Korean Zombie volta com nocaute violento sobre Dennis Bermudez no UFC Fight Night 104

Apesar do ferrugem, o Korean Zombie largou uma bomba em Dennis Bermudez e fechou o não tão empolgante UFC Fight Night 104, disputado em Houston neste sábado, com chave de ouro.

Nínguém se torna um ícone cult à toa. Quase quatro anos depois da última vez, o Korean Zombie “Chan Sung Jung” chegou a mostrar efeitos da inatividade, mas tirou da cartola um uppercut que mandou Dennis Bermudez para a vala mais próxima do Toyota Center, em Houston, na luta principal do UFC Fight Night 104.

Enferrujado, com combinações lentas, o Zumbi demorou a se encontrar e acabou sofrendo com a velocidade e movimentação de Bermudez. O americano chegou a abalar o coreano em duas oportunidades, mas Jung é “imorrível”. Eu já tinha largado no Twitter que a ferrugem estava forte quando um uppercut venenoso de direita pegou Bermudez na passagem. O americano desabou já nocauteado. Ainda recebeu o confere protocolar, mas tinha aparecido até o coveiro jogando areia para cobrir a vala.

O Korean Zombie enterrou Dennis Bermudez no UFC Fight Night (Foto: Mark J. Rebilas/USA TODAY Sports)

O Korean Zombie enterrou Dennis Bermudez no UFC Fight Night (Foto: Mark J. Rebilas/USA TODAY Sports)

Felice Herrig freia a ascensão de Alexa Grasso

O UFC tentou ligar a máquina promocional para auxiliar o crescimento de Alexa Grasso, mas a pior atuação da carreira da mexicana atrasou os planos. Melhor para Felice Herrig, que mostrou um jogo mais sólido.

Enquanto o controverso muro não é erguido, mexicanos invadiram o Texas para apoiar sua atleta. Gritos de “Mérrico! Mérrico!” estimularam Grasso, que se posicionou inicialmente cautelosa contra uma agressiva Herrig. Em seguida, Alexa deu sorte. Ela escorregou ao tentar um chute e caiu. Porém, aproveitou a situação para tentar um leglock. Depois do momento inusitado, as lutadoras evitaram o confronto direto e Grasso mostrava maior precisão com socos e chutes enquanto Herrig tentava aplicar maior volume. A mexicana saiu na frente na contagem do MMA Brasil.

Grasso assumiu a postura de agressora, mas não pisou no acelerador, como é de costume em suas atuações. Por outro lado, Herrig passou a trabalhar bem os cruzados de direita, que atingiram o rosto da mexicana com alguma frequência, às vezes por cima dos chutes sem finta de Alexa. Felice percebeu que o ritmo da oponente não era forte e tentou encurtar. A primeira tentativa de queda parou no clinch, mas, dali, Herrig colocou a adversária no chão no estouro do cronômetro. Luta empatada.

No terceiro, era esperado um senso de urgência de Grasso, mas não aconteceu. Herrig derrubou com um double leg e Alexa acompanhou o movimento para raspar. Ainda assim, Felice recuperou a postura, quase montou, mas permitiu a recuperação da mexicana. Herrig parecia ter o tempo dos jabs de Alexa e carimbava o rosto da jovem latina. Grasso tentou o clinch e não teve êxito. Voltou ao striking no centro, mas não acelerou. Apenas nos 10 segundos finais a pancadaria ficou franca, mas era tarde.

Na contagem do MMA Brasil, Herrig venceu por 29-28. Entre os juízes oficiais, dois juízes concordaram com nossa marcação e outro deu 30-27. Emocionada com o triunfo, Herrig foi às lágrimas ao lembrar do aniversário de morte do irmão.

James Vick mostra evolução no chão e finaliza Abel Trujillo

Melhor em pé e exibindo os frutos do trabalho na arte suave, James Vick dominou Abel Trujillo e aplicou um festival de triângulos de mão. Um deles resolveu a parada.

Trujillo tentou surpreender na tática. Ao perceber que teria dificuldade de suplantar as maiores envergadura e técnica no boxe de Vick, Abel avançou para buscar as quedas. Ele encaixou duas, mas não foi eficiente no chão. Pior, ainda teve que defender uma guilhotina. Enquanto o combate ficou em pé, Vick acertou mais golpes, mas num cenário de pouca ação. Vick 10-9, sabendo que juízes poderiam valorizar as quedas de Trujillo.

O uso da envergadura no boxe continuou servindo a Vick no segundo assalto. Depois de acertar socos com mais frequência que na parcial anterior, Vick levou o oponente para baixo, encaixou um triângulo de mão e tentou prender uma das pernas de Trujillo, que conseguiu evitar enquanto tentava sobreviver. Vick inverteu a pegada, mas cansou os braços e perdeu a posição. Porém, continuou na posição de cem-quilos, de guarda passada, tentando mais um triângulo de mão. Aqui não restou dúvida da vantagem de Vick.

Bem na abertura do último assalto, uma joelhada voadora de Vick deixou Trujillo grogue. James tentou apertar o ritmo e Abel foi obrigado a tentar um single-leg. O texano recolheu a perna, pesou o quadril e encaixou mais um triângulo de mão invertido. Desta vez foi definitivo. Ainda não recuperado da pancada que sofreu, Trujillo foi obrigado a batucar na marca de 49 segundos do terceiro round.

Volkan Oezdemir estreia com vitória sobre Ovince St. Preux

Talvez Ovince St. Preux tenha achado que poderia vencer o estreante Volkan Oezdemir a qualquer momento, de qualquer jeito. Para alguém do nível técnico de OSP, isso não existe, ainda mais lutando do modo com que fez neste sábado.

Talvez empolgado com a vitória do estreante que o antecedeu, Oezdemir não ligou para a experiência do rival e pressionou no primeiro assalto. St. Preux aceitou a luta em pé, nem fez menção de tentar uma queda, e levou uma variedade de chutes que o incomodaram. O suíço inclusive teve vantagem no clinch, que seria o ponto de maior vantagem do americano.

No segundo round, atendendo os pedidos do técnico, St. Preux voltou mais ativo, acertando alguns socos em linha reta com boa potência. Volkan tentou responder com chutes, mas OSP seguiu pressionando. O americano ajustou a defesa, fazendo o oponente errar alguns golpes, e passou a controlar a distância. O ritmo caiu no último minuto, favorecendo St. Preux, que ficou mais lento. O público vaiou o fim do assalto, vencido por OSP pela maior potência conseguida nos golpes.

O combate caiu muito de nível, com ambos lentos e cansados. Oezdemir continuou pressionando na vontade, mas sua defesa esburacada o fez engolir alguns golpes. A produção ofensiva do europeu foi quase a zero e St. Preux aproveitou para acertar socos e desviar dos raros movimentos do oponente. O último minuto foi lamentável, com Oezdemir grogue, exausto, esperando o golpe definitivo para deitar na vala, mas OSP não teve competência nem físico para completar o serviço. Fez o suficiente para vencer o round por 10-9 e a luta por 29-28, mas correu risco pelo equilíbrio do segundo assalto.

Na leitura das papeletas, não deu outra. Um juiz concordou com a marcação do MMA Brasil, mas os outros dois viram o segundo round para Oezdemir, que venceu por decisão dividida. Um castigo merecido para a incompetência de St. Preux.

A derrota foi a quarta de Ovince St. Preux nas últimas cinco lutas. Para piorar, teve atuações muito ruins em três delas. Talvez seja bom ficar ligado nos classificados de empregos.

Marcel Fortuna supera dificuldades e aplica nocaute cinematográfico em Anthony Hamilton

O estreante Marcel Fortuna, um peso meio-pesado pequeno, se tornou o pesado mais leve da história do UFC ao subir na balança com 95 quilos. Ele aceitou o chamado em cima da hora para encarar Anthony Hamilton, 22 quilos mais pesado. Para piorar, o brasileiro levou uma cabeçada involuntária no começo da luta que abriu um rombo em seu supercílio. Nada disso o deteve.

Mais móvel e mais técnico também no striking, o faixa-preta de jiu-jítsu Fortuna tentou evitar o dirty boxing do americano. Quando conseguiu, pendulou para a esquerda e largou a mão direita, que explodiu no rosto de Hamilton. Marcel deixou o soco e, no melhor estilo Mark Hunt, meteu o walk-off enquanto assistia ao gigante cair de cara no chão.

Potência de Jessica Andrade supera técnica de Angela Hill

Numa luta muito movimentada, Jessica Andrade usou pressão e potência para minimizar a vantagem técnica de Angela Hill e se reafirmou como uma força no peso palha.

O começo do combate mostrou uma diferença de movimentação que deu uma dica para a luta: Jessica plantada esperando o momento de produzir potência e Hill se movimentando sem virar alvo fixo. Deu certo para a americana por um minuto. A partir dali, Bate-Estaca passou a acertar a aproximação e várias vezes atingiu a adversária com potência na curta distância. Ambas falharam defensivamente – Andrade ao atacar muito aberta e Angela com dificuldade de evitar a luta no pocket. Com mais potência e volume, Jessica abriu 10-9.

A brasileira continuou muito aberta no segundo, mas entendeu que precisava acelerar e assim fez. Angela se viu obrigada a recuar perigosamente, em linha reta, atraindo Jessica para a curta distância. Andrade passou a atacar também a linha de cintura visando desgastar ainda mais a rival até que conseguiu derrubar duas vezes. No chão, passou guarda e tentou um mata-leão. Pelas regras novas, seria possível até marcar um 10-8 para a brasileira.

Um momento de pancadaria franca abriu a terceira etapa e Hill voltou a circular, mas Jessica novamente conseguiu impor seu jogo. Mesmo com a luta encaminhada na pontuação, a brasileira seguiu como agressora e, ao mesmo tempo, expondo-se demais. Numa dessas, levou um cruzado de contragolpe e acabou indo a knockdown. A recuperação foi rápida