Georges St. Pierre vence Johny Hendricks em combate controverso e anuncia afastamento do MMA

Potência dos punhos e wrestling de Johny Hendricks complicam a vida de Georges St. Pierre na luta principal. Rashad Evans não toma conhecimento de Chael Sonnen e Robbie Lawler segue seu conto de fadas ao bater Rory MacDonald.

No fim das contas, o “and still…” de Bruce Buffer confirmou que o cinturão dos meios-médios permaneceria no Canadá. Mas não sem uma controvérsia daquelas. Em luta bastante parelha, Georges St-Pierre superou Johny Hendricks, manteve seu título, estendeu a sequência de defesas para nove e tornou-se o lutador que mais venceu na história do UFC (19 triunfos). Mas o mínimo que se pode dizer é que o desafiante merece uma revanche imediata. O duelo foi o principal do UFC 167, que atraiu 14.856 pessoas à MGM Grand Garden Arena e gerou renda de US$5,7 milhões.

O campeão teve enorme dificuldade de lidar com o pacote wrestling mais potência nos golpes do desafiante. Mesmo circulando para o lado direito de Hendricks em parte do combate e até chegando a prender o braço esquerdo do rival, St. Pierre não evitou ser duramente acertado. Principalmente nos rounds 3 e 5, os jabs do campeão fizeram o trabalho de manter o oponente distante e garantir a pontuação.

Hendricks teve seu melhor momento no segundo round, quando fez as pernas de GSP tremerem com uma pedrada de esquerda seguida de outros golpes pesados. Estranhamente, Johny não deu a sequência necessária e partiu para a luta agarrada, dando chance para St. Pierre se recuperar. No quarto, o desafiante se aproveitou de uma puxada de guarda do campeão para martelá-lo com contundência no ground and pound, mas, estranhamente, permitiu que o combate voltasse ao centro, na troca de golpes.

O round de maior polêmica foi o primeiro. Georges aparentou ter tido mais tempo de controle de distância e leve vantagem na quantidade de golpes, mas Johny aplicou os golpes mais contundentes. Como as Regras Unificadas de Conduta do MMA falam que contundência prevalece sobre quantidade, principalmente quando a diferença na quantidade é mínima, a parcial deveria ser marcada a favor do desafiante.

Com esta visão, Johny Hendricks deveria ter ficado com a vitória por 48-47, vencendo os rounds 1, 2 e 4. Mas não foi o resultado oficial. O juiz Glen Trowbridge seguiu esta mesma visão, mas Sal D’Amato e Tony Weeks apontaram a primeira parcial para o canadense, mantendo-o como campeão. Para ter ideia de como a luta foi apertada, eu julguei o primeiro round para St. Pierre durante a transmissão ao vivo.

A papeleta com o placar oficial da luta principal do UFC 167 entre Georges St. Pierre e Johny Hendricks

A papeleta com o placar oficial da luta principal do UFC 167 entre Georges St. Pierre e Johny Hendricks

Abalado pelas pancadas que levou na cabeça, GSP deu uma estranha declaração ao final do combate:

“Ouça, tem muito o que ser dito sobre o que ia acontecer. Tem um monte de coisa acontecendo na minha vida. Preciso pendurar minhas luvas por um tempo e focar na minha vida. Preciso me afastar um pouco. É tudo o que eu posso falar agora. Eu fui socado um pouco. Mais tarde, vou falar sobre isso, mas agora eu tenho que me afastar por um tempo.”

Depois, St. Pierre falou sobre o combate e a atuação do desafiante.

“Ele foi muito bom ao contra-atacar meu plano de jogo. Meu plano era fazê-lo lutar recuando, na ponta dos pés, porque ele é um pegador muito poderoso, eu posso falar. Ele fechou meus olhos com um de seus golpes. Não consegui enxergar pelo olho direito. Ele bate muito forte.”

Visivelmente decepcionado com o resultado, Hendricks foi gentil com o campeão e afirmou que voltará para pegar o cinturão.

“Achei que venci claramente a luta. Georges foi um grande cara. Vocês viram a mesma luta que eu? Estou certo que venci. Georges foi um grande competidor, tiro meu chapéu para ele. É chato, mas eu vou voltar. Vou conquistar aquele cinturão. É meu. Eu o conquistei, mas foi tirado de mim. Eu juro por Deus que não vai acontecer novamente.”

Rashad Evans não toma conhecimento de Chael Sonnen e vence por espancamento

Se a luta principal terminou envolta em controvérsia, não se pode dizer o mesmo do duelo anterior. O ex-campeão dos meios-pesados Rashad Evans voltou a ter uma atuação como há muito não acontecia e passou por cima de Chael Sonnen.

Como de costume, Sonnen partiu agressivamente para cima do adversário e o duelo logo passou ao clinch na grade. Depois de controlar o amigo, Rashad o derrubou e iniciou o massacre passando facilmente a guarda. Um cotovelaço violento explodiu contra o rosto de Sonnen e permitiu que Evans chegasse à montada. O ground and pound feroz fez com que Chael desse as costas para o oponente. Rashad então apertou o ritmo e obrigou o árbitro Herb Dean a decretar o nocaute técnico a 55 segundos do fim do primeiro round. O lado curioso foi que Sonnen pareceu ter dado os tapinhas em sinal de desistência, mas Dean não viu.

Robbie Lawler segue o conto de fadas e afasta Rory MacDonald do cinturão

Em outro combate duríssimo no UFC 167, Robbie Lawler conquistou sua terceira vitória em três lutas desde o retorno ao UFC, aproximou-se bastante de uma disputa de cinturão e, de quebra, deixou Rory MacDonald um passo para trás.

Com ótimos chutes baixos e defesa de quedas, Lawler montou um bom plano que impediu que MacDonald ficasse à vontade, já que um petardo finalizador poderia aparecer a qualquer momento. O canadense demorou a encontrar a distância no combate, o que só aconteceu efetivamente no segundo round. Nesta parcial, “Ares” finalmente foi capaz de encurtar e levar Robbie para o solo, despejando seu violento ground and pound cheio de cotoveladas para empatar a luta.

O terceiro round tomou proporções nervosas com o empate e equilíbrio das ações. Lawler tratou de fazer a balança pender para seu lado quando mandou MacDonald a knockdown com um poderoso gancho de esquerda. O canadense foi todo coração ao suportar a pedrada e o castigo subsequente, mas não conseguiu mais tomar a dianteira. MacDonald até conseguiu outra queda e forte trabalho de golpes no solo, mas o tempo foi curto e insuficiente para evitar a derrota.

Pancadas de Tyron Woodley provocam terceira derrota seguida de Josh Koscheck

A passagem de guarda do MMA segue a pleno. Um dos remanescentes da primeira temporada do The Ultimate Fighter, Josh Koscheck não aguentou a pressão dos punhos de Tyron Woodley e foi brutalmente nocauteado no primeiro round.

A direita de T-Wood já abalou Kos nos segundos iniciais, mas o veterano aguentou o tranco e conteve o ímpeto do oponente no clinch na grade. Herb Dean mandou que os lutadores voltassem ao centro devido a pouca ação e a sorte de Josh mudou. Um petardo de direita de Woodley mandou o oponente à lona. O ataque seguiu violento no ground and pound, mas sabe-se lá como o ex-desafiante sobreviveu. Mas, na segunda vez, não houve jeito. Outra direita violentamente se chocou contra o queixo de Koscheck, que caiu sentado. Antes que pudesse reagir, Kos levou outra cacetada violenta, desta vez na têmpora, que decretou o fim da contenda.