Por Priscila Coellen | 29/07/2012 22:46

Do céu ao inferno

O dia de hoje não foi positivo para os judocas brasileiros Leandro Cunha (categoria até 66 quilos) e Erika Miranda (categoria até 52 quilos). Depois de um primeiro dia histórico, com as medalhas de ouro de Sarah Menezes e bronze de Felipe Kitadai, o judô viveu seu inferno astral nos tatames da Arena ExCel, em Londres.

Leandro Cunha, conhecido como “Coxinha”, já foi duas vezes medalhista de prata em Mundiais e atualmente ocupa a 6ª posição no ranking mundial e a 4ª no ranking olímpico, entrou como favorito para a luta contra o polonês Pavel Zagrodnik, 48° no ranking mundial e 9° no ranking olímpico. O brasileiro encontrou muita dificuldade para impor seu jogo e conseguir fazer sua melhor pegada. Por conta da sua falta de ritmo, o brasileiro sofreu uma punição (shido) a 1min04s de luta.

O polonês mostrou uma estratégia perfeita para bloquear o jogo do brasileiro e, após quatro tentativas de realizar um seoi nage perfeito, conseguiu um yuko faltando 2min16s para o final da luta. Nesse momento, Leandro, que estava visivelmente abatido e confuso, acabou entrando de vez no jogo de Zagrodnik e deixou escapar a chance de avançar em busca de uma medalha.

Leandro Cunha perdeu na estreia para o polonês Pavel Zagrodnik

Momentos depois, quem entrou no tatame foi a experiente judoca Erika Miranda, 4ª no ranking mundial e 3ª no ranking olímpico, contra a sul coreana OK Kim Kyung, 23ª no ranking mundial e 17ª no ranking olímpico. Se fôssemos apostar em uma vencedora pelo retrospecto dos últimos anos, a vitória seria, sem nenhuma dúvida, da brasileira. Mas como no judô o ranking não garante vitória, tivemos a nossa segunda decepção do dia.

A luta começou bem agitada, com a sul-coreana partindo para cima da brasileira e conseguindo um yuko com apenas 1min01s de luta. Erika não se entregou, mas teve que mudar sua estratégia para forçar um erro da sua adversária, o que acabou acontecendo aos 4min07s, quando Kyung tomou uma punição (shido). A luta então terminou empatada e seguiu para a prorrogação.

No início do Golden Score, o combate foi para o solo, que é a especialidade da sul-coreana. Nesse momento, Erika Miranda acabou estrangulada e deu adeus às Olimpíadas. Visivelmente emocionada e chorando muito, a brasileira deixou o tatame sem dar entrevistas e, posteriormente, pediu desculpas por não ter representado bem o Brasil.

Erika Miranda foi surpreendida pela coreana OK Kim Kyung

O segundo dia de competições foi marcado pelas derrotas precoces dos favoritos a medalhas Khashbaatar Tsagaanbaatar, da Mongólia, e Musa Mogushkov, da Rússia, que não ficaram nem entre os sete melhores da categoria até 66 quilos.

A grande polêmica do dia, que gerou muitos protestos por parte do público presente na Arena ExCel e amantes do judô, aconteceu na luta entre o japonês Masashi Ebinuma e o sul-coreano Jun-Ho Cho. Após uma luta equilibradíssima, que terminou empatada no tempo regulamentar e no Golden Score, a decisão foi para hantei (bandeira). Neste tipo de decisão, o árbitro central e os dois laterais levantam uma bandeira com a cor do quimono do judoca que eles consideram ter sido o vencedor do combate.

Tanto o árbitro central, o brasileiro Edson Minakawa, como os dois árbitros laterais levantaram a bandeira azul, que dava a vitória ao sul-coreano Cho. Após uma interferência de Juan Barcos, Diretor de Arbitragem da FIJ, com o respaldo do Presidente Marius Vizer, a vitória foi retirada e os três árbitros apontaram a vitória, também de forma unânime, para o japonês Ebinuma. Por sorte – ou azar do destino – e para minimizar a lambança cometida pela FIJ, o sul-coreano seguiu adiante na chave de repescagem e os dois judocas terminaram em terceiro lugar, ficando com a medalha de bronze.

RESULTADO FINAL DO SEGUNDO DIA DE COMPETIÇÕES DO JUDÔ

Categoria até 66 quilos (masculino)

Lasha Shavdatuashvili – GEÓRGIA
Miklos Ungvari – HUNGRIA
Masashi Ebinuma – JAPÃO
Jun-Ho Cho – COREIA DO SUL

Categoria até 52 quilos (feminino)

An Kum Ae – COREIA DO NORTE
Yanet Bermoy – CUBA
Rosalba Forciniti – ITÁLIA
Priscilla Gneto – FRANÇA

Agora é esquecer o que passou, não se abater e torcer amanhã pelos judocas Bruno Mendonça (categoria até 73 quilos) e Rafaela Silva, atual vice-campeã mundial da categoria até 57 quilos.