Junior Cigano acha injusto que Brock Lesnar dispute o cinturão contra Cormier: “É um cara que trapaceia”

Por Jessyca Damaso | 12/07/2018 06:00

Após ficar pouco mais de um ano longe do octógono, Junior Cigano entrará em ação contra o estreante Blagoy Ivanov na luta principal do UFC Fight Night 133, neste final de semana. Em entrevista coletiva virtual da qual o MMA Brasil participou, realizada na última quarta-feira (11), o lutador brasileiro falou sobre sua preparação para o combate, fez duras críticas ao “teatro” promovido por Daniel Cormier e Brock Lesnar, no UFC 226 e também sobre sua polêmica com a USADA (agência antidoping americana).

Cormier derrotou Stipe Miocic e fez história em Las Vegas, no último fim de semana, ao se tornar campeão em duas categorias do UFC simultaneamente – a dos meios-pesados e dos pesados. Após o combate, DC desafiou o astro do WWE, que subiu ao octógono, empurrou e provocou o campeão em uma cena digna de telecath. Diante dessa atitude, Cigano achou a situação completamente imprópria e ridícula:

“O retorno do Brock não me surpreendeu. O que me surpreendeu foi o Cormier sendo campeão de duas categorias e, como ele mesmo disse, vivendo o momento que ele estava vivendo, o mais especial da vida… O que me surpreendeu foi ele chamar o Lesnar naquele momento. Eu não entendi nada. Fiquei até assustado de estar virando um teatro. Foi um pouco ridículo até. Mas, quando eu estava vendo a conferência dele, ele estava explicando que ele quer lutar com o Lesnar porque vende muito pay-per-view, é uma luta que vai envolver muito dinheiro, então ele está sendo esperto. Está pegando uma luta mais tranquila e com grandes ganhos financeiros”, opinou o brasileiro.

Para Junior Cigano, o fato do peso pesado já retornar para a organização em uma disputa de cinturão é mais uma evidência de que o ranking do UFC não serve como parâmetro para nada. O lutador catarinense ainda considerou a “furada de fila” injusta:

“Isso é completamente injusto, mas a gente sabe que no UFC o ranking não funciona para nada. E o que define ranking é uma política meio estranha. Mas não é nada legal ver o Lesnar furando a fila, até porque ele não parou porque quis. Ele caiu no doping, foi pego no doping, uma coisa que sempre fez uso, todo mundo sabe, dá para ver. Ele foi cortado pela USADA e está voltando como se fosse algo positivo, mas ao contrário, foi uma coisa bastante negativa. Ele não acrescenta nada para o esporte. É um cara que, como todo mundo sabe, trapaceia com o negócio das drogas. O único benefício que ele tem é que, de uma forma ou de outra, as pessoas gostam de assisti-lo, de ver aquele cara enorme. Não deixa de ser perigoso. Mas isso também não importa muito. Se as pessoas querem ver, o UFC tem que fazer”, declarou Cigano, que ainda disse não acreditar que o campeão do WWE lutará sem a ajuda de substâncias proibidas pela USADA.

“Aprendi nesses anos todos que quem faz uso de drogas de performance não consegue mais ficar sem a droga, porque não produz mais testosterona do jeito que deveria produzir, não produz mais GH como deveria produzir para competir em alto nível. É quase certo que ele não vai estar limpo”, completou.

RETORNO E PREPARAÇÃO PARA A LUTA CONTRA IVANOV

No último ano, o ex-campeão peso pesado foi retirado de sua luta programada no UFC 215 contra Francis Ngannou após ter sido flagrado em um exame antidoping. Porém, meses depois, Cigano conseguiu provar na Justiça que foi vítima de um suplemento contaminado. Agora, prestes a subir novamente no octógono, o lutador tem consciência de que o duelo com o búlgaro não será fácil, mas afirmou que está preparado para retomar o caminho das vitórias.

“O Ivanov é um cara que vem do sambo, bastante duro, pelo o que a gente pode ver. Hoje em dia não há mais luta fácil, os atletas estão se preparando muito bem para toda luta e, principalmente, no UFC que concentra os maiores e melhores lutadores de MMA. Então, eu estou esperando uma luta dura e independente da estratégia dele, do que ele traga para a luta, eu estou pronto para vencer”, analisou.

POLÊMICA COM A USADA

“O episódio da USADA causou um pesadelo na minha vida, algo que eu nunca imaginei que passaria. É uma situação realmente complicada que me deixou muito muito triste. No início de tudo, depois que começaram as investigações lá da USADA, eu sentei em casa e não tinha o que eu fazer. Eu olhei para o meu filho, olhei para minha esposa, olhei para minha casa no geral e pensei: que situação horrível. Ser acusado de uma coisa que você não fez e você não poder fazer nada em relação a isso, a não ser esperar, é realmente complicado”.

10 ANOS DE UFC

“Eu não teria feito nada de diferente. Eu amo a minha carreira, eu amo quem eu sou, amo tudo o que eu fiz. Tenho muito orgulho de todos os meus passos dentro da organização e na minha vida também. Sou um cara extremamente orgulhoso da linha que eu percorri e não mudaria nada não. É claro que aconteceram erros, principalmente, nas derrotas que eu tive, erros bobos que eu cometi, que eu poderia querer voltar atrás para corrigi-los de alguma forma, mas vou te falar que tudo na vida da gente acontece por um motivo e o negócio é seguir em frente. O passado tá no passado e nada vai mudar mais e o futuro tá aí para a gente construir”.

Jornalista apaixonada por esporte, viagens e música.