidade, muito aguardada, finalmente veio.

Stephens (28-15) vem de derrota por nocaute contra o ex-campeão dos penas José Aldo, num duelo em que esteve muito perto de assegurar a vitória mais importante de sua carreira. Embora o retrospecto nas últimas dez lutas seja bastante inconstante, somando cinco vitórias e cinco derrotas, o estadunidense se encontra discutivelmente na melhor posição dentro do plantel do UFC em que já esteve.

Jeremy parece finalmente ter se consolidado no pelotão de frente do peso pena da organização, sendo um dos últimos “porteiros” antes da real elite até 66 quilos, tanto que suas últimas quatro derrotas foram para Aldo, Renato Moicano, Frankie Edgar e Max Holloway. O “Lil’ Heathen” também consolidou a fama de ter uma das mãos mais pesadas da categoria, fator que o coloca em evidência entre os atletas que se encontram um pouco abaixo da “nata” da classe de peso.

Embora Stephens tenha evoluído ao longo dos mais de dez anos no UFC, suas limitações técnicas são conhecidas. E mesmo que Zabit nunca tenha enfrentado ninguém no nível de Stephens até hoje, as atuações do russo em todas as áreas de luta, no seu retrospecto recente, apontam que ele está até mesmo um degrau acima do seu próximo adversário.

Se as mãos pesadas de americano podem apresentar perigo ao estilo mais cadenciado que Magomedsharipov adota em diversos momentos, a técnica de striking de Zabit nunca foi deficitária até o atual momento de sua carreira, beneficiado também pela sua altura (incríveis 1,85m, atípico para a categoria). No grappling, porém, a técnica, inventividade e audácia de Zabit aparentam desenhar um cenário ideal para que Stephens seja empacotado com facilidade caso tome decisões erradas ao longo dos 15 minutos de luta. Se a média de defesa de quedas de Jeremy é boa (total de 64% de quedas defendidas), o russo não deve ter grande dificuldade para derrubá-lo – em suas quatro lutas no UFC, soma 23 quedas.

A impetuosa postura de Jeremy em aceitar tal combate o coroaria com o mérito objetivo de bater aquele que já é um dos grandes atletas da divisão e que foi amplamente evitado por outros “tops”. Aceitando esse risco, uma vitória sobre Zabit o catapultaria novamente a uma luta contra um top 5, o que poderia demandar mais dois ou três combates caso escolhesse voltar contra um oponente mais modesto. Tendo em vista seu cartel recente e todos os lutadores supracitados que já enfrentou, em caso de vitória sobre o russo, poderíamos pensar em Brian Ortega no final de 2019. Caso perca, Jeremy não descerá muitos degraus nem ficará em maus lençois, considerando para quem foram os reveses.

Magomedsharipov se colocaria em posição muito parecida, mesmo que Stephens ainda seja o primeiro grande nome enfrentado no UFC. Em caso de vitória, a chance de que o mesmo tome a sexta posição ocupada por Stephens no ranking é grande, abrindo caminho até mesmo para uma possível eliminatória logo em seguida. Tendo em vista que Holloway já bateu Aldo duas vezes e acabou de demolir Ortega, sobrariam confrontos bem possíveis com Edgar, com Aldo/Moicano ou Chad Mendes, dependendo dos resultados das próximas lutas destes três – Aldo e Moicano se enfrentam no UFC Fortaleza, enquanto Mendes pega Alexander Volkanovski no UFC 232.