Por Alexandre Matos | 29/12/2019 19:03

Demorou, mas cá estamos.

Por volta da metade de 2019, o UFC anunciou seus indicados ao Hall da Fama da organização. Agora chegou a nossa vez, no apagar das luzes da temporada. Divulgamos aqui a Classe de 2019 do Hall da Fama MMA Brasil.

Diferentemente do que faz o UFC, o Hall da Fama do MMA Brasil tem a intenção de homenagear pessoas e lutas independentemente do vínculo com a maior organização do MMA mundial. A Classe de 2019 é a terceira do nosso projeto, que começou em 2017. Na primeira leva, indicamos cinco lutadores, dois colaboradores e duas lutas. A partir de então, três lutadores, um colaborador e duas lutas serão inseridos anualmente.

Usamos uma estrutura parecida com o atual hall do UFC, para que os fãs não fiquem perdidos. Porém, nossos critérios são mais claros. Dividimos em três seções: lutadores, colaboradores e lutas. Para se credenciar, um lutador deve estar aposentado há pelo menos cinco anos – neste ponto, retornos para freak shows não serão considerados. A regra dos cinco anos também vale para as lutas.

Até o momento, estes são os integrantes do Hall da Fama MMA Brasil:

Lutadores: Royce Gracie, Randy Couture, Chuck Liddell, Marco Ruas, Kazushi Sakuraba (Classe de 2017); Dan Severn, Mark Coleman, Matt Hughes (Classe de 2018).

Colaboradores: Rorion Gracie, Dana White (Classe de 2017); Bruce Buffer (Classe de 2018).

Lutas: Forrest Griffin vs. Stephan Bonnar I, Fedor Emelianenko vs. Mirko Cro Cop (Classe de 2017); Maurício Shogun vs. Rogério Minotouro I, Anderson Silva vs. Vitor Belfort (Classe de 2018).

Agora apresentamos a classe de 2019.

Lutador: Frank Shamrock

Frank Shamrock exibe o cinturão do UFC

A vida de Frank Shamrock vale um filme. Pulando entre institutos para menores infratores desde a infância, Frank Alisio Juarez foi adotado por Bob Shamrock, um cidadão com histórico de receber moleques encrenqueiros. Na nova casa, Frank recebeu o sobrenome do pai adotivo e conheceu o irmão mais velho, Ken Shamrock, outro recolhido por Bob, com quem nutriu um péssimo relacionamento desde sempre.

Aos 22 anos, um ano após ser oficialmente adotado, Frank passou a acompanhar Ken na Lion’s Den, academia fundada pelo irmão onde se praticava uma adaptação do pancrácio voltada ao vale tudo, modalidade que Ken havia começado a atuar. No fim daquele ano de 1994, Frank também se tornou lutador e passou por quase todas as organizações mais importantes à época: Pancrase, Vale Tudo Japan e RINGS. Com cartel de 12–7–1 e o título interino de King of Pancrase, o Shamrock caçula chegou ao UFC. Foi quando sua vida mudou.

Muito mais técnico e versátil que o irmão, Frank se tornou o primeiro superastro do vale tudo, tecnicamente falando. Ele desenvolveu um plano de jogo que fluía harmonicamente entre o wrestling, o kickboxing e o grappling de chão, numa época em que o cross-training era praticamente inexistente. Ele foi apontado por muitos analistas como o melhor lutador da década de 1990.

Frank Shamrock abandona o UFC como campeão:

“Volto quando tiverem um desafio de verdade para mim.”

Frank conquistou o cinturão inaugural dos meios-pesados do UFC e o defendeu em quatro oportunidades. Foi o primeiro campeão verdadeiramente dominante da história da organização. Quando bateu o então favorito do UFC Tito Ortiz, em 1999, Shamrock largou seu cinturão, virou para os patrões e mandou: “Tchau. Volto quando tiverem um desafio de verdade para mim”. Nunca mais voltou, nem sob negociações com Dana White e os irmãos Fertitta – ignorá-los provavelmente é o motivo pelo qual Frank nunca foi introduzido ao Hall da Fama do UFC.

Nos tempos seguintes, Frank parou por três anos para voltar no WEC, onde conquistou o cinturão inaugural dos meios-pesados. Mais três anos parado e ele retornou para liderar o primeiro evento de MMA da história do Strikeforce, que era uma entidade apenas dedicada ao kickboxing até então. Na nova casa, Shamrock abocanhou o primeiro cinturão dos médios (a esta altura, a divisão dos meios-pesados que ele conquistou no UFC já havia virado peso médio).

Brigar foi uma constante em sua vida. Saiu da Lion’s Den em desacordo com o irmão, inclusive acusando-o de usar anabolizantes. Por muito tempo, alimentou uma vontade de sair na porrada com Ken em algum evento de MMA. Brigou com o UFC, tanto com o pessoal da SEG quanto com a ZUFFA. No meio de tanta polêmica, deu a si próprio o apelido de “Lenda”. Apesar de tudo, o respeito pelo talento de Frank atravessa as décadas.

Lutador: Bas Rutten

"El Guapo" Bas Rutten exibe orgulhoso os cinturões do UFC e do Pancrase

“El Guapo” Bas Rutten exibe orgulhoso os cinturões do UFC e do Pancrase

Sempre quando se fala de cross-training no MMA ou de misturar estilos, os nomes citados são de Marco Ruas e Tito Ortiz. Muito justo. Porém, não são os únicos. No caso do americano, inclusive, há gente até antes dele sem ser o brasileiro vencedor do UFC 7. Falo aqui do holandês Sebaastian “Bas” Rutten.

Conhecido pelo apelido nada modesto de “El Guapo” (O Bonito), Rutten é um dos primeiros pioneiros que não usou o UFC para alcançar o estrelato. Na verdade, o UFC foi atrás dele depois de uma carreira já consolidada na veterana organização japonesa Pancrase. Quando estreou na empresa americana, em janeiro de 1999, Rutten já apresentava retrospecto de 25 vitórias, quatro derrotas e um empate. Doze dos triunfos aconteceram por submissão e 11 por nocaute.

Este tipo de cartel era raro em época pré-Regras Unificadas, quando o conceito estabelecido era muito mais de defensores de artes marciais individuais. Royce Gracie, por exemplo, abriu sua carreira com 11-0, todas por finalização. Rutten era oriundo do muay thai, no qual conquistou 14 vitórias (12 por nocaute) e sofreu duas derrotas nos dois combates finais da carreira. Ele chegou no UFC com uma vitória por submissão a mais do que pela via rápida dolorosa.

Nem se pode dizer que Royce foi a inspiração de Bas, porque o holandês começou antes. Sua primeira luta aconteceu no Pancrase: Yes, We Are Hybrid Wrestlers, quando venceu Ryushi Yanagisawa com uma bolacha no meio da palhaça. Para ser mais preciso, nem foi uma bolacha clássica, mas uma mãozada frontal. Para não dizer que foi sorte, ele fez duas vezes, a segunda, seguida de uma joelhada que pôs fim ao duelo. Confira comigo no replay:

Seu movimento mais característico foi o gancho no fígado – podemos dizer que ele foi o pioneiro em usar essa ferramenta no MMA com consistência. Na luta agarrada, foi o perrengue que o moveu. Ele enfrentou alguns bons grapplers e foi finalizado em três das quatro derrotas. Isso fez com que Rutten buscasse incansavelmente os treinos de finalização, chegando ao ponto de praticar na esposa enquanto (ele) dormia. Resultado: ele virou um verdadeiro mixed martial artist numa época em que poucos conseguiam.

A moral de ter sido King of Pancrase misturando estilos fez com que a fama de Rutten atravessasse o oceano e chegasse ao UFC. Ele estreou com uma vitória contra Tsuyoshi Kohsaka – aqueeeele que ~venceu Fedor Emelianenko um ano depois – e já foi habilitado para disputar o cinturão dos pesados contra o saudoso Kevin Randleman. A vitória do holandês foi controversa, mas foi uma das primeiras vezes que alguém venceu um wrestler de alto gabarito atuando por baixo (Carlão Barreto havia feito parecido contra o próprio “Monstro”).

Reza a lenda que ele teria exibido seus talentos mistos fora dos ringues. Certa feita, Rutten chegou já mamado num bar na Suécia. Dois seguranças o abordaram. Um o empurrou e o outro meteu o dedo no olho. Bas ficou transtornado e nocauteou o primeiro incauto. De repente, mais cinco chegaram e Rutten percebeu que trocar pau contra seis não era uma boa ideia. Ele tentou fugir, mas acabou numa sala onde a boate guardava vassouras. Vassouradas para todos os lados se sucederam até que a polícia chegou e levou o holandês em cana.

Para completar, Rutten era um sujeito engraçado e pra lá de carismático. Sua carreira como comentarista do PRIDE rendeu grandes momentos. No cinema, ele salvou o péssimo “Here Comes the Boom”, com o chatíssimo Kevin James como um professor desengonçado que vai lutar no UFC. Rutten, que faz o papel de um imigrante que atua como treinador de James, garante os poucos momentos engraçados do filme. Ele teve também um personagem no jogo GTA 4.

Que homem.

Lutador: Gina Carano

O MMA feminino deve muito a Ronda Rousey. Não fosse ela e as lutadoras teriam demorado mais a aparecer no UFC. Porém, antes de “Rowdy”, alguém abriu o caminho quando era tudo mato para as mulheres. Não existiria Ronda, Amanda ou – principalmente – Cris se não fosse Gina Carano.

A carreira da “Conviction” não teve conquista de cinturão, tampouco vitórias em lutas principais ou coprincipais. Em todos os cards em que esteve escalada, sempre havia pelo menos duas lutas masculinas acima de Gina. Como então explicar a popularidade e a importância que ela teve para o MMA feminino?

Tecnicamente, Carano tinha um estilo plástico, baseado no muay thai. Porém, ela não era a melhor, mesmo numa época em que as mulheres ainda sofriam para ter espaço no MMA – e já havia Cris Cyborg militando por aí. O que catapultou Carano para o estrelato foi seu carisma, baseado na beleza física que destoava das companheiras, e por ter estado no lugar certo e na hora certa.

No ambiente machista dos esportes, principalmente os de combate, Carano era uma espécie de desafogo daquele ambiente hostil, de camaradas tidos como violentos. Quando o EliteXC fechou contrato com a CBS para colocar o MMA pela primeira vez na história americana no horário nobre na TV aberta, os promotores fizeram questão de colocar Carano no card principal. E quem puxou os dois eventos? Kimbo Slice, na época um fenômeno de proporções globais por causa de lutas de rua que viralizaram na internet.

O EliteXC: Primetime foi o primeiro deles e cravou a maior audiência da história do MMA na TV americana até ser superado pela estreia do UFC na FOX, com Junior Cigano vencendo Cain Velasquez. O evento seguinte, EliteXC: Heat, também alcançou audiência gigantesca, mas o nocaute devastador sofrido por Kimbo causou a falência do EliteXC.

Os dois eventos aconteceram em 2008. Carano estampou capas de revistas como Maxim e ESPN. Mais tarde, o portal Yahoo! definiu Carano como o “rosto do MMA feminino” e a apontou a quinta mulher mais influente do ano. À frente dela, Hillary Clinton, Oprah Winfrey, Sarah Palin e Angelina Jolie. Não era pouca merda. Para completar, ela foi a busca com maior crescimento no Google e terceira pessoa mais procurada no Yahoo! em 2008.

Quando o Strikeforce comprou a massa falida do EliteXC e incorporou seus contratos, logo tratou de escalar Carano na disputa do cinturão inaugural do peso médio (hoje, pena) contra Cyborg. Gina foi brutalmente espancada e viu o árbitro decretar nocaute técnico no último segundo do round inicial.

Depois da experiência traumática, Carano tomou a decisão óbvia de tentar a carreira de atriz de cinema. Ela estrelou “À Toda Prova” ao lado de um elenco poderoso com Michael Douglas, Michael Fassbender, Ewan McGregor, Antonio Banderas, Channing Tatum. Ela também fez o primeiro “Deadpool”, “Velozes e Furiosos 6”, “Lutador de Rua”, dentre outros, ganhando ordenados bem maiores sem precisar levar soco na cara da Cyborg.

Colaborador: Joe Silva

O Hall da Fama do MMA Brasil jamais poderia esquecer do cara que provavelmente é quem mais entende de MMA no mundo. Como disse uma vez o meu amigo Thiago Arantes no site da ESPN, os irmãos Fertitta eram o bolso do UFC. Dana White era o rosto. Joe Silva era o cérebro.

Casar lutas é uma arte. É tão importante que virou uma coluna no MMA Brasil e em diversos sites ao redor do globo. O matchmaker precisa não só criar uma linha do tempo que faça sentido esportivamente como precisa sempre ter em vista o entretenimento do público. E ele precisa fazer isso num cenário sombrio de lesões arruinando eventos e linhas do tempo. O cara casa uma luta com três opções em mente e uns três ou quatro caminhos à frente.

Mais do que matchmaker, Silva era o vice-presidente de talentos do UFC. Mandava prender e mandava soltar, contratava e demitia. Assistia a horas e horas de vídeos de lutadores de todos os cantos do planeta, de eventos os mais diversos, com toda sorte de qualidade de imagens que você possa imaginar. Lida com empresários sérios, com picaretas, com montadores de cartel. O futuro de milhares de lutadores, dentro e fora do UFC, passava por suas mãos.

Silva estava ligado ao UFC desde os primórdios, ainda sob o comando de Rorion Gracie. Ele foi repórter, assistente de produção, consultor técnico. Virou matchmaker assim que a Zuffa comprou o UFC da SEG. Casou lutas antológicas, contratou estrelas, demitiu gente com moral, deu chance a quem parecia não merecer, disse “não” aos melhores e negocia salários com mão de ferro. Posso apostar que alguns respiraram aliviados quando ele anunciou a aposentadoria, no fim de 2016.

Não tenha dúvida: se o UFC chegou ao patamar que chegou, muito deve ao trabalho de Joe Silva.

Luta: Mauricio Shogun vs. Dan Henderson 1

Shogun e Hendo travaram uma batalha histórica e sangrenta no UFC 139, em novembro de 2011 (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Quando o PRIDE chegou ao fim, em 2007, Maurício Shogun e Dan Henderson eram os principais expoentes da empresa japonesa. O brasileiro havia conquistado o estrelado GP do peso médio (equivalente ao meio-pesado nas Regras Unificadas) e o americano acabou com os cinturões dos médios e meios-pesados – o primeiro champ champ da história das grandes organizações do MMA. Um duelo entre ambos seria um passo natural, até mesmo para Shogun vingar o líder de sua equipe, a Chute Boxe, Wanderlei Silva, duramente nocauteado por Hendo.

A luta não aconteceu e os atletas tomaram caminhos distintos. Ambos foram para o UFC, mas Henderson estava um passo à frente. Tentou unificar seus dois cinturões, mas foi batido pelos campeões do UFC, Anderson Silva e Rampage Jackson. Em seguida, comandou um TUF com Michael Bisping e enfrentou o britânico no lendário UFC 100, quando aplicou um dos mais violentos nocautes da história do MMA. Já Shogun foi surpreendentemente finalizado por Forrest Griffin, sofreu com lesões e atrasou muito seu lado, tendo que entrar no asilo da categoria para encarar os mumificados Chuck Liddell e Mark Coleman.

Cinturões e mais reviravoltas colocaram os lutadores de volta em rota de colisão. Hendo pediu muita grana depois do UFC 100 e meteu o pé para o Strikeforce. No principal rival do UFC, ele conquistou o cinturão e um nocaute sensacional sobre Fedor Emelianenko. No octógono, Shogun disputou dois épicos confrontos com Lyoto Machida para levar o cinturão do UFC para Curitiba. Na primeira defesa, levou o que talvez seja o maior massacre de um desafiante no UFC, quando Jon Jones lhe arrancou o título a fórceps.

Quando Joe Silva anunciou o confronto para encabeçar o UFC 139, a curiosidade era sobre o retorno de Hendo ao octógono. Shogun tinha perdido três das sete lutas no UFC, com duas vitórias sobre lutadores com mais de 40 anos. Poucos acreditavam numa recuperação do paranaense.

Os primeiros rounds cristalizaram as expectativas. Hendo passou o carro em Shogun, com direito a algumas Bombas-H que derrubariam búfalos, Feijões e Fedors. Só não abriu três 10-8 porque Shogun é feito de sei lá o que e conseguiu devolver fogo, ainda que em menores proporções, mas também capaz de derrubar bisões, Colemans e Griffins.

Shogun esteve quase aninhado no colo do palhaço no terceiro round, quando sofreu knockdown e ground and pound depois de já ter apanhado mais que mala velha. Não tinha como um ser humano lutar mais 10 minutos depois daquilo. Não só Shogun lutou como encontrou forças para quase conseguir uma interrupção e fechar o quinto assalto com um claro 10-8 que foi ignorado por todos os juízes, numa parcial em que Hendo aplicou um total de zero golpes significativos.

Como eu disse na resenha pós-evento:

Não valia cinturão. Nem o title shot era 100% garantido. Mesmo assim estes dois monstros travaram uma guerra antológica, guiados pelos seus corações enormes, motivados apenas pelos seus legados, pela história, pelo esporte. De dois caras que nada mais tinham a provar.

Luta: Frankie Edgar vs. Gray Maynard 2

Quem vê Frankie Edgar nos últimos anos não deve imaginar que ele já foi um lutador, digamos, pouco atrativo uma década atrás. Gray Maynard era chato pra dedéu. Eles se enfrentaram em 2008, numa luta esquecível. Maynard venceu e continuou vencendo (e chateando). Derrotado, Edgar deu a volta por cima rapidamente e desbancou o maior peso leve da história batendo BJ Penn duas vezes, quando mostrou ao mundo que claramente era um lutador bem aperfeiçoado.

O UFC escalou a revanche para a segunda defesa de Edgar, no evento que seria liderado pela estreia de José Aldo na organização. O brasileiro se machucou e Edgar-Maynard 2 virou luta principal. O evento vendeu 227 mil pacotes de pay-per-view. Ninguém se interessava. Azar o deles.

O que Edgar e Maynard fizeram na primeira noite de 2011 foi daquelas histórias que ficam marcadas na memória de quem presenciou pro resto da vida. Ao contrário do que sempre fez, Maynard entrou com o capiroto incorporado e aplicou uma surra tão grosseira no primeiro round que, mesmo naquelas regras, deveria ter sido anotado um 10-7. Nem Jones-Shogun, que aconteceria dali a dois meses, chegou perto. Gray bateu, bateu e bateu. Aplicou três knockdowns. Edgar levantava já sob tormenta. O coveiro já tinha tirado a última pá de areia quando soou a buzina. Esperei aparecer o rabecão para levar Frankie no caixão. O padre mais próximo tinha sido chamado para dar a extrema-unção.

Edgar pediu educadamente que a Morte se retirasse do MGM Grand, mas ela ficou ali à espreita. Sabia que mais 30 segundos daquilo e seu trabalho estaria completo. O menino de Toms River olhou pra ela e sussurrou um “risos”. Edgar voltou para o segundo round quicando, sem bambear as pernas. Edgar venceu o segundo assalto.

Fosse uma luta comum e Maynard teria seu psicológico arrasado depois de ver que tanto esforço havia sido em vão. Mas o desafiante se recuperou e teve um terceiro round forte, com duas quedas e mais domínio. Pronto, agora a Dona Morte passaria a foice no nanico. Edgar riu de novo.

O campeão ressurgiu mais uma vez. Venceu o quarto. Venceu o quinto. Não era possível um negócio daqueles. Quem merecia perder uma luta assim? Foi o que aconteceu: ninguém perdeu. Um juiz pontuou para Edgar, outro marcou para Maynard e o terceiro fez um favor para o MMA ao anotar um empate que forçou um reencontro quase tão espetacular quanto este segundo duelo. Certamente o Hall da Fama do MMA Brasil vai falar do UFC 136.