Junior Cigano vence Ben Rothwell recuperando parte do melhor boxe do peso pesado

Em evento repleto de pesos pesados, Junior Cigano deu mostra que ainda é um potencial candidato ao cinturão da categoria. Ele parou a sequência invicta de Ben Rothwell no UFC Fight Night 86, na Croácia.

A vitória era importante, mas mais ainda era mostrar que ainda lhe cabe um posto no top 3 da categoria dos pesados. Relembrando o melhor boxe da divisão, Junior Cigano conseguiu os dois feitos ao vencer Ben Rothwell na luta principal do UFC Fight Night 86, disputado neste domingo em Zagreb, capital da Croácia.

Contando com o apoio da torcida, que gritava “Ci-ga-no!” como se fosse em Salvador ou Caçador, o brasileiro dominou a luta do começo ao fim. O jab de esquerda voltou a funcionar como uma britadeira e a movimentação, bem mais fluida do que na derrota para Alistair Overeem, permitiu que o ex-campeão encontrasse espaços para golpear com consistência a linha de cintura do americano, arqueando os joelhos, disparando um golpe reto e rapidamente voltando à base, fora do alcance do contragolpe de Rothwell.

O avanço do tempo foi dando confiança a Cigano para arriscar alguns chutes, especialmente os rodados, ferramenta que ele incorporou nos últimos anos. Não foram tantos golpes deste tipo, até porque não era hora de se expor desnecessariamente, mas um chute frontal na linha de cintura mandou Big Ben metros distante, fazendo o americano cair sentado junto à grade.

Rothwell tentou alguns chutes baixos para minar a eficiência do boxeador, mas a diferença de velocidade impediu que ele infligisse maiores danos no oponente. Para coroar uma atuação como nos velhos tempos, faltou ao brasileiro combinar mais golpes com os punhos e talvez até superasse o absurdamente sólido queixo de Big Ben. No entanto, pela fase que Cigano vivia, é mais do que compreensível um certo comedimento ofensivo.

A divisão dos pesados, naturalmente carente de talento e de renovação, não poderia se dar ao luxo de perder Cigano em sua elite. Aos 32 anos, o brasileiro mostrou que ainda tem lenha para queimar e, com mais alguns ajustes, que uma disputa de cinturão pode ser novamente viável. O MMA agradece.

Derrick Lewis nocauteia brutalmente Gabriel Napão no primeiro

A fase de Gabriel Napão já era complicada, mas neste domingo chegou num novo nível. Melhor para Derrick Lewis, que conquistou mais um nocaute no primeiro round.

Derrick Lewis manda Gabriel Napão a nocaute em situação precária (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Derrick Lewis manda Gabriel Napão a nocaute em situação precária (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

O brasileiro sentiu a potência do americano logo no primeiro golpe, mas reagiu bem levando a luta para a grade e aplicando a queda na técnica. Napão caiu por cima e logo estava nas costas de Lewis. Dada a imensa diferença de nível no jiu-jítsu de ambos, parecia que o fim estava perto. Porém, na hora de prender os ganchos, Gabriel perdeu a posição e permitiu que Derrick se levantasse. As esperanças de vitória morreram ali.

De volta ao centro, Lewis forçou Napão para a grade, agora em posição de vantagem. Daquele ponto, lançou golpes muito violentos que furaram a proteção do oponente. Um direto de direita entrou seco e nocauteou Napão em pé. O confere aplicado em seguida já era até desnecessário. O terceiro nocaute consecutivo de Lewis aconteceu na marca de 4:48 do primeiro assalto.

Francis Ngannou mostra evolução e para Curtis Blaydes

Quando estreou contra Luiz Henrique KLB, o camaronês Francis Ngannou mostrou péssimo sistema de defesa de quedas. Contra um campeão de wrestling como Curtis Blaydes, era um sinal de risco enorme. Porém, o africano mostrou enorme evolução e se posicionou como um prospecto perigoso na categoria dos pesados.

Ngannou foi surpreendido com um potente soco de Blaydes e devolveu fogo logo no começo da luta. O americano, campeão da NJCAA, tentou fazer as transições para as quedas, mas, como ainda é muito verde no MMA, parou na melhorada defesa de Ngannou. Sem conseguir levar a luta para o chão, Blaydes ficou à mercê do kickboxing do oponente e paulatinamente teve seu olho direito fechando.

Blaydes continuou avançando, mas sem a mesma capacidade técnica na troca de golpes em pé do rival, não conseguiu impor seu jogo. A mira de Ngannou estava em dia, o que acabou fazendo com que o médico fosse avaliar com rigor a situação do olho de Curtis. O americano disse que poderia lutar, seu irresponsável córner disse que estava tudo bem, mas o médico viu que não estava e pediu que o árbitro anunciasse o fim do combate no intervalo para o terceiro assalto. Na ocasião, Ngannou vencia por 20-18 na marcação do MMA Brasil.

Timothy Johnson complica a estreia de Marcin Tybura

Um dos mais esperados prospectos da categoria dos pesados, Marcin Tybura finalmente fez sua estreia no octógono mais famoso do mundo. Porém, ele não foi capaz de lidar com o clinch e o dirty boxing de Timothy Johnson, que venceu por decisão.

O americano em momento algum tentou uma tática diferente e acabou deixando exposta uma deficiência nesta área do polonês. Constantemente travado no clinch, Tybura não teve armas para aproveitar a situação e levar a luta para o solo, onde ele seria superior caso caísse por cima. No final do segundo assalto, três socos potentes de direita de Johnson fizeram a cabeça de Tybura parecer um speed bag.

O polonês mostrou brios e seguiu avançando no terceiro assalto. Ele acertou bons golpes, feriu o olho de Johnson, conseguiu uma queda e venceu o round. No entanto, já era tarde para uma virada na luta. Os três juízes oficiais marcaram 29-28 para Timothy Johnson, mesmo placar anotado pelo MMA Brasil.

Jan Blachowicz bate Igor Pokrajac na luta mais animada do evento

Poucos entenderam quando o UFC resgatou Igor Pokrajac para lutar em casa. Quinze minutos de luta depois, ninguém mais quer que ele vá embora. Ainda assim, o croata foi derrotado pelo polonês Jan Blachowicz.

Deu a impressão que Pokrajac se preparou para a luta de sua vida diante de seus compatriotas. Abastecido pelos gritos de “Igor! Igor!” que ecoavam na Arena Zagreb, o wrestler mostrou seu velho queixo de granito e a disposição para animadas pancadarias na curta distância. Até mesmo o wrestling foi posto para jogo, quando Pokrajac derrubou e atacou no ground and pound.

Ciente dos riscos, Blachowicz tratou de mostrar que era um melhor kickboxer controlando melhor a distância. Numa dessas situações, ele fintou um golpe de Pokrajac e fez o rival quase bater de cara na grade. O polonês disparou vários golpes pesados, chegando perto de anotar até um 10-8 no assalto. Sabe-se lá como, Igor se manteve de pé e vivo para o terceiro assalto.

Apesar do coração, Pokrajac cansou na última parcial. Blachowicz aproveitou a deixa, aplicou uma queda, caiu por cima e trabalhou um ground and pound que, se não era finalizador, foi suficiente para manter o adversário por baixo e garantir a vitória. No fim da conta, os três juízes concordaram com o 29-28 para Blachowicz que o MMA Brasil enxergou.

Maryna Moroz vira para cima da estreante Cristina Stanciu

Não é fácil pular do minúsculo circuito romeno direto para o UFC, ainda mais com apenas cinco lutas profissionais no cartel. Cristina Stanciu teve bons momentos no começo, mas sentiu a pressão e sucumbiu perante a ucraniana Maryna Moroz, mais acostumada com os grandes palcos.

Parte da agressividade quase patológica de Stanciu deu as caras no primeiro round. Ela rapidamente encurtou a distância e arriscou um misto de triângulo com chave de braço, exatamente como a adversária fez algumas vezes na carreira. Elas trocaram força no chão, Moroz conseguiu se safar e virou o cenário, pegando as costas e encaixando um mata-leão que dizimou o gás da oponente. O round foi apertado, mas o MMA Brasil anotou 10-9 para a ucraniana.

Stanciu passou a se movimentar devagar e virou um alvo mais fixo para Moroz. A romena tentou uma chave de calcanhar, mas a ucraniana foi calma para escapar e dali rapidamente chegou à montada, de onde executou ground and pound. No terceiro assalto, uma contraqueda fez com que Cristina conseguisse cair por cima, mas quase mergulhou na mais conhecida armadilha de Maryna, que encaixou uma chave de braço e deixou a rival tendo que se virar para se defender. O triplo 30-27 oficializado pelos juízes teve eco na marcação do MMA Brasil.