Lista: Sage Northcutt e outros dez lutadores sub-20 na história do UFC

Contratar jovens com 20 anos ou menos não é comum no UFC, mas Sage Northcutt não é o único caso, tampouco o mais jovem. Conheça outros 10 lutadores que chegaram ao UFC ainda com idade de júnior.

O meio-médio Sage Northcutt é a mais nova aquisição do UFC, contratado na última sexta-feira após chegar a 5-0 como profissional no Legacy FC 44. O que torna o anúncio da contratação do americano diferente é a idade com que ele chega ao principal palco do MMA mundial: 19 anos.

Carateca desde os 5 anos, faixa preta ainda antes dos 10, treinando jiu-jítsu desde os 11, capa de diversas revistas de luta e de fitness, ex-namorado da atriz e cantora Bella Thorne, Northcutt já é uma estrela pop em construção nos Estados Unidos. Nos cages, o garoto tem um estilo altamente agressivo e plástico, tanto em pé quanto no chão, com muitos chutes, movimentação lateral, contragolpes mortais e botes para finalizações.

Ainda é cedo para prever onde Northcutt vai chegar, mas já dá para imaginar que a máquina promocional do UFC vai investir pesado no texano talentoso, bonito e carismático, que já atrai desde hoje o interesse de adolescentes que não formam a base convencional de fãs do MMA. Sage tem estreia prevista para o UFC 192, que será disputado em Houston, cidade vizinha a Katy, onde ele mora e treina na Gracie Barra local.

Sage Northcutt com Bella Thorne: acostumado aos holofotes desde criança

Sage Northcutt com Bella Thorne: acostumado aos holofotes desde criança

Northcutt não é o único sub-20 a lutar no UFC. A prática já existe desde o século passado, ainda antes da criação das Regras Unificadas de Conduta do MMA. Em 1997, também aos 19 anos, Vitor Belfort estreou no UFC 12 lutando como peso pesado. Com dois nocautes fulminantes na mesma noite, mostrando um boxe letal, o carioca ganhou o apelido de Fenômeno, que o acompanha até hoje, além do torneio da categoria. Belfort é o mais bem-sucedido dessa turma mais jovem, conquistando o cinturão dos meios-pesados em 2004 e disputado o dos médios em 2011, quando perdeu para Anderson Silva, e em 2015, caindo diante de Chris Weidman.

Ainda na faixa de 19 anos, mas mais recentemente, dois outros atletas promissores chegaram ao octógono. O australiano Jake Matthews se beneficiou de o TUF Nations ter sido disputado fora dos Estados Unidos – o país-sede do UFC não permite consumo de bebidas alcoólicas, comum no TUF, para menores de 21, o que aumenta a idade mínima no reality show em território americano. Eliminado na estreia para o eventual finalista Olivier Aubin-Mercier, Matthews conquistou duas finalizações dominantes já pelo UFC antes de cair do mesmo modo contra James Vick. Ainda assim, o “Garoto Celta” foi apontado pelo MMA Brasil como um dos principais prospectos do UFC.

A americana Paige VanZant não teve a mesma sorte de Matthews no Ultimate Fighter, já que o TUF 20, que inaugurou o cinturão peso palha feminino no UFC, foi disputado nos Estados Unidos. Vetada da competição por causa da idade, VanZant foi contratada com 19 anos, estreou aos 20 e já venceu duas vezes no octógono – a terceira pode acontecer no próximo sábado, no UFC 191. Ex-modelo, Paige nem se queixa da falta da visibilidade oferecida pelo TUF, já que ela é uma das lutadoras mais promovidas da organização, com direito até a contrato exclusivo com a Reebok. VanZant ainda tem outro trunfo: como está numa categoria rasa, ela pode ser a pessoa com menos idade a disputar um cinturão na história do UFC.

Belfort não é o único brasileiro a ter sido contratado pelo UFC aos 19 anos. A peso galo Larissa Pacheco também assinou acordo com esta idade, logo após defender pela primeira vez o cinturão da categoria no Jungle Fight. Diferentemente do “Fenômeno”, Larissa estreou com 20 anos, seis dias após seu aniversário, no UFC Brasília, em setembro de 2014. Como perdeu as duas lutas que disputou sem oferecer resistência, Larissa corre o risco de ser dispensada para amadurecer mais no circuito regional antes de retornar ao UFC.

Na idade em que Larissa estreou, a lista é maior. Hoje campeão dos meios-médios, Robbie Lawler chegou ao UFC com 20 anos, sob forte expectativa de sucesso. Porém, o temperamento do americano o traiu e Lawler passou anos numa gangorra de resultados, variando entre meio-médio e médio. Já na categoria atual, depois da paternidade, o “Implacável” botou a cabeça no lugar e quase arrancou outras. Com nocautes monstruosos, ele venceu sete das oito lutas que disputou desde o retorno ao UFC, em 2013, finalmente conquistou o cinturão e se tornou um dos mais intimidadores campeões do cenário atual.

Nick Diaz nocauteou Robbie Lawler na primeira passagem de ambos pelo UFC

Nick Diaz nocauteou Robbie Lawler na primeira passagem de ambos pelo UFC

Rival de Lawler no UFC, EliteXC e Strikeforce, Nick Diaz também chegou na organização com 20 anos. Na primeira passagem pelo octógono, o encrenqueiro meio-médio se tornou o primeiro – e até hoje único – a nocautear Lawler. Campeão no WEC e no Strikeforce, Diaz retornou ao UFC e disputou duas vezes o cinturão, caindo diante de Carlos Condit, pelo interino, e para Georges St. Pierre, pelo definitivo. Nick foi pego em janeiro pela terceira vez num antidoping por consumo de maconha. Seu julgamento está marcado para setembro e pode afastá-lo por longo tempo do MMA, o que, em seu caso, pode representar aposentadoria do esporte.

Nos últimos anos, outros três jovens promissores de 20 anos estrearam no UFC. Michael McDonald foi o primeiro, contratado aos 19 pela fusão do WEC com o UFC. “MayDay” estreou aos 20 e disputou o cinturão interino aos 22, perdendo para Renan Barão. Aos 24 anos, McDonald não luta desde dezembro de 2013, quando foi finalizado por Urijah Faber.

Depois de Michael foi a vez de Max Holloway. O havaiano chegou de última hora e deixou uma impressão ruim contra Dustin Poirier. Porém, o garoto amadureceu e ostenta uma série de sete vitórias na divisão dos penas, empatado com o campeão José Aldo na liderança. Aos 23 anos, está na boca para disputar o cinturão, provavelmente vindo logo após a decisão entre Frankie Edgar e Chad Mendes.

O último dos garotos de 20 anos é Sergio Pettis. O peso mosca, irmão do ex-campeão dos leves Anthony Pettis, tem retrospecto irregular no octógono (3-2), mas já mostrou talento para, um pouco mais maturado, pensar numa disputa de cinturão dentro de uma categoria ainda rasa. O pequeno Pettis deve retornar em outubro, contra Chris Cariaso, no UFC 192.

Cole Miller conforta Dan Lauzon

Cole Miller conforta Dan Lauzon

De todos os citados nesta matéria, o mais jovem de todos é Dan Lauzon. Irmão de Joe Lauzon, recordista de bônus de desempenho na história do UFC, Dan é o mais jovem a ter pisado no octógono para lutar profissionalmente, com 18 anos, sete meses e 14 dias, em 2006.

Depois de perder na estreia, Dan foi dispensado para ganhar rodagem e retornou quatro anos depois, no UFC 108. Derrotado por Cole Miller (foto ao lado) e Efrain Escudero, o caçula dos Lauzon foi demitido mais uma vez e não retornou. Há 15 dias, Dan sofreu um nocaute brutal no CES MMA 30. Com 17-6 e duas derrotas seguidas por nocaute, está cada vez mais complicado revê-lo na maior organização do MMA mundial.

Dentre os jovens talentos que ainda estão no UFC, quem deve chegar mais longe? Deixe suas impressões na caixa de comentários abaixo.

  • Gabriel Carvalho II

    Lista maneira.

    O bom do Sage é que ele é novinho e tem um longo caminho pela frente, então não existe necessidade de jogar ele aos leões agora.

    • O UFC não vai ter o menor interesse em queimar o moleque cedo. Ele tem 4 anos a menos que o Holloway (que ainda é muito novo), isso é uma eternidade no MMA, é tempo pra evoluir muito.

  • Pedro Lins

    Tenho certeza que assim como o Sage, vamos ver cada vez mais jovens talentosos que já treinam mais de uma arte marcial desde cedo e vão migrar para o MMA jovens. Além disso teremos também uma geração de lutadores como o Rory que vão iniciar a vida nas artes marciais diretamente no MMA.

    • Mas o Northcutt é fora da curva. Moleque era faixa preta de caratê com 9 anos e já tinha títulos mundiais com 11.

      • Pedro Lins

        nossa, já tinha visto ele lutar, mas não sabia desse histórico. Fenômeno mesmo, só que esse é de verdade! hahaha . O mais sinistro é que o moleque já vem com uma bagagem de competição absurda também.

        • Anderson Cachapuz

          Oq vc quer dizer? Que o Pastor é de mentira??
          Que deus perdoe essas pessoas ruins! (Imperador, Adriano)

          /semeador da discórdia off

          • Pior que o apelido do Vitor foi justo. Talvez seja a parada da faixa-preta que o Carlson deu pra ele no avião.

            • Pedro Lins

              tava falando de um outro fenômeno, mais recente, um capixaba… hehehe

  • Yuri

    achei q o Matthew Riddle era mais novo pela car dele, mas fui olhar ele tinha 22 anos quando começou…

    • Isso. Todo mundo que começou no TUF americano (ele, Amir Sadollah, Matt Mitrione) chegou com pelo menos 21 anos, que é o limite mínimo do programa lá.

  • Arthur Malaspina

    Imagino que com essa nova “era” dos atletas formados já no MMA, sem categoria de origem, aumente o número de atletas bem novos vindo pro UFC.

    Excelente texto, como de costume, Alexandre :)

    • Sim, acho que vai aparecer mais sub-20 no UFC depois de uns dois ou três anos lutando profissionalmente nos circuitos regionais.

  • Maxsupremo

    Esse Sage Northcutt é tudo que o UFC quer, Bonitinho,famoso, estilo plástico de luta. Se vocês ficam enjoados com o protecionismo e a mídia em cima do McGregor estejam preparados para o Justin Bieber do MMA.

    • O UFC precisou “fazer” o Conor. Ele já era meio conhecido na Irlanda por causa de um documentário da MTV lá, mas nem se compara com o Sage, que já foi feito antes do UFC. Ele já vai trazer uma nova leva de fãs pro UFC. Vai ser uma relação de troca (de fãs) entre ele e a organização. Se esse moleque chegar e vencer 3 seguidas, sai da frente que o trem do hype vai passar acelerado.

      • João Gabriel Gelli

        Devem dar umas barangas arrumadas pra ele nas primeiras lutas…

      • Maxsupremo

        @apmatos:disqus@joaogabrielgelli:disqus tinha pensado nisso também, me lembro de ter visto algo sobre esse moleque na tv aberta brasileira, acho que na Band onde passava uns videos da internet lá pra 2007/2008. Vão alimentá-lo com caras do naipe de Jake Lindsey ou algumas lutas de estilos bem casadas pra ele pra fazerem hype.

    • Aliás, daqui a pouco aparece o Sage pegando a Paige.

      • Maxsupremo

        Eu pensei nisso, Cody Garbant que se cuide.

    • Fulano de Tal

      O foda vai ser ele lidar com preconceito de gente feia, fracassada e invejosa; que irá inventar que ele é protegido pelo Dana e que só arranjam luta fácil para ele.

      • Maxsupremo

        Triste mesmo ;'(

  • Lero

    Quando é que o Pico estreia no bellator?

  • Ricardo Aguiar

    Belo texto Alexandre… Eu sou da época do antigo “vale tudo”, acompanhei alguns prospectos dos MMA, em especial do UFC e PRIDE, mas nunca vi garotos tão mortais como o Vitor Belfort estreando no UFC, quando dominou a categoria absoluta até a chegada de um tal de Randy Cuture.

    Em contrapartida na época do Pride quem não se lembra do começo do Shogun no MMA? será que era mortal?

    Mas os tempos são outros, a molecada vem direto, pula estágios e está cada vez mais preparada para o que o MMA evolui, mas temos que lembrar que não são atletas prontos, precisam evoluir. Mesmo o Sage que é apontado como um grande pospecto, ele só tem 05 lutas de MMA na carreira, tem muita bagagem sim, mas não tem a experiência necessária para despontar ainda na categoria.

    Quantos ícones de outros esportes já passaram pelo MMA sem sucesso? vários deles, em miudos, a bagagem que o lutador trais da sua luta de origem ajuda muito na preparação, mas não é só isso, ele precisa de um camp bom, uma boa retaguarda e principalmente a cabeça no lugar.

    Sabemos que esta geração vem direto do mma, mas para mim a maior diferença é que os prospectos que eu acompanhei lá na década de 90 lutavam para se provar e com muito mais amor ao esporte, o que difere da maioria dessa molecada que vem atrais das cifras, uma vez que, o mma é o esporte que mais cresce no planeta.

    Mas com tudo é ótimo ver essa renovação, esse sangue novo, só acho que poderiam procurar mais prospectos paras as categorias mais pesadas, que esta sim precisa urgente de uma renovação, ou quantas vezes mais vamos ver Werdun x Velasquez ou Velasquez X Cigano… não tem mais rotatividade.

    Mas sem dúvida os prospectos mais mortais que passaram pelo UFC são.

    Vitor Belfort e Robie Lawler.

    • Sage tem 5 lutas quando estrear no UFC, mas o Belfort tinha uma. GSP estreou com 5-0. Weidman estreou com 4-0 e eu disse na época que ele disputaria o cinturão dali a dois anos. Jon Jones chegou com 6-0.

      Enfim, não estou dizendo que o Sage vai fazer o que esses caras fizeram, mas seu argumento não me parece muito sólido. E o garoto só tem 19 anos. Quatro anos de evolução no MMA atual é uma eternidade e ele terá 23 quando chegar nesse ponto.

      Sobre prospectos nas categorias mais pesadas, é o que eu mais queria. Acontece que a maioria dos caras grandes e com mais de 100kg vai tentar jogar basquete ou futebol americano. Sem contar que encontramos muito mais facilmente em qualquer lugar do mundo caras entre 1,70m e 1,83m do que maiores de 1,92m. É bem mais difícil renovar peso pesado do que peso leve.