José Aldo mostra confiança na nova divisão: “Acho que esse é meu peso ideal”

Por Gustavo Bizzo | 14/12/2019 10:39

Neste sábado, 14, organização e público poderão assistir a um momento inédito na carreira de um dos lutadores mais conhecidos do MMA nacional. José Aldo fará sua estreia no peso galo no UFC 245, mostrando sua primeira performance nos 61 kg contra o compatriota Marlon Moraes. Hoje, véspera do evento, o campeão do povo já provou que consegue bater o limite da categoria sem passar por sufoco – pelo menos publicamente -, sem ajuda de toalha e sem quase desmaiar na balança.

Apensar de já termos visto grandes nomes do esporte bambearem o queixo ao explorarem novos territórios dentro do UFC – caso do ex-campeão, atualmente em suspensão por doping, TJ Dillashaw – Aldo garante que não é o seu caso. Em entrevista coletiva em sua academia, a Nova União, o atleta garantiu que não perdeu queixo ou potência. Na verdade, o contrário. “Muito difícil você ver um peso galo mais forte que eu hoje. Sem dúvida, com certeza, não existe. Em questão de força física, não tem como. Me sinto um cavalo ali [no sparring] dentro”, assegurou.

Os resultados dos treinos, desde a decisão de descer para os galos, de acordo com Aldo, estão sendo tão positivos que sua performance, inclusive, deve melhorar em relação ao peso pena: “Acho que esse é meu peso ideal (…) Nos treinos de explosão, eu cansava mais rápido, acho que tinha muito peso no corpo. Lógico que tem a dificuldade de bater o peso galo, mas posso treinar forte, posso treinar da maneira que o Dedé [Pederneiras] pede. Tô muito bem preparado e forte”, disse. “Todo mundo acha que você fica mais fraco, mas é tudo uma dieta, preparação e foco. É a maneira que você faz. Tô me sentindo muito forte. A absorção de golpe também, isso tá do mesmo jeito”, completa.

Os efeitos da mudança de divisão não estão sendo percebidos apenas no corpo do manauara. Isso porque, conforme vinha sendo observado e especulado desde que Aldo sofreu sua derrota pelas mãos de Conor McGregor, a motivação vinha sendo uma característica questionada nos passos que o atleta vinha dando dentro da organização. “Não tem o porquê parar agora, quero continuar, conquistar o peso galo e fazer mais história aí (…) Tô conseguindo treinar bem, tô veloz, rápido. Tô como nunca estive”, celebrou.

A confiança no que os colegas de treino da Nova União vêm assistindo vem injetando, de fato, algumas doses a mais de motivação na corrente sanguínea de Aldo, que mal pode esperar para estrear nos 61 kg: “Eu tô muito curioso. Tô muito bem fisicamente e tecnicamente. A ansiedade tá muito grande. Quero ver logo como vai ser a última semana, com o corte de peso. Todo mundo diz que vai ser muito fácil, já que meu peso tá caindo muito. Inclusive eu tive que mudar um pouco a dieta, pra subir um pouco mais de peso porque já tava batendo 67, 68 treinando forte pra caramba. Coisa que, em semana das lutas [no peso pena], eu batia aos trancos e barrancos, chorando já. Agora, tô treinando mais leve. Isso tá me deixando curioso e com muita ansiedade”.

“Não tem o porquê parar agora, quero continuar, conquistar o peso galo e fazer mais história aí (…) Tô conseguindo treinar bem, tô veloz, rápido. Tô como nunca estive”

A ansiedade está grande, mas não tanto. Isso porque José Aldo não quer dar um passo maior do que as pernas. Ao ser questionado sobre possíveis desafios ao atual campeão da divisão, Henry Cejudo, Aldo garante que está concentrado para o compromisso deste sábado. Não só concentrado, mas também confiante na combinação de estilos que sua luta com Marlon Moraes deve proporcionar: “Pra mim é muito mais fácil [a combinação de jogo com trocação]. Se mantiver a luta em pé, pra mim, é melhor. É onde eu me sinto mais à vontade. É uma luta bem tranquila, em relação ao casamento de estilos”.

E não, não crie esperanças de finalmente ver o campeão do povo explorando seu histórico na arte suave. “Dentro do Ultimate é muito difícil eu colocar pra baixo. É MMA, lógico, a gente tem a possibilidade de jogar pra baixo, claro, mas, pra mim, se a lutar ficar só em pé, não tem problema nenhum”

Quando uma porta se fecha, uma janela se abre

Alexander Volkanovski teve sua melhor atuação contra José Aldo

A derrota agridoce: ter sido vencido no Rio de Janeiro, com uma performance fraca, fez Aldo se arriscar e dar um novo passo na carreira, segundo o próprio.

José Aldo é mais uma prova viva de que certos males vêm para o bem. Isso porque o atleta garante que, se não tivesse sido derrotado, da maneira que foi derrotado por Alexander Volkanovski – que, na mesma noite, disputa o cinturão de Max Holloway -, não estaria dando esse passo inédita na carreira. “Aquela derrota me fez muito bem, eu aprendi bastante. Hoje em dia eu tô passando por uma nova fase, me fez mudar de pensamento e tô pensando em lutar muito mais do que eu queria”.

Para Aldo, o amargor contra o Australiano foi tão pesado que chegou a abatê-lo psicologicamente ainda mais do que quando foi nocauteado por Conor McGregor no Brasil. Esse peso todo vem do quanto o brasileiro considerou sua performance fraca, em relação às suas lutas anteriores. “Eu sinto vergonha daquilo, não consigo nem ver aquela luta (…) Fui muito burro. Eu passei por uma cirurgia no joelho. Ninguém queria que eu lutasse e eu fui lá, fui burro e pedi a luta. Queria por queria lutar, fui lá e fiz o que fiz. Não é desculpa por ter perdido. A partir do momento que eu aceito a luta, meu trabalho é me mostrar lá dentro. Foi erro meu”

“Derrota faz parte do esporte, não tem problema nenhum, mas eu tenho que dar tudo, entregar tudo. Agora é uma nova fase, tô muito empolgado”

Em retrospecto, ao analisar a luta, Aldo reforça a performance o peso do desempenho abaixo do esperado, com o agravante de ter se apresentado dessa forma em casa. “Foi uma merda. Eu não posso fazer aquilo. Quis a luta, pedi a torcida, fiz tudo e, na hora e no dia, não fiz nada. Lutei muito abaixo do que eu posso fazer. Derrota faz parte do esporte, não tem problema nenhum, mas eu tenho que dar tudo, entregar tudo. Agora é uma nova fase, tô muito empolgado”

José Aldo vai tentar comprovar sua confiança e retomar o caminho para o ouro neste sábado, 14 de dezembro, contra Marlon Moraes, durante o UFC 245. O evento acontecerá em Las Vegas, na T-Mobile Arena.