Gennady Golovkin fecha o Cinco de Mayo com nocaute avassalador sobre Vanes Martirosyan

Por Alexandre Matos | 06/05/2018 13:39

Por ser a data mais tradicional do boxe mundial, o Cinco de Mayo reserva grandes combates anualmente. Em 2018, o feriado daria espaço para a revanche entre Gennady Golovkin, atual número um peso por peso na lista da prestigiosa Ring Magazine, e Canelo Álvarez, quarto do mesmo ranking. Com os problemas do mexicano com doping, o promotor Tom Loeffler teve que arrumar uma solução de última hora no armênio Vanes Martirosyan, que estava há dois anos sem lutar.

LEIA MAIS Tony Bellew nocauteia David Haye na revanche e se fortalece nos cenários dos pesados e cruzadores

Os contratempos fizeram inclusive o evento mudar de palco. Inicialmente agendado para a T-Mobile Arena, em Las Vegas, GGG teve que lutar no mais modesto StubHub Center, em Carson, na Califórnia. O modelo de transmissão também mudou do pay-per-view da HBO para uma transmissão por cabo da própria emissora. Apesar de o interesse popular ter desabado com a mudança de adversário e de unanimemente se afirmar que Martirosyan não está no nível de competição de Golovkin, o combate acabou entregando boa dose de entretenimento para o pouco tempo de duração.

Era nítida a falta de ritmo do armênio, que, além de estar inativo por muito tempo, subiu uma categoria para enfrentar Golovkin. Ainda assim, Vanes não demonstrou medo de estar diante de um dos maiores artistas do nocaute da atualidade. Lutando praticamente em casa – ele mora em Glendale, a cerca de 40 quilômetros do StubHub Center – Martirosyan tentou encarar o campeão de igual para igual no primeiro round. O armênio chegou a fazer o oponente recuar com uma combinação e acertou um bom golpe na linha de cintura. Embora não o suficiente para vencer o assalto, mostrou para Golovkin que era melhor encarar a luta com seriedade, pois o cazaque só tinha a perder.

De volta ao segundo assalto, não houve espaço para o “drama show” de Golovkin. O campeão se postou atrás de seu jab e abriu espaço para atingir Martirosyan com violentas pancadas. Um cruzado de direita explodiu contra o queixo do desafiante e foi seguido por uma combinação feroz. Oito golpes depois, Martirosyan foi à lona e não conseguiu responder à contagem do árbitro Jack Reiss.

 

Com o resultado, Golovkin, o campeão mais longevo do boxe atual, conquistou a 20ª defesa bem sucedida do cinturão do peso médio, igualando o histórico recorde do lendário Bernard Hopkins, de 2005. O triunfo de Golovkin valeu apenas para os cinturões da WBA e WBC, pois a IBF achou que Martirosyan não era um desafiante legítimo e não sancionou a disputa do título.

Na principal preliminar do evento, a norueguesa Cecilia Braekhus, considerada a número um do mundo peso por peso, teve seu mais difícil teste da carreira. A campeã do peso meio-médio sofreu seu primeiro knockdown, no sétimo assalto, mas conseguiu retomar o controle da luta contra a americana Kali Reis, ex-campeão do peso médio. Esta foi a primeira luta de boxe feminina a ser transmitida na HBO e a 22ª defesa de Braekhus. A vitória por decisão unânime aconteceu sob os placares oficiais de 97-92, 96-93 e 96-93. O MMA Brasil anotou 96-93 para a campeã.

O duelo de Braekhus contra Reis acabou na porção televisionada do evento depois do cancelamento de última hora da luta de Román “Chocolatito” González contra Pedro Guevara, pelo peso galo, devido ao ex-número um peso por peso não ter conseguido o visto de trabalho.

Após o combate, Braekhus falou sobre um possível confronto com a campeã do UFC Cristiane Cyborg, que estava no ginásio acompanhando o evento.

“Se nós conseguirmos fechar a luta, acho que seria algo espetacular a se fazer. Ela (Cyborg) é uma striker melhor que Conor McGregor. Acho que seria uma luta muito mais competitiva do que foi Mayweather-McGregor.”

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.