Jéssica Andrade garante estar preparada para segunda disputa de título: “Evoluí muito”

Por Gustavo Bizzo | 11/05/2019 11:28

O evento principal do UFC 237, hoje à noite, marca a segunda corrida pelo ouro de Jéssica Andrade. A atual desafiante número um do peso palha feminino teve sua primeira tentativa de conquistar o cinturão há dois anos, em maio de 2017, quando amargou uma derrota para então campeã Joanna Jedrzejczyk. Desde então, a brasileira vem lapidando suas ferramentas, exibindo performances que colocaram o público de pé — lembra do Fight Night 117, no Japão? –, graças às suas quedas explosivas e poder de nocaute, além de ter também dedicado tempo ao preparo psicológico.

Em entrevista ao MMA Brasil, ela explica no que a Bate-Estaca de hoje se diferencia da que enfrentou a polonesa no UFC 211. “Tem uma grande diferença. A Jéssica de hoje tá muito mais evoluída na trocação, no chão, no wrestling. Acredito que mostrei isso nas últimas lutas, quando enfrentei a Claudia Gadelha, com Tecia [Torres], com a Karolina [Kowalkiewicz]. Em cada uma delas, mostrei que evoluí muito. A Jessica de hoje é mais concentrada e mais graduada. Sou faixa preta de jiu-jítsu e ponta preta de muay thai, então acredito que essa Jéssica de hoje está muito mais preparada”.

“Quem teria oportunidade de fazer isso? Disputar o cinturão dentro de casa, com seu público, com a sua família, com a sua equipe, com as pessoas que você ama”

Não “apenas” no evento evento principal de um card numerado do UFC, Jéssica tem uma oportunidade que poucos lutadores conterrâneos receberam: disputar o título em casa. O fato isolado de desafiar a campeã da categoria já imprime um pressão diferente no camp de muitas atletas, mas, no caso da brasileira, nem isso e nem lutar em casa prejudica sua concentração pré-luta. Na verdade, motiva. “Quem teria oportunidade de fazer isso? Disputar o cinturão dentro de casa, com seu público, com a sua família, com a sua equipe, com as pessoas que você ama e ter a chance de se tornar campeã dentro de casa. Eu tô levando isso com muita alegria. Não é pressão nenhuma”, explicou Bate Estaca, que acha que o efeito vai acontecer com a adversária. “A pressão maior tem que ser dela. Ela é a campeã, ela veio pra minha casa”.

“Na distância curta, eu sou bem mais forte (…) vai ser mais difícil dela conseguir quedar ou finalizar”

Caso a pressão do público local e o famoso “Uh, vai morrer” não surtam efeito, a desafiante já mapeou quais elementos do jogo da campeã precisam de mais atenção. “Acredito que seja a trocação, porque, se ela conseguir achar o espaço certo. Se ela se movimentar bem, a envergadura dela é maior que a minha, e isso pode me prejudicar. Mas eu treinei muito isso, pra não deixar espaço, pra ela não aproveitar a envergadura dela”, disse a brasileira que também já sabe quais serão as suas vantagens. “Na distância curta, eu sou bem mais forte. Em questão de queda e finalizações, pra ela conseguir dar uma queda, ela vai ter que descer muito lá embaixo, porque eu sou menor, então vai ser mais difícil dela conseguir quedar ou finalizar”, diz, comentando também qual parte do seu jogo deve fazer mais diferença hoje à noite. “Minha pressão. O tempo inteiro pressionando, encurralando, trabalhando bons golpes, fortes golpes”.

Espetáculo sangrento: sequência de vitórias, até o cinturão, começou com Claudia Gadelha

E se?

Jéssica Bate-Estaca, caso saia vitoriosa do evento principal do UFC 237, será a terceira brasileira a vestir o cinturão no UFC, incluindo a campeã dupla, Amanda Nunes. Em termos de visibilidade para o MMA feminino, Jessica entende que o fato dos únicos cinturões nacionais estarem nas mãos das mulheres pode fazer a diferença para o grande público.  “Vai melhorar em tudo, eu acho. As mulheres vão poder olhar ver que temos duas grandes campeãs, em grandes categorias, representando o Brasil”, explica Bate Estaca, que vê boas possibilidades para os marmanjos chegarem também ao topo. “Acredito que pra ter homens [campeões] é só o UFC dar a oportunidade pra eles disputarem os cinturões que a gente, daí, vai ter de novo uma leva de campeões brasileiros. Mas, nós mulheres, é que estamos dando o primeiro passo, a primeira engajada”

Meu jeito de provocar é dentro do octógono, dando soco na cara, tomando a porrada e olhando com cara feia”

Colocar as mãos no cinturão não deve trazer mudanças às estratégias de promoção de Jéssica. Assim como sua adversária, a brasileira não é conhecida por grandes provocações ou trash talk como ferramenta para vender mais pacotes de PPV. Por questões de autenticidade, Bate-Estaca descarta recorrer a essa postura. “Não consigo fazer isso, de verdade. Acho que eu sou essa Jéssica e, se eu ganhar o cinturão e começar a fazer isso, as pessoas podem pensar que eu mudei, que não sou mais humilde e que não sou mais aquela menina que lutou pra chegar até o cinturão, que não provocava e não fazia essas coisas. Se o Dana White me mandar provocar mais, eu vou falar: cara, eu não consigo, meu jeito é esse”, explica. Para a desafiante, a provocação que importa acontece dentro cage. “Meu jeito de provocar é dentro do octógono, dando soco na cara, tomando a porrada e olhando com cara feia, dizendo ‘vem, minha filha, vamos ver se você aguenta porrada”.