Gracie Pro: o relato de um evento que deve fincar no calendário anual do jiu-jítsu

Carente de um evento de grande porte, o Rio de Janeiro recebeu no fim de semana o Gracie Pro, idealizado e organizado por Kyra Gracie, que terminou com a maior luta de todos os tempos no jiu-jítsu.

No último final de semana, nos dias 22 e 23 de julho, a Arena Carioca 1, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, recebeu a primeira edição do Gracie Pro, evento idealizado e organizado pela multicampeã mundial de jiu-jítsu e comentarista do canal Combate, Kyra Gracie. O MMA Brasil esteve lá nos dois dias.

Contando com uma estrutura de alto nível e investimentos de diversas grandes empresas, capitalizados pelo carisma da Gracie mais famosa, contrapondo os eventos menores a que estamos acostumados no Rio de Janeiro, o Gracie Pro proporcionou aos fãs da arte suave dois dias de boas lutas e entretenimento, além de trazer para a cidade, berço do jiu-jítsu, um evento de grande porte que não mais existia desde que o Mundial passou a ser realizado nos Estados Unidos, contando com a cobertura de veículos internacionais, inclusive.

A estrutura montada contou com food trucks, lojas personalizadas, diversos seminários e até uma “brinquedoteca” na área Kids. Um evento para a família, que surpreendeu pelo excelente público nos dois dias. Apesar do alto nível, faltaram coisas básicas para o trabalho da imprensa, como uma tomada, por exemplo.

No sábado, as competições preliminares contaram com a presença dos familiares e equipes, que fizeram muito barulho nas arquibancadas e vibraram com as vitórias de seus companheiros de treinos. No domingo, ocorreram as finais da faixa preta masculina e marrom e preta feminina. O Gracie Pro fechou com a maior luta que o jiu-jítsu competitivo já viu, quando o decacampeão Roger Gracie derrotou o também decacampeão Marcus Buchecha por finalização (estrangulamento de lapela pelas costas) aos 6:52 de luta – o combate estava previsto para 15 minutos.

O evento foi prestigiado por vários integrantes da família Gracie. Robson Gracie, era um dos mais empolgados. Avesso a fotos e declarações, ele fez um discurso inflamado antes da luta principal, levantando o público:

“Eu quero dizer que se você não tem o coração de ferro e os nervos de aço, sai daqui, vai fazer balé porque aqui é a terra dos homens. Aqui é onde a criança chora e a mãe não vê.”

Renzo Gracie, Ralf e Rayron também estiveram presentes, além de diversas personalidades do mundo da luta. A multicampeã mundial de jiu-jítsu Mackenzie Dern era uma das mais empolgadas, comparecendo aos dois dias de evento, distribuindo sorrisos para os fãs e atendendo a imprensa com muita simpatia – o MMA Brasil fez uma exclusiva com a lutadora, que será publicada em breve.

Havia a expectativa de uma revanche de Mackenzie com Kyra neste evento, informação confirmada pela própria Mackenzie na entrevista que vai ao ar. Porém, a americana-brasileira estava machucada e não conseguiu competir. Agora especula-se que a luta aconteça em breve, uma vez que a expectativa é que o Gracie Pro entre no calendário anual do jiu-jítsu.

Outro chamariz de atenção foram os famosos competindo. Estiveram presentes os campeões da IBJJF Celsinho Venicius, Tayane Porfirio e Antônio Braga Neto, que também é lutador do UFC, assim como a faixa-marrom Jessica Bate-Estaca, que perdeu a final para Mayara Angelica após finalizar uma faixa-preta. Nomes conhecidos da mídia como Paula Sack, que competiu – ou iria competir – na faixa branca, mas suas adversárias não compareceram e ela estreou numa luta casada com uma adversária mais pesada que aceitou enfrentá-la, perdendo por pontos; o narrador do canal Combate e faixa-roxa Rhoodes Lima, que chegou até a final de sua categoria e ficou com o vice-campeonato, além do Gracie mais novo, Rayron, filho de Ryan, que também competiu aos 15 anos – Rayron foi campeão mundial na faixa azul neste ano.

No domingo, o público parecia tímido, mas foi crescendo ao longo do evento. As finais das faixas preta e marrom tiveram interessantes combates e contaram com atletas internacionais, como a americana Jessica Swanson, que levou o título no meio-pesado finalizando Glaucia Braga com uma bonita kimura, mas perdeu a final do absoluto para Tayane Porfírio. Destaques também para o faixa-preta Isaque Paiva, que levou no peso pena, mas perdeu o absoluto para Gustavo Saraiva, além da bela finalização de Jeancemy Santos sobre Luiz Felipe Quinteiro com um estrangulamento de lapela que fez o adversário estribuchar.

Na luta principal, as duas arquibancadas frontais e a área VIP já estavam lotadas. Vibrando muito e com a torcida dividida, ora gritando por Roger e ora por Bucheca, os animados espectadores assistiram a uma excelente e surpreendente luta. Buchecha começou com muito menos ímpeto que o habitual, respeitando demais seu adversário. Roger defendeu bem as tentativas de queda de Buchecha e, ao invés de puxar o adversário e prendê-lo em sua guarda mortal, optou por puxá-lo meio de lado, escorregando rapidamente para as costas, de onde conseguiu um bonito estrangulamento de lapela, levando o público ao delírio ante um desolado Buchecha. Ainda no tatame, Roger anunciou sua aposentadoria do jiu-jítsu e foco total no MMA. Ele carimbou seu nome definitivamente como um dos maiores da história – ou o maior -, encerrando com chave de ouro uma brilhante carreira.

Após a vitória de Roger, houve invasão do tatame por parte de toda a família Gracie e amigos. Kyra, organizadora do evento e prima do vencedor, era uma das mais empolgadas, pulando e comemorando bastante. Infelizmente não conseguimos falar com ela para conferir suas impressões sobre o evento.

No geral, a ideia que o Gracie Pro deixou foi que realmente veio para ficar. Bom para o jiu-jítsu, para o Rio de Janeiro e também para todos os atletas, que terão mais oportunidades em campeonatos da arte suave com mais frequência.

  • James sousa

    O Jiu Jitsu precisava de um evento desses muito bom que terá mais edições

  • Asisz Marco

    Acho que encerra-se a discussão sobre quem é o melhor atleta do jiu jítsu esportivo de todos os tempos. Um atleta há tempos afastado das competições de pano vence o melhor cara da atualidade, bem mais jovem e mais forte e com um rítimo de luta no pano melhor. Roger eternizou-se como o melhor. Quase sempre finalizou quem passasse em sua frente, não finalizava qualquer um, muitos dos melhores de todos já batucaram para ele, que nunca bateu na faixa preta.