Lista: As maiores decepções da história do UFC

Por Gabriel Carvalho | 21/02/2018 15:56

UFC é o maior evento de MMA do mundo e representa o mais alto nível que podemos ver no esporte nos dias de hoje. Com tanta gente boa dentro da organização, é notável que os fãs queiram também assistir outros eventos para caçarem outros lutadores de elite e que poderiam se juntar ao octógono, o que acontece bastante posteriormente.

Porém, não é sempre que todo lutador de alto nível consegue render no UFC. Seja por pressão de resultados, diferença de nível de competição ou exposição muito maior que a normal, alguns ótimos lutadores simplesmente não conseguiram corresponder as altas expectativas colocadas quando foram contratados. Com isso, a lista do MMA Brasil de hoje irá mostrar 10 nomes que decepcionaram no UFC.

Will Brooks

Will Brooks sente as costelas depois de ser nocauteado por Alex Cowboy (Foto: Josh Hedges/ZUFFA LLC)

Desde a extinção do Strikeforce, em 2013, o Bellator se tornou a segunda força quando falamos de eventos de MMA, e a organização também se destacou pela postura forte em relação aos lutadores, aumentando o valor de mercado e impedindo que a maioria vá para o UFC na primeira proposta. Apesar de ter vencido Michael Chandler, uma das estrelas da organização, Will Brooks não era dos mais valorizados por lá e aceitou a proposta do UFC em junho de 2016.

Logo em seu combate de estreia, Brooks teve dificuldades contra Ross Pearson, atleta veterano, porém pior que alguns nomes que havia enfrentado no Bellator, como foi o caso do próprio Chandler. Ele se sobressaiu e faturou uma vitória por decisão unânime.

Em seguida, o lutador que tinha potencial para alcançar o top 10 da divisão mais movimentada do UFC acabou sofrendo derrotas para Alex CowboyCharles do Bronx Nik Lentz. Todas por interrupção, e com Brooks entrando como favorito nas casas de apostas em todas, o que motivou o UFC a terminar o seu contrato. Ele assinou com a PFL logo em seguida.

Tarec Saffiedine

Tarec Saffiedine é preso por Rafael dos Anjos no clinch (Foto: Suhaimi Abdullah/Getty Images)

O fim do Strikeforce trouxe muitos lutadores ótimos para o UFC. Ronda Rousey, Daniel Cormier, Tyron Woodley, Robbie Lawler, Miesha Tate, Luke Rockhold, Ronaldo Jacaré Yoel Romero são alguns dos exemplos. Outro que carregava bastante expectativa quando veio foi o belga Tarec Saffiedine.

Na última luta da história do Strikeforce, Saffiedine era zebra e conquistou o cinturão sobre o então campeão Nate Marquardt, mas as expectativas de ser um nome relevante entre os meio-médios do UFC não aconteceram. Primeiramente pelas seguidas lesões, que o afastaram do MMA por um ano, e ele retornou com uma vitória suada sobre o esforçado, porém, ruim Hyun Gyu Lim.

Após mais um período fora por conta de lesões, foi espancado por Rory MacDonald em uma luta que nem deu graça, conseguiu vencer o decrépito Jake Ellenberger, mas amargou três derrotas seguidas para Rick Story, Dong Hyun Kim (ok, podem contestar) e Rafael dos Anjos, ficando longe dos rankings e com seu futuro indefinido no UFC.

Ian McCall

Ian McCall e John Lineker no ventilador (Foto: Steve Marcus/Getty Images)

Que dó do Ian McCall, bicho. A história poderia ser bem diferente e talvez ele não aparecesse aqui. McCall só tinha perdido na carreira quando lutou de peso galo e vinha de três vitórias seguidas sobre Jussier Formiga, Dustin Ortiz Darrell Montague, e quando o UFC anunciou a criação do peso mosca, McCall era a primeira opção óbvia a ser contratada.

Sua estreia foi contra Demetrious Johnson, que era apenas um bom lutador na época. Após perder os dois primeiros rounds, McCall se recuperou de forma incrível no terceiro, derrubou o hoje campeão, conseguiu as costas e enfiou a porrada, chegou a olhar para o árbitro pra ver se ele interrompia a luta, mas não rolou. Com tanto domínio, Ian tinha vencido o terceiro round por 10-8, o que deixou a luta empatada, causando um assalto extra onde Johnson estaria na mão do palhaço. Porém, a comissão responsável erroneamente anotou vitória de Johnson, erro corrigido na coletiva de imprensa, e uma nova luta aconteceria.

McCall perdeu a revanche, perdeu depois para Joseph Benavidez, anotou vitórias sobre os medianos Iliarde Santos e Brad Pickett antes de perder de novo para John Lineker. Depois disso, o “Uncle Creepy” emendou uma sequência bizarra de cancelamentos de lutas, incluindo quatro lutas consecutivas canceladas no dia da pesagem. Pediu dispensa do UFC, assinou com o Rizin e perdeu para Manel Kape, que é muito menos lutador que ele.

Josh Grispi

Josh Grispi tomando porradão do GEORGE ROOP (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Com 22 anos, dez vitórias consecutivas, quatro pelo WEC e todas terminadas antes do primeiro soar da buzina. Quem achava que Josh Grispi não tinha futuro em 2010 provavelmente estava mentindo. O americano vivia um momento tão bom que foi escolhido como o primeiro desafiante de José Aldo, recém-coroado campeão do UFC.

Aldo acabou machucando e abandonou a luta. Grispi permaneceu no card e teve uma derrota surpreendente para Dustin Poirier. Perdeu em mais uma zebra para George Roop, depois foi finalizado facilmente por Rani Yahya e ainda amargou uma derrota contestável para Andy Ogle. Quatro lutas depois e o quase desafiante ainda não tinha vencido no UFC, o facão foi passado e ele perdeu o emprego.

Além de ter sido uma decepção no MMA, Grispi também protagonizou páginas policiais. Foi preso por espancar a mulher de forma brutal, contando com ataques de um cachorro treinado pelo próprio Josh para atacá-la. Dos nomes da lista, foi o que teve a maior descendente em sua vida pessoal também.

Hatsu Hioki

Hioki foi amassado por Darren Elkins (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

É fato que poucos japoneses tiveram sucesso no UFC, mas esperava-se muito mais de Hatsu Hioki quando ele assinou com o UFC, em 2011. Além do bom retrospecto, Hioki tinha vitórias sobre nomes como Mark Hominick, Marlon Sandro Jeff Curran.

O início de Hioki no UFC foi até bom, vencendo George Roop e Bart Palaszewski, mas o japonês acabou perdendo cinco das suas seis lutas seguintes. Foi derrotado pra bastante gente boa, mas pra quem chegou ao UFC com a promessa e o talento de se tornar um top 10, ser nocauteado por Dan Hooker nunca é um bom sinal. Foi demitido e hoje luta no Japão, com direito a duas derrotas seguidas por nocaute com menos de 90 segundos de luta.

Brandon Vera

Vera na garupa do Bozo contra Ben Rothwell (Foto: Ed Mullholand/Zuffa LLC)

O americano descendente de filipinos Brandon Vera chegou ao UFC em 2005 após ter conquistado o cinturão do WEC apenas na quarta luta. Tínhamos um peso pesado novo e atlético, e que meteu a marra que poderia ser campeão de duas categorias de peso diferente.

Até que Brandon começou bem no UFC, venceu quatro lutas seguidas nocauteando ou finalizando, inclusive dando cabo em Frank Mir com pouco mais de um minuto de luta, mas a situação de “The Truth” passou a piorar. Perdeu para Tim Sylvia Fabrício Werdum, resolveu baixar de peso e continuou indo mal. Chegou a perder três lutas seguidas que custaram seu emprego, mas após Thiago Silva adulterar a urina em um exame antidoping, foi chamado de volta e perdeu duas de três lutas, sendo demitido novamente.

Foi para o ONE Championship e conquistou o cinturão dos pesados, mas não sabemos se está ativo ou não, já que não luta desde 2016.

Miguel Torres

Miguel Torres carregado depois de ser espancado por Michael McDonald (Foto: Kevin C. Cox/Getty Images)

Nada de TJ Dillashaw ou Cody Garbrandt, quem era o sinistro mesmo até 61kg lá em 2009 tinha o nome de Miguel Angel Torres. Maior campeão da história do WEC, Torres tinha 37 vitórias em 38 lutas até ser desbancado por Brian Bowles Joseph Benavidez.

Com a abertura do peso galo no UFC, era esperado que Torres fizesse parte, no mínimo, do top 5 da organização, mas não foi isso que aconteceu. Torres só venceu os limitados Antonio Banuelos Charlie Pace, e perdeu para Demetrious Johnson e Michael McDonald em performances terríveis, sendo demitido do UFC depois do nocaute que levou do Mayday.

Continuou lutando em eventos menores após a saída do UFC, mas sem o mesmo brilho e a mesma postura daquele que já foi um dos 10 melhores lutadores do mundo.

Gilbert Melendez

Gilbert Melendez carrega um ovo de páscoa na perna. Culpa do Stephens (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

O Strikeforce realmente nos trouxe muita coisa boa, e esperávamos bastante de Gilbert Melendez. O seu domínio na antiga organização de Scott Coker foi tão grande que boa parte dos fãs e mídia ignoravam Frankie Edgar Ben Henderson, colocando Gil como o melhor peso leve do mundo. A categoria mais movimentada do MMA tinha o seu melhor lutador fora do UFC.

Assim que o Strikeforce foi incorporado ao UFC, Melendez foi direto para o cinturão. Enfrentou Henderson e perdeu por decisão dividida (não foi roubo, vale lembrar), protagonizou uma batalha épica com Diego Sanchez, onde tomou muito mais sufoco do que deveria, e nunca mais venceu. Bateu o pé pra ficar no UFC, lutou pelo título com Anthony Pettis e acabou finalizado, tomou virada de Eddie Alvarez, e viu Edson Barboza Jeremy Stephens lhe baterem sem grandes desafios.

Não sabemos os próximos passos de “El Niño”, mas aos 35 anos, fica complicado achar que ele dará alguma grande reviravolta em sua carreira.

Hector Lombard

Lombard até ressuscitou o Johny Hendricks (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Anderson Silva era o campeão absoluto do UFC em 2012 e parecia que ninguém poderia parar o então detentor do cinturão dos médios. Chris Weidman estava perto do título, mas não tinha a total confiança das pessoas na época. Hector Lombard era o campeão do Bellator e espancava todo mundo, foi contratado e com a esperança de desafiar o “Spider” no futuro.

A invencibilidade de Lombard já foi pro saco logo na sua primeira luta, quando perdeu para Tim Boestch, que estava iluminado na época e vencia todo mundo quando era considerado favorito. Hector venceu Rousimar Toquinho, mas perdeu em seguida para Yushin Okami e resolveu baixar para os meios-médios, foi pego no doping e hoje segue se arrastando no octógono, com quatro derrotas seguidas, com direito a processos de ressuscitação de Johny Hendricks Dan Henderson.

Mirko Cro Cop

Mirko Cro Cop bebeu do próprio veneno contra Napão, em 2007 (Foto: Gary M. Prior/Getty Images)

Por muito tempo, Mirko Cro Cop se juntou a Fedor Emelianenko Rodrigo Minotauro como a santíssima trindade do peso pesado. E quando o UFC anunciou a sua contratação, ao final de 2006, todos esperavam que Cro Cop seria o próximo campeão dos pesados da organização. E não estávamos falando de um atleta que decaía, já que Mirko tinha acabado de vencer o torneio absoluto do PRIDE.

Na estreia, Cro Cop não teve dificuldades para fustigar Eddie Sanchez no primeiro round, e em seguida foi agendado contra Gabriel Gonzaga, que vinha de três vitórias seguidas. Era o famoso title eliminator, e Mirko entrou como favorito, mas além de ter sido derrubado logo no começo, sofreu um dos nocautes mais violentos e angustiantes da história do UFC, quando tomou uma pernada de direita do brasileiro.

Depois da enorme zebra, Mirko perdeu para Cheick Kongo e abandonou o UFC, retornando ao Japão. Voltou pouco tempo depois, já sem o mesmo brilho e sendo usado como escada para lutadores ascendentes. Aposentou, voltou de novo em 2015 para vingar a derrota para Gonzaga, e decidiu retornar ao Japão pouco tempo depois. Segue batendo em gente por estar lotado de coisa suspeita no corpo.

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