Por Alexandre Matos | 10/07/2015 12:06

Quando a luta foi confirmada, a dúvida era se Cristiane Cyborg aniquilaria Faith Van Duin em mais ou menos de 60 segundos. Pela segunda vez consecutiva, a brasileira não deixou o ponteiro dos segundos completar a primeira volta do relógio. Cris manteve o cinturão peso pena na luta principal do Invicta FC 13, disputado na noite desta quinta-feira, no The Cosmopolitan, em Las Vegas.

A neozelandesa tentou o clinch para levar a luta para o chão, mas entregou os pontos mentalmente já na primeira pancada limpa que recebeu. Cris soube esperar o momento de encurralar a desafiante contra a grade do hexágono para liberar o inferno. Quando disparou uma sequência, Van Duin virou o rosto com o impacto dos golpes, mas também dando a impressão que estava com medo. Implacável, Cyborg mandou a oponente para o chão com uma joelhada no corpo e deu cabo dela com mais algumas pedradas de cima para baixo, no ground and pound. Tempo da execução: 45 segundos.

Após o combate, uma certeza e uma dúvida. A certeza é que a categoria peso pena no MMA feminino é muito rasa e que por isso o UFC não a incorporou. A dúvida ficou com o discurso final da campeã, que mais uma vez pediu para “Ronda não fugir”, mas não garantiu que vai conseguir baixar de categoria para o tão sonhado combate. Pior que isso, Cyborg disse que pretende “defender o cinturão algumas vezes” e que quer lutar em setembro. Como a probabilidade dela bater 61 quilos daqui a dois meses é remota, os fãs terão que aguardar para ver a maior luta do MMA feminino em todos os tempos – e uma das maiores no geral. Isso se um dia virem.

Tonya Evinger atropela Irene Aldana e conquista cinturão vago do peso galo

Se Tonya Evinger tivesse lutado desse jeito no TUF 18, talvez ela estivesse no UFC até hoje (e dando trabalho para a concorrência). Ela não tomou conhecimento da mexicana Irene Aldana e conquistou o cinturão peso galo que Lauren Murphy vagou quando foi contratada pela maior organização do MMA mundial.

Tonya Evinger teve uma atuação dominante contra Irene Aldana para ficar com o cinturão que estava vago

Tonya Evinger teve uma atuação dominante contra Irene Aldana para ficar com o cinturão que estava vago

O wrestling e um jogo de chão sufocante foram as chaves para a vitória de Evinger. Ela derrubou a adversária em todos os quatro rounds e deu um passeio no solo, conseguindo inúmeras montadas, transições, passagens de guarda e um ground and pound violento. No meio disso, uma chave de braço que ficou no talo no primeiro assalto só não pôs fim no combate pela frieza e elasticidade da mexicana.

Com menos intensidade que o 10-8 do primeiro assalto, Evinger seguiu com a pressão nos rounds seguintes. Aldana tentou resistir, mas claramente perdia rendimento conforme o tempo passava. No quarto assalto, Tonya mais uma vez montou, mas dessa vez não tentou finalizar. A ex-TUF disparou um ground and pound muito potente de socos e cotoveladas que forçou o árbitro Mark Smith a intervir na marca de 4:38.

Após o combate, Evinger deixou escapar que se incomodou com os elogios à adversária, que era favorita a vencer e seguir para o UFC. A americana confirmou que vomitou no intervalo do terceiro para o quarto round e provocou os críticos: “Vomitei no meu córner, foi nojento. (…) Vocês disseram que eu ia perder, então foda-se-, eu ganhei”.

Hérica Tibúrcio não dá conta de Ayaka Hamasaki e perde o cinturão peso átomo

A pequenina Hérica Tibúrcio não encontrou saída para o jogo da judoca Ayaka Hamasaki. Fisicamente incapaz de reverter a situação, a brasileira perdeu o cinturão do peso átomo em sua primeira defesa.

Quedas e pressão por cima conduziram Ayaka Hamasaki à vitória sobre Hérica Tibúrcio

Quedas e pressão por cima conduziram Ayaka Hamasaki à vitória sobre Hérica Tibúrcio

Apesar de ter feito frente em algumas ocasiões, em momento algum da luta a brasileira ficou à vontade. A pupila da Macaco Gold Team, que tinha Jorge Patino “Macaco” no córner, estava perdendo a luta na troca de golpes em pé no primeiro round quando conseguiu uma ótima guilhotina. Hamasaki chegou a fazer menção de bater, mas resistiu e se livrou do estrangulamento.

A guilhotina, que havia rendido a vitória sobre Michelle Waterson e a conquista do cinturão, em dezembro, voltou a incomodar a japonesa no segundo round. No terceiro, Hérica chegou a pegar as costas numa transição sensacional, mas não deu sequência. Fora isso, a agora ex-campeã foi derrubada inúmeras vezes e pressionada no chão. A árbitra Kim Winslow errou pelo menos três vezes mandando a luta voltar ao centro, de pé, favorecendo Tibúrcio. Mesmo assim, Hamasaki seguiu à risca o plano de derrubar e sufocar.

Na leitura das papeletas, três placares eram possíveis: 48-47 Hamasaki (dado por um juiz), 49-46 Hamasaki (dado por outro juiz) ou 49-47 Hamasaki (dado por ninguém). Porém, o terceiro juiz inventou um 48-47 para a brasileira e transformou a justa vitória da japonesa numa decisão dividida.

Pannie Kianzad estreia com sucesso no MMA americano de olho no UFC

A campeã do Cage Warriors Pannie Kianzad teve uma grande atuação na primeira luta que disputou fora do continente europeu. Ela dominou a australiana Jessica-Rose Clark em todos os aspectos do jogo e se manteve invicta na carreira.

O boxe de Pannie Kianzad foi uma das armas contra Jessica-Rose Clark

O boxe de Pannie Kianzad foi uma das armas contra Jessica-Rose Clark

Iraniana de nascimento, naturalizada sueca e radicada na Dinamarca, Kianzad mostrou um boxe técnico, alternando golpes na cabeça e no corpo, além de joelhadas no clinch. Ela ainda executou quedas e buscou finalizações, neutralizando qualquer tentativa de ofensividade de “Jessie Jess”. No final, um triplo 30-27 foi o resultado justo.

Nas outras duas lutas casadas do evento, dois atropelamentos. Amber “The Bully” Brown justificou o apelido ao passar o carro em Catherine Costigan no chão até pegar a “Alpha Female” no mata-leão ainda no assalto inicial. Abrindo a programação, Marina Shafir, a quarta integrante do Four Horsewomen de Ronda Rousey, mais uma vez mostrou uma defesa completamente esburacada e sofreu o segundo nocaute seguido em menos de 50 segundos, desta vez para Amber Leibrock, que fez sua estreia no MMA. O Invicta FC 13 ainda contou com a vitória por decisão dividida de Jamie Moyle sobre Amy Caldwell Montenegro.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.