Por Alexandre Matos | 21/09/2014 14:13

O Bellator 125, que aconteceu na última sexta-feira no Save Mart Center em Fresno, na Califórnia, foi liderado pelo maior nocauteador do MMA e também consolidou dois jovens prospectos brasileiros, um deles que inclusive precisava afastar todas as dúvidas que pairavam sobre seu retrospecto.

Abrindo o card principal, o jovem fenômeno Goiti Yamauchi, um dos personagens da coluna Radar MMA Brasil, fez aquilo que mais sabe: apertar pescoço de gente no primeiro round. Contra o experiente inglês Martin Stapleton, Goiti mais uma vez mostrou que enfrentá-lo no chão não é tarefa das mais recomendadas. Mesmo por baixo, o garoto de 21 anos tentou omoplata, travou Stapleton numa armadilha e teve a paciência dos monges para pegar as costas do oponente e, sem perder posição uma única vez, encaixar o décimo mata-leão da carreira, o oitavo no primeiro assalto. Cabe ressaltar que Goiti não recebeu um único soco durante o combate que durou 4 minutos e 37 segundos.

A vitória estendeu o cartel de Yamauchi para 18-2, sendo 5-1 no Bellator. Com a nova estrutura da organização, que aboliu os torneios, espera-se que o atleta nascido no Japão e criado em Curitiba receba oponentes postados entre os melhores da categoria no próximo ano.

Outro jovem brasileiro que brilhou na Califórnia foi o catarinense Julio Cesar Morceguinho, um ano mais novo que Goiti e revelação da RTF. Ele anotou o 19º nocaute da carreira, mais uma vez de modo espetacular, contra o rodado Poppies Martinez.

Quando despontou no cenário nacional com um cartel gigantesco para um sujeito que mal saíra da adolescência, Morceguinho conviveu com críticas e dúvidas, inclusive do MMA Brasil. Isto porque boa parte de seu histórico havia sido conquistado contra oponentes de qualificação duvidosa, a maior parte com carteis negativos. Porém, ao ser lançado na plataforma da segunda maior organização do MMA mundial, Julio Cesar mostra que é um perigo real na categoria onde reina Patricio Pitbull.

Ainda que não faça parte da elite da categoria, Martinez é duro o suficiente para credenciar Morceguinho. E o brasileiro fez o que quis. Baixou a guarda, rebolou, controlou a distância. E foi também efetivo. Um chute rodado violento explodiu contra o abdômen de Martinez e o mandou a knockdown três metros longe. Morceguinho trabalhou o ground and pound, defendeu uma tentativa de chave de perna e permitiu que o americano se levantasse apenas para ser mais castigado. Com a luta de volta à troca de golpes, uma joelhada voadora e marteladas incessantes no solo decretaram o fim de Martinez. Isso tudo em 2 minutos e 16 segundos.

Julio Cesar Morceguinho mandou Poppies Martinez a knockdown com um belo chute rodado (Foto: Dave Mandel/Sherdog.com)

Julio Cesar Morceguinho mandou Poppies Martinez a knockdown com um belo chute rodado (Foto: Dave Mandel/Sherdog.com)

A luta principal do Bellator 125 marcou a estreia do peso médio Melvin Manhoef. O holandês, que ostenta a maior marca do mundo em porcentagem de nocautes para lutadores com mais de 15 vitórias na carreira, aplicou mais um e levou seu retrospecto para 29-11-1, com incríveis 27 vitórias pela via rápida dolorosa.

A vítima da vez do kickboxer da lendária Mike’s Gym foi Doug Marshall, vencedor do torneio da oitava temporada e penúltimo desafiante de Alexander Shlemenko. Ao enquadrar o americano contra a grade, Manhoef largou o braço em direção do oponente, quando um gancho de direita atingiu Marshall atrás da orelha. Como resultado, Doug desabou de cara no chão. O nocaute transformou o ex-K-1 no próximo desafiante do cinturão de Shlemenko.

O terceiro brasileiro em ação no Bellator 125 foi Rafael Carvalho, que fez a luta coprincipal contra Brian Rogers, duas vezes semifinalista de torneios na organização. Rafael chegou à décima vitória consecutiva, a nona por nocaute (ele só perdeu a luta inicial da carreira, somando agora cartel de 10-1), depois de brutalizar o americano com uma saraivada enorme de socos contra a grade.