Lesão de Charles do Bronx rende a 7ª vitória consecutiva de Max Holloway no UFC Fight Night 74

No combate mais aguardado da noite, Charles do Bronx sentiu uma lesão e acabou derrotado por Max Holloway. Já na luta em que poucos esperavam por algo, Josh Burkman sofreu seu primeiro nocaute na carreira, obra de Patrick Côté.

A tão aguardada luta entre Max Holloway e Charles do Bronx acabou da maneira mais decepcionante possível. Com pouco mais de um minuto de ação, o brasileiro sentiu uma contusão e sinalizou para o árbitro parar.

Embora pouco tivesse acontecido, o havaiano estava melhor. Ele trabalhou bem com alguns golpes no corpo do brasileiro e seu jogo de pernas atrapalhava as ações ofensivas de Charles. Quando o paulista tentou um double-leg, deu a impressão de ter batido o ombro na grade. Ele já caiu com expressão de dor, mas Holloway não quis arriscar cair na perigosa guarda do rival. O americano se afastou, Do Bronx se levantou, mas imediatamente fez sinal que não dava mais. O árbitro Herb Dean interrompeu na marca de 1:39.

Charles do Bronx saiu de maca do octógono (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Charles do Bronx saiu de maca do octógono (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Neil Magny retoma o caminho das vitórias em noite de péssima atuação de Erick Silva

Nada como voltar logo à ação para esquecer uma derrota. Pouco mais de 20 dias depois de ser varrido por Demian Maia, Neil Magny substituiu o lesionado Rick Story e conquistou a oitava vitória nas últimas nove lutas diante de Erick Silva.

Neil Magny não teve dificuldade para vencer Erick Silva (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Neil Magny não teve dificuldade para vencer Erick Silva (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

O triunfo de Demian no UFC 190 deu um caminho para Erick, faixa-preta de judô e jiu-jítsu. Porém, o brasileiro não conseguiu manter um jogo ofensivo na luta agarrada. Salvo um momento no primeiro round, quando caiu de guarda passada, Erick não mais teve vantagem no chão. Para piorar, levou várias quedas e quase foi montado.

Em pé, o capixaba mostrou os mesmos defeitos de outras oportunidades. Sem medir combinações, Erick disparava golpes intensos ao léu. Como a maioria passou no vazio, só serviu para desgastar seu já reconhecidamente prejudicado preparo físico. Por outro lado, Magny o acertou consistentemente na longa distância, fazendo com que Erick se perdesse aos poucos.

A péssima estratégia de luta pode ser resumida quando Silva tentou uma cotovelada rodada não só fora de hora, mas também muito mal executada. O movimento terminou com o brasileiro por baixo do americano. Mesmo da guarda, Erick não levou perigo.

Pior do que a atuação de Erick Silva foi a do juiz Greg Jackson. Numa luta fácil de pontuar, em que até um 29-28 para Magny já seria um tanto forçado, Jackson marcou vitória para o brasileiro. Por sorte os outros dois juízes desfizeram o absurdo e deixaram a vitória por decisão dividida para Neil Magny.

Josh Burkman sofre primeiro nocaute na carreira contra Patrick Côté

O combate que reuniu dois veteranos foi o mais animado da noite. Patrick Côtê e Josh Burkman trocaram pancadas ferozes no octógono. Melhor para o canadense, que conquistou a quinta vitória em sete lutas desde que retornou ao UFC.

Cruzado de direita de Patrick Côté foi o começo do fim de Josh Burkman (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Cruzado de direita de Patrick Côté foi o começo do fim de Josh Burkman (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Mais ágil, Burkman começou melhor na troca de golpes em pé, o que forçou Côté a buscar as quedas. Como o canadense não deu sequência no chão em nenhuma oportunidade, a luta sempre voltava para a pancadaria. Patrick virou a equilibrada parcial no final, quando largou uma poderosa direita que fez Josh balançar.

Côté se aproveitou que Burkman parecia ainda sentir o final do round anterior e saiu na frente no segundo, mas logo os contragolpes do americano, especialmente os ganchos de direita, igualaram a peleja. O queixo de ambos transformou um combate de pouca expectativa em algo bastante empolgante.

O terceiro assalto foi curto, mas foi sensacional. Burkman parecia disposto a terminar o combate e encurralou Côté contra a grade. O canadense manteve a compostura e devolveu fogo. Quando encontrou espaço, o “Predador” emendou um jab de esquerda com um cruzado de direita que explodiu contra a cabeça do “Guerreiro do Povo”. Burkman foi a knockdown e acabou dizimado por uma bateria selvagem de Côté no ground and pound. O árbitro Jarin Valel demorou demais a parar, mas finalmente decretou o nocaute técnico quando o cronômetro apontava 1:26 do terceiro round.

Esta foi a terceira péssima interrupção de Valel. Ele fora o (ir)responsável por deixar Josh Koscheck espumando quando foi finalizado por Jake Ellenberger. Mark Muñoz quase chegou ao mesmo ponto na derrota para Roan Jucão. Nas duas oportunidades, Valel não reparou que Kos e Muñoz estavam finalizados.

Francisco Massaranduba surpreende e nocauteia Chad Laprise

Durante e depois da luta, Francisco Massaranduba emocionou os torcedores. Mesmo azarão, ele conseguiu um belo nocaute técnico sobre Chad Laprise. Depois, foi às lágrimas no microfone de Jon Anik.

Francisco Massaranduba

Francisco Massaranduba “jantou” Chad Laprise (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

A luta parecia sob medida para o canadense, mais ágil e mais técnico na luta em pé. Massaranduba tinha dificuldade de acertá-lo enquanto levava golpes na longa distância. Porém, quando a dura canhota do brasileiro entrou, Laprise foi a knockdown. Sentindo a oportunidade, o ex-TUF Brasil 1 disparou num ground and pound violento e forçou Herb Dean a parar na marca de 2:43 do assalto inicial.

Na entrevista pós-luta, Massaranduba mostrou mais uma vez porque é tão querido pelo público. Ele disse que amanhã é seu aniversário e ele nunca teve uma festa de aniversário quando criança. Como não não estará em casa, Massaranduba pediu para a mãe fazer uma festa para as crianças do local, pois agora ele pode pagar por uma. O piauiense foi às lágrimas.

Olivier Aubin-Mercier vence Tony Sims com mais quedas do que golpes contundentes

Com seu conhecido jogo na luta agarrada, Olivier Aubin-Mercier fez mais uma vítima. O canadense, vice-campeão do TUF Nations, passou como quis por Tony Sims.

Olivier Aubin-Mercier abusou das quedas contra Tony Sims (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Olivier Aubin-Mercier abusou das quedas contra Tony Sims (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Desde o começo, Aubin-Mercier mostrou uma enorme superioridade com quedas plásticas, de grande amplitude. No chão, mesclou o ground and pound com tentativas de mata-leão. O problema foi que o canadense não conseguiu superar a defesa do americano, o que acabou tornando a luta monótona. Para se ter uma ideia, Aubin-Mercier entrou para a história como o vencedor de uma luta por decisão a ter acertado o menor número de golpes contundentes – foram três ao todo, contra quatro passagens de guarda e seis quedas.

Sims só teve um bom momento no combate, quando conseguiu levar o oponente para o chão no começo do terceiro round. Ele aplicou diversos socos e cotoveladas muito potentes na cabeça de Aubin-Mercier, mas acabou deixando o canadense se recuperar. Logo o jovem voltou ao seu jogo, retornou ao chão, mas desta vez com vantagem, para terminar o combate agarrado nas costas de Sims.

Valérie Létorneau chega a 3-0 no UFC contra Maryna Moroz

A canadense Valérie Létorneau acabou com o hype sobre a ucraniana Maryna Moroz. De quebra, chegou à terceira vitória no UFC em igual número de lutas e se posicionou com força no ranking do peso palha feminino.

Precisão e potência deram a vitória a Valérie Létorneau sobre Maryna Moroz (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Precisão e potência deram a vitória a Valérie Létorneau sobre Maryna Moroz (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Com um boxe nos moldes olímpicos, mais preocupado com acerto do que com potência, Maryna até começou melhor. Porém, Létorneau aos poucos foi encontrando o tempo dos contragolpes. Um deles mandou Moroz a knockdown. Valérie tentou liquidar a fatura no ground and pound, mas não conseguiu. Ela quase se enrolou na perigosa guarda da europeia, mas não foi o suficiente para tirar o 10-9 de Létorneau.

O segundo round foi bastante equilibrado, com as lutadoras trocando pancadas em pé. Novamente Moroz teve o maior volume, mas Létorneau acertou os golpes mais contundentes, embora tenha sofrido alguns chutes no corpo que a fizeram dobrar. Nesta parcial, cabe vitória para qualquer uma, mas o MMA Brasil anotou mais um 10-9 para Létorneau.

No terceiro, a canadense resolveu a parada com uma queda providencial seguida de ground and pound constante, agora sem deixar brecha para os perigosos ataques no triângulo ou chave de braço de Moroz. O MMA Brasil marcou 30-27 para Valérie Létorneau, mesmo placar anotado por um dos juízes laterais, enquanto os outros dois confirmaram a decisão unânime com dois 29-28.