Por Alexandre Matos | 16/01/2014 02:13

O chute alto de Vitor Belfort incomodou Luke Rockhold desde o último mês de maio. Nesta quarta-feira, o americano espantou seus fantasmas usando o mesmo membro. Na luta principal do UFC Fight Night 34, Rockhold aplicou dois violentos chutes no fígado de Constantinos Philippou que teriam deixado Bas Rutten orgulhoso. O evento atraiu 5.822 fãs à arena do Gwinnett Center, em Duluth, nos arredores de Atlanta. O público produziu renda de US$231.951.

O ex-campeão dos médios do Strikeforce precisou de um segundo a mais que meio round para dar cabo do antigo dono do cinturão do Ring Of Combat. Focado em resolver a parada, Rockhold foi senhor das ações desde o começo usando sua maior envergadura para manter o fluido jogo de pernas do ex-boxeador cipriota longe de perigo. Quando conseguiu enquadrar Philippou, Rockhold lançou o primeiro chute no fígado, seguido de um curto gancho de direita que deixou o rival com as costas na grade. Dali saiu a derradeira canelada no tronco, com a perna esquerda. Philippou caiu nocauteado e ainda recebeu um terceiro chute, o famoso “confere”, para garantir que tudo estava acabado.

Após o combate, na entrevista dentro do octógono, Luke mostrou que não esqueceu o que aconteceu em Jaraguá do Sul e mandou uma indireta ao polêmico TRT do atual desafiante de Chris Weidman. De quebra, engrossou a lista dos pesos médios que desafiaram Michael Bisping:

“Não estou aqui para ser bom, estou aqui para ser ótimo. Quero minha revanche com Vitor, e gostaria que fosse aqui nos Estados Unidos. Vou passar por todo mundo que eu precisar para chegar lá, especialmente Michael Bisping. Isto seria legal.”

Rockhold foi bonificado com o melhor nocaute da noite. Ele adicionou US$50 mil à sua bolsa pelo bônus de performance.

Brad Tavares mostra alguma variação, não empolga mais uma vez, mas vence a sétima em oito lutas

A sina de fazer lutas monótonas não larga o havaiano Brad Tavares. Mas ele parece não se incomodar com isso depois de anotar a sétima vitória em oito lutas no UFC, a quinta consecutiva. A vítima da vez foi Lorenz Larkin.

Contra um trocador mais habilidoso, Tavares teria que mostrar mais versatilidade e combinar o jogo de jabs-chutes baixos com quedas. E foi exatamente o que ele fez. Em boa parte da luta foram poucos os ataques de Larkin que ficaram sem resposta. Tavares variou socos na cabeça e no corpo, além de carimbar a perna de apoio do oponente.

No segundo round foi a vez de as quedas entrarem em ação. Tavares conseguiu manter o adversário de costas para o chão em boa parte do tempo, conseguiu uma passagem de guarda, trabalhou no ground and pound. Nos segundos finais da parcial, Larkin ainda conseguiu raspar, mas quase acabou numa chave de braço e viu a vantagem do rival aumentar para 20-18.

Como somente uma interrupção salvaria a noite de Larkin, ele tentou apertar o ritmo no último round. Todas as tentativas de queda de Tavares foram anuladas e uma delas quase rendeu uma guilhotina a Larkin. A posição não foi bem encaixada, mas ele acabou cotovelando o oponente contra a grade. Numa das defesas de double-leg, Larkin viu-se na mesma posição de grade que Travis Browne usou para desferir as cotoveladas em Josh Barnett e Gabriel Napão. Ele aplicou várias em Tavares, que suportou a pressão, perdeu o round, mas venceu a luta por 29-28, na contagem do MMA Brasil e dos tres juízes oficiais.

Seguindo o Efeito Bang da Team Alpha Male, TJ Dillashaw vence Mike Easton com autoridade

Na melhor atuação de sua carreira, TJ Dillashaw exibiu um plano de luta praticamente sem falhas e dominou inteiramente o duelo contra o talentoso Mike Easton, conquistando a quinta vitória em seis apresentações e relegando o oponente à terceira derrota seguida.

O vice-campeão do TUF 14 voltou a mostrar sua competência na luta olímpica e um clinch sufocante, mas misturou esta abordagem com golpes provenientes do Efeito Bang, os treinos com o técnico Duane “Bang” Ludwig na Team Alpha Male. Dillashaw agora é um lutador que chuta. Não só isso, como chuta a perna, o corpo e a cabeça do oponente, chegando até a aplicar um golpe desta natureza em salto. Defensivamente, o jogo de pernas de TJ manteve Easton, fisicamente mais forte, longe, ficando fora de alcance dos potentes golpes do rival.

O duelo que era o mais forte candidato a melhor da noite foi um passeio unilateral. Dillashaw esteve sempre um passo à frente e só não chegou ao nocaute porque Easton, que recebeu um golpe no olho no primeiro round, suportou o castigo e se manteve avançando em boa parte do combate, mas sem nunca oferecer risco real ao adversário. No fim das contas, os três juízes oficiais concordaram no óbvio 30-27 que o MMA Brasil também marcou.

Na entrevista pós-luta, Dillashaw valorizou o trabalho do técnico e foi outro a lembrar da luta anterior:

“Foi ótimo conseguir a vitória e mostrar todas as habilidades no muay thai que meu técnico Duane Ludwig tem me ensinado. Eu gostaria de ter conseguido finalizar a luta, mas fui dominante do começo até o final, então nunca fiquei preocupado. Easton é um cara duro, ele absorveu muitos dos meus socos. Eu agora me considero numa sequência de seis vitórias porque fui roubado em minha última luta (contra Raphael Assunção, em Goiânia).”

Yoel Romero volta a mostrar comportamento amalucado e punhos de concreto no nocaute sobre Derek Brunson

O cubano Yoel Romero e o americano Derek Brunson protagonizaram o melhor combate da noite. Como se fossem dois pesos moscas, os lutadores da divisão dos médios trocaram golpes violentos num ritmo forte. Desde o começo, ficou claro que o negócio não acabaria bem para um deles. Melhor para os punhos de concreto do medalhista olímpico.

Como de costume, o conhecido repertório de provocações e guarda baixa de Romero deram as caras no octógono. Mais uma vez o comportamento chegou a deixá-lo em perigo. O antigo all-american da Divisão II da NCAA chegou a derrubar o ex-campeão mundial de luta olímpica em mais de uma oportunidade, conseguindo até o improvável feito de completar o controle e deixar Romero de costas para o chão por um bom tempo. Some-se a bons (e pesados) golpes lançados pelo americano, inclusive um chutaço na cabeça que teria nocauteado muita gente, e Brunson chegou perto da vitória abrindo 20-18 nos dois primeiros rounds.

Acontece que, em meio à pressão do rival, Romero não deixou de lançar seus petardos e mostrou ótimo poder de assimilação de golpes. Quando suas pancadas começam a entrar em sequência, é sinal que vai dar problema. No terceiro round, sabendo que perdia a luta, o cubano atingiu o rosto de Brunson com muita violência uma vez após outra. Abatido, quase nocauteado, Derek caiu e a situação ficou definitivamente crítica quando Romero despejou uma série enorme de cotoveladas brutais diante da passividade do árbitro Blake Grice. A interrupção chegou aos 3:23 da terceira parcial.

Com inteira justiça, o duelo foi premiado com o bônus de melhor luta da noite e cada atleta levou para casa um adicional de US$50 mil. O castigo rendeu a Brunson um maxilar fraturado. O americano será submetido a uma cirurgia, de acordo com Dana White, que esteve no hospital com o atleta.

John Moraga supera Dustin Ortiz na única luta controversa da noite

Em duelo bem disputado, o confronto de estilos entre a potência na troca de golpes de John Moraga e a intensidade física da luta agarrada de Dustin Ortiz rendeu controvérsia no momento da leitura das papeletas dos juízes laterais.

Ortiz dominou o primeiro round mantendo Moraga preso no clinch na grade e dali conduzindo o duelo para o chão. O ex-desafiante tentou se manter ativo na guarda, mas Ortiz, fisicamente maior e mais forte, estabilizou a posição trabalhando golpes e movimentação de solo, levando claramente a primeira parcial.

No segundo round, Moraga foi capaz de ficar em pé e lançar suas conhecidas combinações. Ele balançou Ortiz e defendeu uma tentativa de queda aplicando joelhadas. Os lutadores chegaram a se embolar e ir para o chão, onde Ortiz caiu por cima, mas Moraga passou para as costas e chegou perto de um mata-leão.

Com a luta empatada, era fundamental para ambos impor o plano de luta no terceiro round. Moraga começou melhor neste aspecto, forçando Ortiz a trocar. Porém, na metade da parcial, Dustin conseguiu uma queda e pontuou no chão enquanto John encontrava dificuldade para sair dali. Moraga finalmente se levantou nos segundos finais, mas voltou a ser capturado pelo clinch do oponente. Parecia que havia sido suficiente para Ortiz levar o round e a luta, mas não foi isso que os juízes viram, pelo menos dois deles. Glenn Trowbridge concordou com a marcação do MMA Brasil e anotou 29-28 a favor de Ortiz, mas Richard Bertrand e Nate Mann deram o terceiro round e a luta para Moraga, que acabou vencedor por decisão dividida.

Agressividade de Cole Miller o conduz ao mata-leão sobre Sam Sicilia

Com bom uso da vantagem na envergadura, Cole Miller manteve longe o perigo da pegada de Sam Sicilia e conseguiu o espaço necessário para imprimir seu estilo agressivo e aplicar mais uma finalização em seu histórico.

O primeiro round foi menos movimentado que o de costume das lutas de ambos, muito pelo respeito que Miller tinha pelo poder de nocaute do oponente. Como era muito maior, o “Magrinho” se postou na periferia do octógono e usou seus jabs e chutes baixos frontais para manter Sicilia distante. Ele aproveitou ainda a conhecida falta de precisão nos golpes do rival, que voltou a acertar o vento em muitas oportunidades e encontrou muitas dificuldades para cortar a distância.

Com o adversário controlado, Miller finalmente pôde imprimir sua conhecida agressividade no segundo round. Os golpes passaram a entrar com mais volume. Com pouco mais de um minuto, o lutador da American Top Team acertou um violento direto de direita que se seguiu de um cruzado igualmente potente. Sicilia caiu e viu-se em situação crítica quando Cole resolveu pegar as costas ao invés de trabalhar o ground and pound. O faixa preta de Marcos Parrumpinha chegou ao mata-leão e finalizou o combate na marca de 1:54.

Respondendo às perguntas do repórter Jon Anik no octógono, Miller disse que está corrigindo sua irregularidade e ainda revelou o que disse a Dana White logo após se levantar, ao se aproximar da grade perto de onde o presidente estava sentado:

“Eu sei que estive sendo um pouco inconsistente, mas isto tem sido um pequeno avanço para mim no último ano. Eu prometo ser mais consistente no meu futuro. Eu disse a Dana: ‘Eu sou um peso pena top 10. Estou tentando ir atrás de um desses desafiantes. Há um cara em particular. Acho que todo mundo sabe quem é. É você, Donald “Clownboy” (brincando com o apelido do rival e o chamando de palhaço) Cerrone. Você tem falado sobre baixar para 66 quilos? Então baixe.”

Foto de destaque: Joshua S. Kelly/USA TODAY Sports