Kevin Lee pega Michael Chiesa com interrupção controversa no UFC Fight Night 112

Decisão precipitada de Mario Yamasaki tira o foco da brilhante vitória de Kevin Lee sobre Michael Chiesa no UFC Fight Night 112. Na luta coprincipal, Johny Hendricks toma choque de realidade.

O árbitro Mario Yamasaki não cansa de se meter em confusão. Neste domingo, uma tomada de decisão controversa do brasileiro encerrou a luta principal do UFC Fight Night 112 com vitória de Kevin Lee sobre Michael Chiesa. O evento aconteceu na Chesapeake Energy Arena, em Oklahoma City.

Chiesa abriu as ações em seu conhecido estilo de pressão, jogando golpes retos em busca da luta agarrada. Ele forçou Lee a uma queda de sacrifício e aplicou diversos botes. Quando tudo parecia encaminhado, Mike cometeu um erro que custou a luta ao tentar uma chave de braço que não tinha ângulo para ser completada. Lee então escapou e ficou por cima em posição para metralhar o rival no ground and pound.

Depois do intenso bombardeio que já havia rendido virada no round, Lee pegou as costas de Chiesa e encaixou um mata-leão. O vencedor do TUF 15 tentou defender e deu sinais que estava arrefecendo. Faltava menos de meio minuto para o fim e Yamasaki resolveu por conta própria encerrar a luta sem que Chiesa apagasse ou batesse em desistência. A decisão provocou protestos acalorados do “Maverick”, mas Lee foi confirmado vencedor. Numa noite em que um mata-leão foi bravamente defendido, Yamasaki não só tirou de Chiesa a chance de se defender, como ofuscou uma linda vitória de Lee.

Tim Boetsch mostra que o peso médio não é lugar para Johny Hendricks

A decisão de Johny Hendricks de subir ao peso médio não foi bem recebida. Neste sábado, mesmo lutando diante de seus torcedores dos tempos de NCAA, ele levou um choque de realidade do muito maior Tim Boetsch.

Como não conseguiu bater o peso nem na nova categoria, Hendricks perdeu a velocidade que mostrou na estreia contra Hector Lombard. Boetsch pareceu mais ágil que o normal, na comparação de referência, e foi capaz de acertar o ex-campeão dos meios-médios em contragolpes. Ainda que Hendricks buscasse a iniciativa, foi acertado mais do que acertou e viu Tim sair na frente.

Hendricks ameaçou com sua poderosa esquerda, mas encontrou dificuldade no ajuste da distância. Um chute alto de direita de Boetsch explodiu contra a lateral da cabeça de Johny e o “Bárbaro” sentiu a oportunidade. Ele disparou um rápido trabalho no ground and pound que fez o árbitro interromper na marca de 46 segundos.

Depois desse revés, o correto seria Hendricks repensar seu estilo de vida fora de competição para voltar ao peso meio-médio. Porém, como ele falhou ridiculamente na pesagem de ontem, não seria surpreendente um anúncio de aposentadoria do “Bigg Rigg”.

Felice Herrig passa o carro em Justine Kish no chão

Com muitos momentos de ação, Felice Herrig mostrou jogo de chão apurado para dominar a resistente Justine Kish e chegar ao terceiro triunfo consecutivo no peso palha.

As lutadoras começaram a milhão, se embolaram no meio do octógono e a luta foi para o chão. Herrig tinha a iniciativa e Kish tentava sair das posições de desvantagem. Justine tomou algumas decisões interessantes para raspar, mas sempre executava deixando brecha para Felice pegar as costas ou montar. Na parte final do assalto, Kish aplicou uma contraqueda e trabalhou por cima até a buzina, mas viu a adversária abrir 10-9.

O segundo assalto foi totalmente diferente, disputado na maior parte do tempo na troca de golpes em pé. Kish imprimiu maior volume e variou os golpes, mas sua defesa incrivelmente esburacada permitiu que Herrig acertasse vários socos potentes. Quando Felice conseguiu encurtar, levou para o chão e novamente dominou a oponente. Ela passou a guarda, montou, pegou as costas, perdeu posição e abriu vantagem na luta.

Herrig entendeu o mapa da mina e já entrou em queda no começo do terceiro round. Ela aplicou outro passeio no chão até mochilar e encaixar um mata-leão profundo. Com muita determinação, Kish resistiu ao estrangulamento muito bem encaixado e se safou, mas seguiu sendo punida no solo. Herrig tentou a finalização até o fim. Não conseguiu, mas abocanhou um 10-8 que rendeu números finais em 30-26 na contagem do MMA Brasil.

Dominick Reyes devasta Joachim Christensen em menos de meio minuto

Depois de aparecer para o MMA com um chute demoníaco na LFA, Dominick Reyes foi convocado pelo UFC e abraçou a oportunidade mandando Joachim Christensen para a vala.

Assim que o homem de preto autorizou o começo das ações, Reyes caçou Christensen. Um chute pegou no meio das costelas e Reyes emendou com um forte direto. Christensen se chocou na grade, foi à lona, mas se levantou apenas para levar outro diretaço e tombar pesadamente. Dominick acionou a metralhadora e o árbitro encerrou na marca de 29 segundos.

Tim Means vence Alex Garcia em duelo menos empolgante que o previsto

Quando anunciaram que Tim Means enfrentaria Alex Garcia, alguns acharam que a chinela iria cantar em Oklahoma. Nada disso. Melhor para o americano, que venceu um combate de poucas emoções.

Mais agressivo e mais potente, Garcia começou melhor explorando a falta de atividade de Means e conseguiu um knockdown ao inverter a abertura das combinações para evitar o choque de jabs, comum em duelos de canhotos contra destros, pegando o rosto de Means desprotegido. Porém, o dominicano permitiu que o oponente compreendesse o ritmo das ações e o americano equilibrou o combate ao controlar a distância. Pelo começo, Garcia levou o round.

Means voltou bem mais à vontade, golpeando o corpo de Garcia, lançando jabs e movimentando-se para impedir que o rival, mais baixo e com menor alcance, ficasse confortável na distância. Garcia parou de iniciar as combinações com o direto e jogou muitos socos no vácuo.

Garcia tentou mudar de nível com uma queda no começo da última etapa, mas Means conseguiu voltar de pé. Sem velocidade para quebrar a desvantagem no alcance, Alex não conseguiu produzir ofensivamente. Como Means parecia não querer se expor, o combate caiu e vaias soaram no ginásio. Garcia foi mais agressivo no minuto final, mas errou tudo o que tentou. Para piorar, foi alvejado por socos que serviram só para pontuar. O MMA Brasil marcou 29-28 a favor de Means, mesmo placar anotado pelos três juízes oficiais.

BJ Penn tem lapso de rendimento contra Dennis Siver, mas volta a ser derrotado

Lutando com o short ao avesso, BJ Penn chegou a deixar os fãs animados, mas, no fim das contas, o resultado foi o mesmo dos últimos anos. O ex-campeão de duas categorias virou alvo fixo de Dennis Siver e tombou na decisão.

O melhor BJ no peso pena apareceu nos primeiros momentos de luta. Ele parecia mais acostumado ao peso e entrou se movimentando ofensivamente, com boa noção de distância. Porém, pouco a pouco, conforme os golpes mais potentes de Siver foram entrando, Penn foi se encolhendo até sumir no final da parcial.

O rendimento de Siver caiu no segundo assalto e ele pagou caro. Movimentando-se e golpeando menos, o alemão ficou na alça de mira do havaiano. Com um uppercut preciso de direita, Penn mandou o oponente a knockdown e terminou o round de guarda passada, trabalhando no ground and pound, empatando a luta. Foi o primeiro round que o astro venceu desde a luta contra Nick Diaz, em outubro de 2011.

O segundo round foi apenas umm lapso para empolgar os fãs antigos. Exausto, BJ voltou a ser o zumbi das apresentações anteriores e acabou a luta como um saco de pancadas ambulante (quase estático, na verdade). O futuro Hall da Fama só não foi nocauteado porque Dennis também está nas últimas. Com o 10-8, Siver saiu com 29-27 na contagem do MMA Brasil.

Pior que a atuação de Penn no terceiro round foi um dos juízes, que teve a pachorra de marcar empate em 28-28. Por sorte, os outros dois apontaram vitória de Siver, um com 29-27 e outro com 29-28, completando a decisão majoritária a favor do europeu.

  • Rafael Oreiro

    Baita momento do Yamasaki, roubou tanto a chance do Chiesa se defender quanto jogou uma interrogação na maior vitória da carreira do Lee.

    Capaz dele entrar na lista negra do UFC junto com o Mazzagatti, só esse ano tiveram também as interrupções de Lewis-Browne e Jacaré-Whittaker.

  • Gabriel Carvalho II

    Sobre o Lee: EU JÁ SABIA!!!!

    Tomara que o Dominick Reyes vire algo nessa 93. Já tinha visto coisa do moleque antes de ir pro UFC e parece ser decente.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Yamazaki fazendo cagada, Hendricks apanhando feito uma cadela na hora do nocaute, Kish fazendo o numero 2 no chão do octogono, mais um prospect bem vindo aos 205, BJ Penn dando knockdown e um Clay Guida com sangue nos olhos, até que teve coisas interessantes embora não tenha sido lá o mais empolgante evento kkkkkkkk, dá pra fazer umas piadas

  • Anderson Tomaz

    3 in a row pra sempre desagradável Herring…
    Não seria o caso de já pensarmos em TS após Namajunas ?

    • Gabriel Carvalho II

      Depende do nível de competição que ela enfrentar agora. Eu acho ela bem fraquinha, tanto que foi dominada no chão pela Paige VanZant.

  • Alexandro Garcia

    Esse fight night foi um verdadeiro terror!!! Não empolgou e teve vários erros dos homens de preto!!! A melhor luta acabou de forma melancolia culpa do homem de preto!!

  • James sousa

    Exemplo na revanche entre o Minotauro x Mir o árbitro poderia para luta percebendo que o Minotauro quebraria o braço ou só pode para a luta tendo o lutador desistido seja dando os tapas ou verbalmente ?

    • Vinicius Maia

      Rapaz ali foi complicado pois o golpe tava encaixado o Minotauro não fez menção de bater e não teve desistência verbal. O minotauro bate depois que ele quebra o braço.

    • Fernando

      Esse caso que vc falou muito mais difícil…

      O Mir é bizarro, se vc for ver ele quebrou um braço com uma chave de ombro (minotauro) e quebrou um antebraço com uma chave de cotovelo (tim sylvia).

      Nos 2 casos do Frank Mir o árbitro não tinha como intervir pq os caras estavam defendendo os ataques, o ombro não tava estourando como rolou nas famosas lutas do renzo e do royler, nem o cotovelo tava virando como no caso da tate contra a honda.

  • Luis Coppola

    Hendricks não tem a menor condição de tentar novamente bater 77kg, o cara não leva a sério, tanto que lutou com uma pança bizarra contra o Bárbaro. Caso ele continue no evento, o certo seria obrigar o cara a lutar nos meio pesados na próxima luta..

  • Marcio Rodrigues

    Chiesa ja tava juntando as maozinhas no peito e deixando o corpo, mas o Yamazaki não resiste a uma oportunidade de fazer cagada. Agora, uma duvida: não existem outros arbitros? Por que são sempre os mesmos independente do evento, comissão atlética e da quantidade de cagadas que eles façam?

    Independente disso, foi um passeio do insuportavel do Lee. Achava o Chiesa favorito pelo alcance (aquela envergadura de 1,95 do Lee mostrada na transmissão só pode estar errada) e bom nível de chão, mas não viu a cor da bola. Ainda assim, não vejo muita coisa no Lee. Acho que chegou no limite dele (pelo menos, assim espero).

  • Rafael Maia

    Cara, gosto muito do Hendricks, mas tá merecendo uma passada no RH…

  • Fernando

    O mundo inteiro ta descendo a lenha no Mario Yamazaki mas acho q o coitado nao errou nao.

    Podia ter esperado mais 5s para ter ceteza e evitar a polêmica, mas eu entendi, assim como ele, que o Chiesa apagou. Se vc está apagando e o cara solta na hora o estrangulamento vc nem percebe que apagou. Ele ter levantado na hora não é prova de que o mata leão nao estava encaixado, nem q ele estava acordado.

    Só vi em um ângulo o lance, pode ter um outro ângulo que me desminta, mas me pareceu que a interrupção foi legítima.

    O pessoal já faz bulling com ele Mário Yamazaki porque acham que ele custa a dar um tko, mas a questão de dar a technical submission, vc vê que ele foi super seguro e resoluto, pq ele manja de jiu jitsu e sabia o q estava acontecendo ali, diferente de outros árbitros…

    Sou mais ver cenas como essa com o Chiesa do que ver a Holm sendo apagada e dando espasmo pq o árbitro não sabe que existe technical submission.

    • Juan

      Chiesa já estava fazendo palminhas. Não foi erro não, apenas preservou o cara.

  • Binho Vianna

    Seria legal vocês comentarem o pós evento do card inteiro se puderem.

    • Gabriel Carvalho II

      Como assim?

    • Como assim?

      • Binho Vianna

        O card inteiro ué, se possível, desde do primeiro preliminar, principalmente porque parte deles podem ser os campeões do futuro

        • No próximo podcast falar do UFC Fight Night 112 inteiro? Ou nas resenhas escritas?

          • Binho Vianna

            resenhas escritas pós evento, o que vc fez acima só que todo.