Por Alexandre Matos | 21/06/2009 09:46

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre quem manda na categoria dos pesados do boxe mundial, já pode pelo menos diminuir as probabilidades: pode ser que não se saiba quem, mas pelo menos sabe-se que responde pelo sobrenome Klitschko. Diante de um espetacular público de mais de 61 mil pessoas na Veltins Arena, em Gelsenkirchen, na Alemanha, o ucraniano Wladimir Klitschko venceu o uzbeque Ruslan Chagaev por nocaute técnico no décimo assalto e não só manteve seus cinturões da FIB e OMB como acumulou ainda o da Ring Magazine. Foi o maior público de uma luta de boxe na Alemanha desde que Max Schmeling venceu Adolf Heuser em 1939, diante de 70 mil pessoas. Chagaev, conhecido pelo triste apelido de “Tyson Branco”, não foi páreo para Wlad em nenhum momento da luta. O cinturão da AMB do derrotado não estava em jogo, mas ele perdeu a invencibilidade.


Em forma física exuberante, Wlad tirou proveito da diferença de altura para manter o adversário longe com seu trabalho de jabs longos, que abriam caminho para a entrada de diretos certeiros. Chagaev tinha bastante dificuldade de acertar a distância e lutava com a guarda totalmente fechada, ciente da maior capacidade de punch de Klitschko. O segundo ia pelo mesmo caminho, mas a um minuto do gongo, Klitschko soltou um direto que simplesmente perfurou o bloqueio de Chagaev e fez o uzbeque cair sentado. O knockdown fez aumentar o predomínio do ucraniano, que se movimentava com muito mais naturalidade no ringue e era senhor das ações. Ruslan percebeu ali que não tinha como lutar no inflight, já que Wladimir dominava a distância com maestria. Klitschko, naquele momento, venceu o duelo psicológico. Incapaz de encurtar a distância, apenas um milagre daria a vitória a Chagaev.

A partir daí o que se viu foi um Wladimir Klitschko paciente, implementando exatamente o que foi treinado: movimentação e jabs de esquerda mesclados com diretos e cruzados de direita em fluxo constante. Gradualmente Wlad aumentava o ritmo e suas direitas frequentemente desmanchavam a guarda de Chagaev. Dali até o oitavo round Klitschko mostrou porque é o peso pesado mais técnico do mundo na atualidade, levando uma disputa de título mundial como se fosse um treino, com exceção feita a um momento do sexto round, onde o uzbeque conseguiu atingir o corpo do ucraniano algumas vezes e recebeu menos castigo, apesar de também ter perdido este assalto. No nono, depois de ter o olho esquerdo machucado no assalto anterior, Chagaev apenas tentava absorver a punição que lhe era imposta. Com um adversário batido e desanimado em sua frente, Klitschko apertou o ritmo, pressionou Chagaev contra as cordas e soltou uma violenta combinação de socos no rosto do atônito adversário, que sangrava. No intervalo para o décimo, preocupado com o massacre, o corner de Chagaev solicitou que o médico avaliasse o lutador. Como resposta, o árbitro Eddie Cotton foi instruido a interromper o combate.

O uzbeque não conseguiu mostrar resposta para o brilho de Wlad em momento nenhum da luta. Chagaev demonstrava clara instatisfação com sua própria atuação quando o combate foi interrompido. Acostumado a enfrentar adversários menos capazes, Ruslan claramente se incomodou com a imensa superioridade de Klitschko, que mostrou ter aprendido a lutar contra canhotos, depois de ter problemas antes contra Corrie Sanders (que o venceu uma vez) e Sultan Ibragimov. Agora um dos irmãos (provavelmente Vitali) vai enfrentar o gigante russo Nikolai Valuev em busca do único cinturão que não pertence à família. Ao final da luta, Wlad declarou ainda no ringue:

“Você não pode subestimar Chagaev. Ele fez tudo o que podia hoje, mas eu fui melhor. Hoje eu e meu time vencemos. E vocês foram testemunhas disso.”

Equipe de Wlad comemora, com o irmão Vitali ao lado

Equipe de Wlad comemora, com o irmão Vitali ao lado