Jogos Olímpicos 2012: último dia de competições do judô

No ultimo dia de disputas do judô, equipe brasileira confirma a previsão de quatro medalhas e garante a melhor participação do país na história dos Jogos

E, no final, tudo deu certo

O último dia de lutas na Arena ExCel, em Londres, veio apenas confirmar o que já suspeitávamos: o judô brasileiro teve a melhor participação em Olimpíadas de todos os tempos. O grande destaque ficou para a equipe feminina, que trouxe a única medalha de ouro da modalidade.

Os nossos representantes deste último dia foram Rafael “Baby” Silva e Maria Suelen Altheman, respectivamente 3º e 8ª nos rankings mundiais. Ambos vêm de vitórias muito importantes nos últimos seis meses nas competições internacionais.

A primeira luta do carismático “Baby” foi contra o atleta da Islândia Thormodur Jonsson que, com menos de dois minutos de luta, tomou um ippon de o-soto-gari, abrindo as portas para as oitavas de final.

A segunda luta foi contra o lituano Marius Paskevicius. O brasileiro começou tendo dificuldade para acertar a pegada e acabou tomando uma advertência por falta de combatividade. Já com a pegada ideal, aos 2min36s do Golden Score, “Baby” encaixou um belo harai-makikomi e conseguiu o ippon.

O terceiro combate foi contra o russo Alexander Mikhaylin. Em uma luta muito estudada, ambos foram punidos com um shido e foram para o Golden Score. A luta continuou muito amarrada, mas com o brasileiro tomando mais a iniciativa. Como o empate permaneceu na prorrogação, a decisão foi para hantei (bandeiras) e a vitória por decisão unânime foi para o russo. O sonho de “Baby” não morreu, apenas a cor da medalha mudou para bronze.

Na sua quarta luta, já pela repescagem contra Barna Bor da Hungria, o placar terminou mais uma vez empatado no tempo regulamentar. “Baby” foi para o seu terceiro Golden Score do dia e o placar novamente não se alterou, só restando mais uma vez a decisão por hantei, desta vez com vitória para o brasileiro.

A grande pergunta do dia era se Rafael “Baby” Silva se recuperaria do desgaste de três lutas que foram para o Golden Score e estaria a 100% para a disputa da medalha de bronze contra o sul coreano Kim Sung Min. Para manter a emoção e quase matar os brasileiros do coração, ambos tomaram punição no tempo regulamentar e mais uma vez a decisão foi para o Golden Score. Como Kim Sung fugiu da luta o tempo todo, os árbitros se reuniram e puniram o sul-coreano com um shido, que deu a vitória merecida e a medalha de bronze para o brasileiro.

Rafael Silva conquistou a medalha de bronze

No feminino, Maria Suelen Altheman, 8ª do ranking mundial, fez sua primeira luta contra a duríssima francesa Ana Sophie Mondiere. A brasileira não se intimidou e venceu por um wazari, mostrando que as aulas particulares com seu marido, o medalhista de prata em Sydney Carlos Honorato, fizeram a diferença.

A segunda luta do dia contra foi contra a atleta da Tunísia Nihel Rouhou. A brasileira se mostrou muito focada e, com um sasae-tsuri-komi-ashi, conseguiu um ippon e avançou para as quartas-de-final. O terceiro combate, contra Mika Sugimoto, desde o seu início mostrou que Maria Suelen não estava à vontade com o ritmo imposto pela japonesa. Faltando apenas 48s para o final, foi surpreendida por um harai-goshi e perdeu por ippon.

Fora da final olímpica, mas não de tentar uma medalha de bronze, a brasileira voltou ao tatame para encarar Gulzhan Issanova, do Cazaquistão. Com muita vontade, Maria Suelen conseguiu um wazari de o-soto-gari aos 3min10s. Faltando 12s para o final, foi beneficiada com um yuko de punição da cazaque.

A disputa da medalha de bronze foi contra a heptacampeã mundial, a chinesa Wen Tong, que já foi pega no controle de dopagem e, por um erro na abertura da contraprova, foi absolvida pela WADA, mas não pela opinião pública. A luta começou muito melhor para brasileira, que conseguia impor seu jogo, mas o cansaço parece que venceu Suelen. Ela diminuiu drasticamente seu ritmo e nem os gritos de incentivo da técnica Rosicléia Campos conseguiram fazer com que a brasileira reagisse. Com uma aparente lesão no braço, Suellen aceitou o ippon da chinesa aos 4min13s e ficou com um honroso 5º lugar.

RESULTADO FINAL DO ÚLTIMO DIA DE COMPETIÇÕES

Categoria +100 quilos (Masculino)

Teddy Riner – FRANÇA
Alexander Mikhaylin – RÚSSIA
Rafael Silva – BRASIL
Andreas Toelzer – ALEMANHA

Categoria +78 quilos (Feminino)

Idalys Ortiz – CUBA
Mika Sugimoto – JAPÃO
Karina Bryant – GRÃ BRETANHA
Wen Tong – CHINA

Parabéns a todos os membros da comissão técnica do judô pelo excelente trabalho neste Ciclo Olímpico, que possibilitou o melhor resultado de todos os tempos para a modalidade. Agora é hora de voltar pro Brasil e comemorar as conquistas.

  • Queria agradecer ao Ney Wilson, Luis Shinohara, Rosicleia Campos e a todos que ajudaram a levar o judô brasileiro ao nível de potência mundial. Aos atletas, pela dedicação constante. E, claro, pra Priscila, que abrilhantou o MMA Brasil durante esta semana.

    Viva o judô brasileiro!

  • Rafael Alves

    Parabens mesmo, ao Alexandre por conseguir colaboradores excepcionais para quaisquer assuntos e para Priscila pelo nível e analises.
    Só uma pergunta, se o Baby tomou mais a iniciativa, foi injusta a derrota para o Russo? Ou iniciativa nao e o critério aqui?
    Ps. Tenho acompanhado na dobradinha Record e Record News… Nao sei vocês mas achei muito boa a cobertura do judo com bons comentários em ambos.

    • Priscila Coellen

      Ele se apresentava pra luta tomava a iniciativa dos golpes porém sem nenhuma efetividade. O volume do russo era menor em primeiro momento mas com um índice de acerto maior. Existe o ataque e defesa , para a efetividade do golpe, ou seja,eu posso partir pra colocar ritmo e volume e não conseguir eficácia nos meus golpes porque meu adversário bloqueia tudo