Por Priscila Coellen | 28/07/2012 17:51

A trajetória de dois campeões

Hoje, sem sombra de dúvida, é um dia histórico para o Judô nacional. Afinal de contas, nunca antes na história esportiva do nosso país conquistamos uma medalha de ouro no primeiro dia oficial de competições.

A conquista inédita do tão sonhado ouro do judô feminino veio através da atleta piauiense da categoria ligeiro (até 48 quilos) Sarah Menezes, exatamente 20 anos depois da conquista do último ouro olímpico do judô nacional, com Rogério Sampaio, em Barcelona. De forma não menos merecedora e honrosa, ainda tivemos a medalha de bronze do paulista Felipe Kitadai, que completa 22 anos hoje e não era apontado como um possível medalhista.

Com a Arena ExCeL de Londres completamente lotada, Sarah, que é a segunda colocada no ranking olímpico, começou sua jornada com uma luta dura contra a até então desconhecida vietnamita Tu Van Ngog. A brasileira venceu por dois yukos. A segunda luta foi contra a francesa Laetitia Payet, que dificultou muito a pegada de gola e manga da brasileira. Porém, aos 4min42s de luta, Sarah conseguiu um contragolpe, marcou um yuko e venceu a luta.

A terceira luta, já pelas quartas-de-final, foi contra a chinesa Shugen Wu, velha conhecida da brasileira. As duas já se enfrentaram quatro vezes e Sarah ganhou em três oportunidades. A postura defensiva da chinesa fez com que ela fosse punida com um shido aos 03min05s, abrindo as portas da semifinal para a brasileira. A penúltima luta de Sarah foi contra fortíssima belga Charline Van Snick, que acabou cedendo um yuko faltando 2min42s para acabar a luta, já garantindo assim, na pior das hipóteses, uma medalha de prata histórica para o Brasil.

A final foi contra a atual campeã olímpica, a romena Alina Dumitru, que pareceu ter lutado com o ombro lesionado. A brasileira não se intimidou com os títulos da adversária e lutou de forma consciente e agressiva, partindo para cima o tempo todo. Sarah sagrou-se campeã olímpica com um belíssimo wazari. A piauiense parecia não acreditar no feito histórico de sua conquista e o que isto representa para o esporte nacional.

Felipe Kitadai surpreende e garante medalha no dia do aniversário

Em um dia muito inspirado, Felipe Kitadai começou a escrever sua história no esporte nacional contra o atleta da Mongólia Urantsetseg Munkhbat e, logo aos 50 segundos, conseguiu um yuko com um ouchi gari. Aos 3min38s de luta, o brasileiro aplicou um seoi nage e garantiu um wazari e a vaga nas oitavas-de-final.

A segunda luta de Kitadai, contra o saudita Eisa Majrashi foi a mais tranquila de todas. A primeira pontuação foi um yuko aos 2min58s, seguido por um wazari aos 3min45s, ambos de ouchi gari. A luta seguiu no chão, com o saudita sendo imobilizado e o brasileiro conseguindo o ippon.

Os problemas de Kitadai surgiram nas quartas-de-final, contra o medalhista de bronze em Pequim e atual campeão mundial, o atleta do Uzbequistão Rishod Sobirov. A luta ia bem parelha até os três minutos, quando Sobirov usou de toda sua experiência em grandes competições e, aos 3min58s, aplicou um ippon no brasileiro, que foi direto para repescagem em busca do bronze.

A preparação psicológica fez toda a diferença na repescagem. Kitadai não se deixou abater pela derrota e manteve o foco contra o duríssimo coreano Hyeon Choi Gwang. A luta terminou empatada no tempo regulamentar e, aos 2min11s, o brasileiro conseguiu um yuko e avançou para a disputa da medalha de bronze.

O bronze olímpico de Felipe veio na luta contra o italiano Elio Verdi. Ambos tomaram um shido no tempo regulamentar e foram para o Golden Score. Aos 2min15s, com um seoi nage, o brasileiro venceu a luta por um yuko. Muito emocionado e chorando bastante, Felipe Kitadai, que não chegou como favorito, mostrou ao mundo que tem muito potencial – e pelo menos mais duas Olimpíadas pela frente.

O dia não poderia ter sido melhor para os judocas brasileiros em Londres. O saldo mais do que positivo mostra que os investimentos e planejamento adequado da Confederação Brasileira de Judô estão se transformando em medalhas. E vale a pena lembrar que ainda temos seis dias de disputas em Londres e doze medalhas em jogo. São grandes as chances dos judocas Leandro Cunha (-66kg) e Erika Miranda (-52kg) amanhã nos tatames. Ambos são experientes e vêm de uma sequência de bons resultados internacionais.