Justin Gaethje traz anarquia ao UFC e nocauteia Michael Johnson na melhor luta do ano

Justin Gaethje traz anarquia ao UFC e nocauteia Michael Johnson na melhor luta do ano
MMA

Do mesmo modo que ele fazia no WSOF, Justin Gaethje levantou a torcida, trouxe Michael Johnson para o inferno e anotou um nocaute espetacular na luta mais divertida do ano até o momento. Na final do TUF 25, Jesse Taylor completa sua redenção.

Quem não conhecia Justin Gaethje foi dormir eletrizado. Quem conhecia, se deleitou com mais uma demonstração desse alucinado. O ex-campeão do WSOF estreou no UFC com uma vitória violenta por nocaute sobre Michael Johnson, um legítimo top 5 da categoria mais dura do mundo, na luta principal do TUF 25 Finale. O evento aconteceu nesta sexta, na T-Mobile Arena, em Las Vegas.

A chinela cantou alto desde o começo. O combate teve momentos distintos e muito curiosos. Logo no começo, para surpresa de ninguém, Gaethje tentou transformar a luta em anarquia. Tomou um socão na cara, abriu um sorriso e caiu pra dentro. Essa postura fez com que Johnson perdesse o foco e a luta virou pancadaria, para alegria da garotada.

Depois de balançar duas vezes, Michael percebeu que Justin não é gente e tratou de atuar com inteligência. Quando ele conseguiu controlar a distância, mostrou que tecnicamente é superior ao adversário. Algumas combinações entraram justas e Gaethje dobrou os joelhos, mas não caiu. Johnson aplicou uma queda, bateu muito, venceu o primeiro assalto, mas ninguém estava se importando para resultado. Àquela altura, não havia ser humano sentado assistindo.

No segundo assalto, Johnson deu a impressão que finalmente tinha as ações sob controle. Só que do outro lado não tinha um sujeito normal. O filhote de belzebu recebeu na cara tudo o que Johnson jogou – e não foi pouco – e voltou para cima como um monstro de filme. Soco, joelhada e Gaethje mostrou porque é o rei do dirty boxing. Do nada, o rosto de Johnson estava sob sangramento intenso. Mais duas pancadas e Michael parecia acabado. Com Johnson encostado na grade, Justin mandou dois uppercuts demoníacos. Johnson caiu, tentou atrair o oponente para o solo. Gaethje o mandou se levantar. Faltavam poucos segundos e McCarthy ameaçava parar o combate. Quando Johnson caiu sentado na grade, não teve jeito. Na marca de 4:48, o árbitro pôs fim à melhor luta do ano.

A história contada pelas estatísticas dá bem a noção da insanidade vista no octógono. Gaethje e Johnson combinaram para 196 golpes acertados, 100 do vencedor e 96 do perdedor. Todos os 196 foram contundentes.

Jesse Taylor completa a redenção finalizando Dhiego Lima na final do TUF 25

Tanto Jesse Taylor como Dhiego Lima já tinham se classificado para uma final de TUF, mas apenas o brasileiro disputou. A bela história da virada na vida dada pelo americano teve o capítulo final nesta sexta.

Definitivamente Taylor aprendeu a lição. Determinado, ele passou por cima do brasileiro desde os segundos iniciais do combate, buscando a luta agarrada o tempo inteiro. Taylor derrubou, caiu por cima, tentou finalizar no mata-leão, trabalhou com algum ground and pound e deixou Lima fazer nada. Clássico 10-8 para o americano.

Dhiego tentou surpreender lançando uma bomba no começo do segundo assalto. Taylor se viu obrigado a grudar nas pernas do brasileiro. Mostrando que nada o deteria até completar a redenção, o americano pegou as costas de Lima e encaixou o mata-leão. Dessa vez não houve jeito e Lima se rendeu na marca de 43 segundos da segunda etapa.

O sujeito que foi chutado da final do TUF 7 por encher a cara e destruir o cassino do chefe caiu em alcoolismo. Anos depois, teve mais uma chance no reality show, venceu novamente todos os adversários na casa, mas agora, com a doença controlada, não perdeu o foco e finalmente conquistou o almejado prêmio.

Drakkar Klose tira a invencibilidade de Marc Diakiese em luta animada

Dizem por aí que o trabalho duro vence o talento quando o talento não trabalha tão duro. O congolês naturalizado inglês Marc Diakiese é mais talentoso do que o americano Drakkar Klose, mas não teve a mesma eficiência quando fecharam as portas do octógono.

Dois bons chutes baixos e Klose pegou confiança para avançar e tentar a queda. Colocou Diakiese sentado no chão, mas não manteve o adversário ali. Quando Drakkar tinha o domínio no clinch na grade, Marc inteligentemente aplicou uma queda e caiu por cima, mas também não manteve a posição. Depois de um festival de perdas de posição, Klose acertou um venenoso chute baixo que fez Diakiese rodar e cair. No chão, o congolês tentou uma chave de perna. Por ter conectado mais golpes, Klose saiu com 10-9 na contagem do MMA Brasil.

A bicanca de Klose prejudicou a base de Diakiese. Sem conseguir se movimentar tanto, o congolês voltou a levar prejuízo na contagem de golpes, embora mostrasse talento em tentativas ofensivas plásticas. Drakkar tinha mais eficiência, derrubou duas vezes e abriu 20-18 no combate.

Diakiese mudou de base para proteger a perna machucada, mas a movimentação estava limitada. Ele então decidiu usar a luta agarrada, atacou o pescoço de Klose, mas o americano se defendeu com maestria. Forte direto de esquerda de Diakiese, potente cruzado de direita de Klose em resposta. Chute rodado de Marc errou o alvo. Klose agarrou a perna esquerda tentando o single leg quando o rival puxou uma guilhotina sem pressão. O duelo acabou no dirty boxing, com Diakiese diminuindo a desvantagem com o 10-9 na parcial.

Na contagem oficial, os juízes Marcos Rosales e Jeff Mullen concordaram com o MMA Brasil e garantiram a vitória de Klose com dois 29-28. Derek Cleary tornou a decisão dividida ao marcar o mesmo placar, mas para Diakiese.

Jared Cannonier massacra estreante Nick Roehrick

A missão de Nick Roehrick era dura ao aceitar estrear contra Jared Cannonier com menos de uma semana de antecedência. O “Killa Gorilla” aplicou o espancamento esperado, mas o rival mostrou coração enorme.

O bagulho começou doido para o estreante. Muito mais rápido e mais técnico, Cannonier jogou os punhos com boa variação e potência. Coube a Roehrick receber o castigo com dignidade. Quando Nick finalmente mostrou alguma produção ofensiva, parava na boa movimentação de cabeça de Jared. A impressão é que Cannonier nocautearia se apertasse o ritmo.

Cannonier viu que estava fácil e baixou os braços, balançou, tentando confundir o adversário naquela linha tênue da provocação. Roehrick até tentava devolver fogo às investidas de Cannonier, mas não obteve êxito. Jared chegou perto da vitória ao levar o adversário à grade e descer a lenha, mas o coração de Nick se mostrou enorme e ele resistiu a mais um assalto.

Entrando no terceiro assalto, só restava a Roehrick o hail mary. Não deu. Cannonier continuou no assalto, jogando combinações duras. Exausto, Roehrick plantou e recebeu um chute alto violento. Jared sentiu a oportunidade, jogou duas joelhadas no thai clinch e seguiu o adversário até o chão. Socos e cotoveladas fizeram o árbitro John McCarthy salvar Roehrick de sua própria bravura na marca de 2:08 do terceiro assalto.

Brad Tavares aproveita erro de Elias Theodorou para virar a luta

Ninguém achava que o encontro entre Brad Tavares e Elias Theodorou seria empolgante – e não foi mesmo. Porém, os dois minutos finais deram alguma emoção, o suficiente para virar uma luta que estava praticamente resolvida.

Theodorou tentou aproveitar a conhecida burocracia de Tavares e entrou na luta cheio de atitude. Na prática, a movimentação não se mostrou eficiente e a firula foi punida pelo inabalável jab-direto-chute baixo do havaiano, que abriu 10-9 mesmo sem precisar fazer muito.

A produção ofensiva do canadense melhorou no segundo assalto – nada de encher os olhos, frise-se. Foram alguns socos isolados, chutes na linha de cintura e tentativas de queda num nível um pouco mais alto que o rame-rame de Tavares. Luta empatada.

Com dois rounds equilibrados, Theodorou tentou não dar chance ao azar e logo atacou a cintura de Tavares para levá-lo ao solo. O canadense conduzia as ações na luta agarrada quando cometeu um erro técnico, perdeu a pegada e acabou cedendo as costas para Tavares. O havaiano tentou encaixar um mata-leão e depois uma kimura. Theodorou defendeu as duas investidas, mas perdeu tempo e espaço. Em um minuto, Brad virou o assalto e garantiu o 29-28 na contagem do MMA Brasil, resultado idêntico ao aferido pelos juízes laterais.

Jordan Johnson bate Marcel Fortuna em duelo de pouca ação

Numa divisão arrasada, Jordan Johnson e Marcel Fortuna eram esperanças de renovação. A julgar pelo confronto direto, a recuperação deve demorar.

No primeiro round de raros eventos, Johnson foi superior. Logo no começo, ele aproveitou um chute telegrafado de Marcel e anotou um knockdown com um cruzado em contragolpe, que pegou Fortuna desequilibrado. Apesar de faltar velocidade e técnica ao americano na troca de golpes em pé, Fortuna não conseguiu mais do que acertar dois ou três jabs. Johnson parecia respeitar demais os contragolpes de Fortuna, que deixava a impressão de temer as quedas do americano.

Fortuna melhorou na segunda etapa ao acelerar a movimentação lateral e, por isso, lançou mais golpes no adversário que se movimentava de modo simplório. Deste modo, o catarinense acertou alguns socos potentes, mas, principalmente, fechou a porta para qualquer tentativa de entrada de queda de Jordan. Nos segundos finais, uma direita de Marcel balançou Johnson, que se viu obrigado a grudar na perna do adversário. Apesar de Fortuna segurar a grade acintosamente, Johnson conseguiu a queda, mas viu Fortuna empatar a luta.

Uma pedrada inicial de Johnson abrindo o terceiro round deixou as ações parecidas com o assalto inicial, com o americano tentando enquadrar o brasileiro, que tentava achar a oportunidade para contragolpear. A falta de ação fez a torcida vaiar o combate. No minuto final, Johnson percebeu que aquela quedinha providencial lhe daria o round e, por consequência, a luta. O americano então fez uma pequena pressão na grade, mas não derrubou. O assalto foi muito parelho e, na contagem do MMA Brasil, Johnson levou a melhor por 29-28, mesmo placar anotado pelos três juízes laterais.

  • Beto Magnun

    Como é que dorme depois de assistir esse main event?

  • Miguel Fortunato

    O cara tem que confiar muito no queixo para lutar desse jeito, mas se resistiu ao Michael, ninguém mais no leve derruba ele…

  • Luiz Gustavo

    Rapaz…esse Justin Gaethje é um cavaleiro do apocalipse pq…puta q pariu!!!!! o que foi aquilo?

  • James sousa

    Justin Gaethje x Edson Barboza é a luta a ser feita agora

    • Rafa FriAll

      ou contra o vencedor de Alvarez x Porier II

  • Luiz Guilherme

    Resenha sensacional do main event!
    Quem acompanhava no WSOF já sabia que ele era assim, mas, ele fez isso contra um dos 5/6 melhores leves do mundo.surreal, melhor estreia q já vi alguém fazer no UFC.
    Marquem luta com Ferguson pela cinta agora, ou no mínimo com Barbosa pelo próximo title shot, se rolar mesmo Ferguson vs nurma

  • Franklin Stein

    “Michael percebeu que Justin não é gente e tratou de atuar com inteligência (…) venceu o primeiro assalto, mas ninguém estava se importando para resultado.” Melhor descrição!!
    Chutei a mesa de centro, derrubei o controle da tv, celular ahahah com certeza acordei os vizinhos de baixo! ahahaha

    Vcs perceberam que rolou um choque de cabeças logo no começo? Johnson deu uma acusada e Justin continuou como se não tivesse rolado nada… é um demônio! Justin Gaethje pra patrono do Estréia do Ano já !!

  • Carlos Felix

    A resenha da luta principal foi tão divertida quanto a luta. :D.
    Quanto ao Justin. O cara não é normal. Se ele tivesse carcaça para lutar nos meio-médios. ..
    Imaginem Gaethje x Lawler.

  • Tonny Varela

    Caralho ! Que homem mesmo, mas será que ele aguentaria essas porrada do McGregor!? Agora queria ver ele contra o Lee ou o Barbosa hehe

    • Lero

      Vanatta

      • Lucas Natan

        Vanatta acabou de perder pro Teymur, que nem é ranqueado. Justin venceu o 5º do ranking, não rola.

        • Lero

          verdade.

  • Malk Suruhito

    Gaethje tinha que mudar o apelido para Terminator e entrar ao som de The Trooper do Iron.

  • Rafael Maia

    “Do nada, o rosto de Johnson estava sob sangramento intenso.”
    eu assisti 3x e não consegui ver qual foi o golpe que deixou o Johnson grogue… Mas foi interessante ver que os dois atletas entregaram tudo o que tinham em dois rounds, sabendo que a luta teria 5!
    Imagino que se eles sobrevivessem ao segundo round não sobraria gás nenhum pro terceiro.