Por Alexandre Matos | 12/08/2015 23:31

Nada de Floyd Mayweather vs. Manny Pacquiao. O boxe voltou a ser assunto no Brasil nesta terça-feira, mas para falar da maior rivalidade que o esporte já viu no país. Pela sétima vez, o pernambucano Luciano “Todo Duro” Torres e o baiano Reginaldo “Holyfield” Andrade voltaram a dividir um ringue com a mesma dose de provocações que marcou os seis confrontos no século passado.

A rivalidade entre os lendários pugilistas atraiu cerca de 5 mil torcedores, que encheram o Clube Português, no Recife. A curiosidade era grande para saber como se portariam Reginaldo, 49 anos, e Luciano, 50. O baiano ainda tinha em seu histórico um caso de queimadura, quando tentou salvar membros de sua família num incêndio há quase quatro anos. Reginaldo teve 40% do corpo queimado, mas retornou para concorrer a um cargo na câmara municipal de Salvador, no ano seguinte.

O combate deixou claro, além do nefasto efeito do tempo em ambos, a diferença de estratégia: enquanto Holyfield procurava ocupar o centro do ringue e cada soco parecia ter a intenção de arrancar a cabeça do adversário, Todo Duro se deslocava com maior desenvoltura, acertando o baiano em mais oportunidades.

Por motivos óbvios, os lutadores mostraram dificuldade de lançar pelo menos três golpes em sequência. O duelo foi repleto de clinches, também para surpresa de ninguém. Num deles, Luciano entrou com a cabeça no peito de Reginaldo, dando a impressão que o derrubaria no double-leg.

O terceiro round foi movimentado, com Todo Duro balançando o rival em três oportunidades e sofrido uma retaliação que quase o mandou a knockdown (talvez atrapalhado pela lona enrugada, mal colocada no ringue). No quarto, o baiano chegou a cair depois de se desequilibrar ao socar o vento. O ritmo caiu vertiginosamente, com direito a lutador cuspindo o protetor para ganhar tempo para respirar.

No round seguinte, o protetor de Holyfield caiu perto do córner de Todo Duro. Quando o árbitro foi abaixar para pegá-lo, algum dos segundos do pernambucano arremessou o protetor para o meio do ringue. Como o objeto era branco e caiu sobre o logo branco do patrocinador, o árbitro teve dificuldade de encontrá-lo, marcando mais um momento hilário do combate.

Outro dado curioso foi que nenhum intervalo respeitou o limite de um minuto – o mais rápido durou 20 segundos a mais. Pelo lado triste, ninguém da Federação Pernambucana de Boxe estava sancionando o combate e não havia oficiais no local de disputa. Quando o árbitro central indicou algumas penalidades, fez sinal para dois juízes laterais, dando a impressão que não havia um terceiro. No fim, não se sabe o placar do combate, apenas que Todo Duro venceu, para delírio dos conterrâneos.

Por último, mas não menos importante, o ringue não suportou as dezenas de pessoas que se aglomeraram em sua superfície após o combate e desabou assim que Todo Duro foi anunciado o vencedor. Por sorte ninguém se machucou.

Em dezembro, o oitavo combate entre ambos deve acontecer, mas desta vez em Salvador, na casa de Holyfield. Até lá, provavelmente eles arrumarão mais confusão em programas de televisão, com Reginaldo reclamando que Luciano lhe acertou UMA tapa (\o/).