Jimi Manuwa tem noite de Mark Hunt e detona Corey Anderson no UFC Fight Night 107

No UFC Fight Night 107, apenas um dos lutadores preferidos da torcida não venceu no card principal, logo quem a torcida mais se importava. Brad Pickett deixou escapar a vitória derradeira, mas Jimi Manuwa confirmou seu lugar na elite dos meios-pesados.

Brad Pickett chegou muito perto de se despedir com vitória na frente de seu povo, mas acabou nocauteado. Como se fosse um tributo ao veterano que fecha sua conta e passa a régua, Jimi Manuwa fez uso do “One Punch” para seguir sua caminhada. A O2 Arena, em Londres, recebeu 15.761 torcedores para um card que começou morno, mas engrenou quando era mesmo esperado que engrenasse. Como nosso titular Alexandre Matos está cobrindo in loco o Brave CF 3, em Curitiba, vem de Bangu o resumão do que aconteceu em terras bretãs.

Jimi Manuwa aniquila Corey Anderson com um lindo walk-off knockout

Pela segunda vez liderando um card no país que o acolheu, finalmente Jimi Manuwa comemorou ao lado da torcida. Ele aplicou um nocaute sensacional em Corey Anderson no primeiro assalto.

O duelo começou com Manuwa plantando no centro do octógono e assumindo o papel de caçador, enquanto Anderson aparentava nervosismo e circulava para o seu lado direito, evitando a mão direita de Jimi. Nos primeiros minutos, três tentativas de quedas desastradas e sem fintas deram o tom do buraco em que Corey se encontrava, o que facilitou a defesa do atleta local.

Com uma sincronizada de passada, Manuwa encaixou violento jab que deixou Anderson levemente tonto e se postou na distância exata para soltar um diabólico gancho de esquerda, com potência quase inacreditável, mais do que suficiente para Corey trocar as pernas, cair babando e perder som e imagem. Manuwa apenas emulou Mark Hunt e “saiu saindo” enquanto o árbitro Leon Roberts acudia o moribundo americano, na marca de 3:05 de luta. Manuwa abocanhou 50 mil dólares por um dos bônus de desempenho do evento.

Para o repórter Dan Hardy, Manuwa disse que deseja enfrentar o vencedor da luta entre Anthony Johnson e Daniel Cormier ou… David Haye, veterano britânico ex-campeão mundial de boxe. Está mesmo virando moda.

Gunnar Nelson controla o ímpeto de Alan Jouban com técnica impecável

Para quem estava com saudade do talento de Gunnar Nelson, o duelo contra Alan Jouban mostrou a capacidade do islandês de trocar pancadas e passear no chão.

Jouban começou o combate tentando manter Nelson na longa distância usando movimentação e chutes, mas o americano sósia de Cristiano Ronaldo não é reconhecido por sua disciplina tática. Uma hora ele erraria a movimentação de qualquer forma e foi nesse momento que Nelson aproveitou para levar a luta para o chão e só sair de cima depois de várias passadas de guarda e do ressoar da buzina indicando o fim do primeiro round.

Na segunda parcial, Jouban mandou a estratégia para o inferno e se abriu, como de costume. Pagou caro logo aos 35 segundos, quando um cruzado de direita de Nelson explodiu em seu nariz, fazendo-o dançar sem música no octógono, abrindo caminho para violenta canelada e uma guilhotina que o fez batucar. Mais uma vitória do ótimo lutador islandês, que também catou um dos bônus de desempenho, ficando 50 mil dólares mais rico.

Marlon Vera impede que Brad Pickett se aposente com vitória

Aqueles que acham que há lutas combinadas no alto nível do MMA sofreram mais um golpe. Na luta de despedida de Brad Pickett diante de seus compatriotas, o latino Marlon Vera conseguiu uma virada espetacular.

O equatoriano começou o combate sabiamente mantendo a luta na longa distância, acertando chutes fortes na perna e na linha de cintura de Pickett. Porém, a falta de jogo de mãos cobrou o preço e não foi muito difícil para o inglês diminuir a distância e chegar à queda. Ao se levantar, Vera continuou na tática de chutar, até que um curto gancho de esquerda de Pickett o mandou a knockdown. Com mais alguns golpes variando corpo e cabeça, o anfitrião garantiu o 10-9.

O segundo round começou com uma boa joelhada de Vera, respondida com uma sequência de overhands e uma bela queda por parte do inglês. Pickett manteve-se ativo no chão, não muito a ponto de causar danos ao sul-americano, nem pouco a ponto de o juiz mandar levantar. No minuto final, Vera levantou e diminuiu o prejuízo, mas ainda viu Pickett abrir 20-18 no combate.

Marlon ligou o senso de urgência e aumentou a velocidade no terceiro round, colocando pimenta na luta. Pickett parecia cansado e apostava tudo em mata-cobras desconexos. O último assalto da carreira do veterano foi como um veredito definitivo que estava mesmo na hora de parar: um chute alto violento, seguido de duas marteladas no chão, deu fim ao combate, mandando Brad ao solo, em um final infeliz de sua jornada na frente de seus fãs. O público reclamou da interrupção, mas o árbitro Grant Waterman agiu de forma correta.

Os dois lutadores emocionados deixaram as lágrimas livres nas entrevistas para Dan Hardy. Pickett deixou seu famoso chapéu no centro do octógono. Vera, por sua vez, conquistou a maior vitória de sua carreira e somou 50 mil dólares pelo bônus de desempenho da noite.

Pela última vez, Brad Pickett se dirigiu ao octógono com seu chapéu, suspensórios e jornalzinho a tiracolo. A organização do evento fez com que essa parte do show tivesse tratamento de luta principal, com luzes apagadas e público aplaudindo de pé. Os que acompanham há pouco tempo podem não saber, mas esse sujeito já foi um dos atletas mais empolgantes de todo o plantel do UFC. Em nome de todos do MMA Brasil, deixo aqui um “muito obrigado” ao “One Punch” por sua bela carreira.

Na disputa das promessas, Arnold Allen leva a melhor em casa sobre Makwan Amirkhani

O confronto de estilos acabou pendendo para o de Makwan Amirkhani, mas quem saiu do octógono com a vitória foi Arnold Allen na luta que abriu o card principal.

Amirkhani e Allen entregaram uma ótima luta, na medida exata do que era esperado. O curdo naturalizado finlandês iniciou o combate a mil por hora, como de costume. Depois de rápida troca de golpes, ele conseguiu levar Allen para o chão, ameaçou um triângulo de mão e uma guilhotina, mas ambos foram bem defendidos por Allen, que inverteu a posição e aproveitou para golpear. Amirkhani conseguiu levantar e aplicar nova queda, desta vez sem ação no solo. Com um minuto final melhor, Makwan garantiu o 10-9 na primeira parcial.

Allen conseguiu expandir o tempo do domínio no segundo round, acertando golpes mais contundentes e atacando mesmo quando esteve por baixo. Apesar da melhora do finlandês no finalzinho, Allen empatou a luta em 19-19 e deixou a decisão para o último assalto.

O round derradeiro manteve o roteiro de equilíbrio dos demais. Allen conseguia negar as quedas com mais facilidade, aproveitando um desgaste natural do finlandês, até menos de dois minutos do fim, quando Amirkhani atingiu seu objetivo, mas novamente a luta de solo foi improdutiva. Com um pouco mais de volume de jogo, o inglês garantiu a vitória em nossa contagem por 29-28, terminando o duelo com uma ameaça de mata-leão. No fim, dois juízes deram a vitória a Arnold Allen por 30-27, enquanto o terceiro marcou 29-28 para o rival.

Brasileiros no card preliminar do UFC Fight Night 107

Dois brasileiros marcaram presença no card preliminar da O2 Arena. Francimar Bodão e o inglês Darren Stewart passaram a limpo o no contest do último mês de novembro, em São Paulo.

O inglês largou melhor na luta, partindo com uma queda e um momento de domínio no solo. Na metade do tempo, o duelo voltou a acontecer em pé e Stewart manteve a liderança com mais velocidade e potência. No segundo round, aquele jogo de pressionar na grade com pouca contundência – tradicional do brasileiro – apareceu e Bodão empatou a luta. A questão ficou para o terceiro assalto e, para surpresa de ninguém, mais um round em que quase nada aconteceu. Por acertar alguns poucos golpes a mais, marcamos 10-9 e 29-28 para o inglês, mas os três jurados deram mais valor ao maior tempo que o brasileiro conseguiu um certo controle no clinch. Bodão levou por decisão unânime com triplo 29-28.

Um pouco antes, tivemos Vicente Luque contra o atleta local Leon Edwards, em combate que deixaria o vencedor na boca do ranking dos meios-médios. Utilizando muito bem a luta agarrada em seu favor e jogando fechadinho nos momentos de luta em pé, Luque garantiu o primeiro assalto. O inglês conseguiu aumentar o ritmo na segunda parcial e empatou o confronto com golpes fortes em pouco volume e, ainda, alguns minutos de controle posicional no solo. Mais inteiro, Edwards pressionou o brasileiro na grade no round final, acertando bons golpes e dominando o clinch. Um 10-9 decidiu a luta para Edwards, gerando um triplo 29-28 na visão dos jurados e também na deste humilde escriba.

Ainda no card preliminar, pode-se destacar o lindo nocaute de Marc Diakiese sobre Teemu Packalen, que rendeu o último bônus de desempenho da noite para o candidato a futura estrela britânica.