Johnny Walker comenta ascensão meteórica e dispara: “Eu quero bater o Jon Jones. Agora”

Por Gustavo Bizzo | 13/05/2019 10:33

Em crescimento meteórico desde sua estreia no UFC, Johnny Walker vem construindo sua reputação a passos largos. O brasileiro está na organização há apenas seis meses e lutou por somente dois minutos e dez segundos. Em casos mais ordinários, isso poderia significar apenas o tempo de atuação na estreia do atleta mas, no caso de Walker, o buraco é mais fundo. Esses números representam não uma, mas três vezes em que o carioca entrou no octógono, todas interrompidas no primeiro assalto por nocautes explosivos. Além da alta frequência, os três combates, sem exceção, renderam a Walker o prêmio de performance da noite.

Graças a uma categoria tão profunda quanto um pires, os resultados vieram mais rápido. Hoje, Johnny Walker é o 13º ranqueado do peso meio-pesado. Em coletiva de imprensa concedida no UFC 237, o brasileiro não economizou palavras para falar aonde pretende chegar no curto prazo: “Eu quero bater o Jon Jones. Agora”. Ainda assim, mesmo considerando o crescimento acelerado de visibilidade que suas últimas três atuações renderam, Walker também exibe sobriedade e mostra que tem os pés no chão. “Qualquer um que colocar, eu vou enfrentar, mas prefiro alguém do top 5. Qualquer um acima de mim, vai, mas quero o Jon Jones. Eu entendo que tem que ser devagarzinho, não quero roubar o espaço de ninguém. Tem gente que já merece mais que eu, tenho muito trabalho pra mostrar”.

“Eu não queria que ele [Marreta] ganhasse porque eu quero fazer história. Eu quero bater o Jon Jones”

Questionado sobre quem já mostrou resultado e está com a senha na mão, pronto para enfrentar o bicho papão dos 93 kg, Johnny comentou sobre a luta que acontecerá entre Thiago Marreta e Jon Jones. “O Marreta tem grande chance de vencer. Tem mão dura, pesada. Torço por ele, sou patriota, claro”, disse o brasileiro, torcendo pelo compatriota. Pero no mucho. “Eu não queria que ele ganhasse porque eu quero fazer história. Eu quero bater o Jon Jones (risos)”. Ainda como fruto da densidade da divisão meio pesada, Walker se sente confiante em relação ao timing para fazer seu confronto com Bones. “Cara, eu acho que mais uma ou duas, mas eu já tô pronto pra enfrentar o Jon Jones. Só preciso recuperar o ombro e fazer um camp decente. Tenho técnica o suficiente pra isso. Acho que ele não tem nada pra me surpreender”.

“A cirurgia foi há dois meses, foi um sucesso (…) Mas não posso voltar rápido demais, senão ganho outra lesão e outra cirurgia”

Além do número de combates até o title shot, uma lesão no ombro deve impedir que o brasileiro mantenha a frequência alta de lutas. Ironicamente, quem mais machucou Johnny Walker foi o próprio. Em sua última vitória, após nocautear Misha Cirkunov com uma joelhada voadora, no UFC Fortaleza, Walker se presenteou com uma lesão no ombro enquanto fazia sua dança de comemoração. Praticando exercícios mais leves, como ioga e alongamentos, ele já começa a se recuperar. “A cirurgia foi há dois meses, foi um sucesso. Ainda não sei quanto tempo preciso esperar, tenho que falar com os médicos. Mas não posso voltar rápido demais, senão ganho outra lesão e outra cirurgia. Se me deixarem voltar a treinar mais pesado, já devo ter uma luta marcada nos próximos meses”.

O ímpeto de fazer um espetáculo, mesmo quando a própria luta está finalizada já rendeu puxões de orelha do chefão da organização. “O próprio Dana White falou: ‘O garoto é bom, tem talento, mas essas comemorações tão atrasando ele’, e é verdade. Eu tenho que segurar um pouco a onda, eu tenho muita energia. É porque eu me preparo pra fazer cinco rounds, aí a luta acaba no primeiro, com um minuto ou menos, entendeu? Eu tenho que gastar essa energia toda, e acabo extrapolando um pouco [risos]”, explicou Walker com bom humor.

Johnny Walker comemora vitória no UFC Fortaleza (Foto: Jason Silva/MMA Brasil)

Johnny Walker comemora vitória no UFC Fortaleza (Foto: Jason Silva/MMA Brasil)

A ficha caiu?

Johnny Walker é uma figura que dá poucas razões para o público não se sentir tentado a embarcar no trem do hype. Estilo de luta não-ortodoxo, mas ao mesmo tempo plástico e fluido; poder de nocaute; carisma e personalidade independentes do trash talk, algo importante principalmente para o público do Brasil; e, claro, as já famosas danças ao lado dos oponentes babando chão do octógono. Talvez pelo momento, em que o Brasil tem duas representantes com ouro na mão, a boa vontade do grande público, em busca de novos ídolos para rechearem mais categorias, seja maior. Mas Edmund Burke já nos ensinou: “Um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la”. Alguém viu Erick Silva ou William Patolino se tornarem os novos Anderson Silva ou José Aldo?

“A parte psicológica é meu maior segredo. É meu melhor (…) Eu sou bem consciente de tudo que eu faço”

Walker diz que a ficha já caiu, que entende o momento em que está a sua carreira, mas garante que não está deslumbrado que o preparo físico não é a sua única preocupação. “A parte psicológica é meu maior segredo. É meu melhor. A ficha já caiu desde a primeira luta. Minha estreia foi contra o Khalil Rountree, fiz um bom trabalho, nocauteei. Ganhei bônus em todas as lutas, dei nocaute em todos no primeiro round. Eu senti e tô entendendo como a luta funciona, e é muito natural pra mim. Eu sei que tô seguindo o caminho certo. Tô pronto”, disse. Na contramão da estratégia de promoção de muitos estreantes que se inspiram em Conor McGregor, Johnny não considera adotar trash talk e diz que prefere confiar em sua autenticidade para se conectar com o público.

Em demonstração de entendimento do lugar que ocupa hoje como figura pública e que entende as consequências dos seus atos, o carioca exemplificou os efeitos práticas dessa preparação psicológica. “Eu sou bem consciente de tudo que eu faço (…) um russo arranjou problema comigo e os caras quiseram todos me bater. Eu simplesmente abaixei a cabeça e fui embora. Fazer o que, não posso sujar minha imagem. Eu podia muito bem bater em todo mundo que tava lá. Você tem que se controlar e saber lidar com a situação”, disse que Walker, que não quer cometer os mesmos erros que o dono da categoria. “O cara nem deve ser mal igual a gente vê pela televisão. Pelo que eu vi, o cara [Jon Jones] parece ser uma ótima pessoa (…) mas sendo famoso, dinheiro, festa, é novo, aí suja a imagem dele. Mas ele precisava saber como lidar com isso”, completa.

Walker também comentou também sobre a mudança para a Tailândia e como depender de parcerias no no Brasil tem sido desvantajoso para sua carreira, o que o motivou a atuar mais no exterior. “Ainda não consegui nenhum patrocínio aqui no Brasil, todos tão vindo de fora. Estados Unidos e outros lugares, mas nada do Brasil. Eu gostaria muito de levar a bandeira do Brasil em todas as minhas lutas, só que eu vou levar de quem tá me apoiando, né? Posso até ir com a dos EUA na próxima, tô com grandes patrocínios lá”, disse Johnny, que entrou com a bandeira nacional no UFC Fortaleza. “Eu queria muito fazer isso pelo Brasil, mas, até agora, nada vem daqui”, completou o atleta.