Furacão no MMA

E quem disse que fim de semana sem evento grande significa falta de novidades no MMA? Um furacão passou pelo esporte e deixou marcas. A primeira delas é o fim do Affliction Entertainment, a maior ameaça de concorrência ao UFC surgida desde a falência do PRIDE. Com a notícia do doping de Josh Barnett, adversário de Fedor Emelianenko no Affliction: Trilogy, o evento ficou sem sua luta principal. Sem acordo para fechar um adversário para a grande estrela da companhia, a confusão desencadeou um processo que culminou com algo que já estava ameaçado há algum tempo de acontecer: a falência do Affliction como evento de MMA. E como não poderia deixar de ser, o maior beneficiado foi o UFC.

    Entendendo a confusão UFC x Affliction

A marca de roupas Affliction Clothing, antiga patrocinadora do UFC e da grande maioria dos lutadores, fora banida do principal evento do mundo por divergências financeiras com a Zuffa LLC e Dana White. Em resposta, o dono da marca, Tom Atencio, juntou-se à empresa de promoção de lutas Golden Boy Promotions, do (na época ainda) boxeador Oscar de la Hoya, ao empresário Donald Trump, dono de cassinos e hotéis, além da M-1 Global, empresa que organiza eventos japoneses de MMA, como o DREAM e criaram o Affliction Entertainment, contratando Fedor como a principal estrela, confiando que a presença nos EUA do maior lutador do mundo seria suficiente para alavancar as vendas de ingressos, pay-per-views e demais atrativos. Como impacto pouco é bobagem, não se conformaram apenas com o Last Emperor e montaram um dream team do MMA: Josh Barnett, Vitor Belfort, Renato Babalu, Tim Sylvia, Andrei Arlovski, Rogério Minotouro, dentre outros não menos cotados.

Mesmo com o sucesso das primeiras edições Affliction: Banned e Affliction: Day Of Reckoning, nem tudo era um mar de rosas para o novo evento. Com um elenco caro demais, dentro de um esporte que cresce muito mas ainda não é o futebol, os problemas financeiros começariam a aparecer mais cedo ou mais tarde. Diferente do UFC, que tem mais de um evento por mês durante o ano, o Affliction vinha acontecendo numa média de um por semestre.

Tom Atencio e Dana White

Foto: Tom Atencio brinca com Dana White

Com a provável falência do Affliction Entertainment, Tom Atencio negociou a volta da sua marca de roupas para o UFC e assim selou novo acordo com Dana White.

    Certezas e chuva de especulações sobre o futuro

Como o MMA-Brasil.com é um blog voltado para o esporte, não estamos muito interessados em discutir quem tinha razão na confusão entre UFC e Affliction. E do ponto de vista esportivo, diversos rumores começaram a brotar em todo canto.

Sobre o que vai acontecer com os lutadores que estavam escalados para o Affliction: Trilogy e sob contrato com a M-1/Affliction/Golden Boy/Trump, o UFC colaborou muito com as especulações. Tirou do site oficial a luta Rich Franklin x Dan Henderson, que encabeçaria o UFC 103, sem colocar outra no lugar. Em paralelo, Dana White deu as boas vindas a Tito Ortiz, diretamente de seu Twitter.

Dana White da as boas-vindas a Tito Ortiz no Twitter

Os especuladores de plantão deitaram os cabelos. Apesar de Dana ter dito que seu tweet apenas significava que ele e Tito não mais se odiariam, mas que não necessariamente o lutador teria sido contratado, a notícia que corre é que o Huntington Beach Bad Boy realmente fechou com o UFC. Sua estreia inclusive seria no UFC 103, contra Franklin. Hendo, por sua vez, seria escalado no mesmo evento, de volta aos médios, contra ninguém menos que Vitor Belfort, que também estaria negociando seu retorno ao UFC, onde fez história. O que sabemos é que Dana White não esconde de ninguém que tenta trazer Vitor de volta para um confronto pelo cinturão de Anderson Silva.

Quem também se deu bem com o fim do Affliction foi o Strikeforce. O evento americano aproveitou e encaixou no superevento de 15 de agosto (Carano vs Cyborg) a luta entre Babalu e Gegard Mousasi, que seria a segunda luta principal do Affliction: Trilogy. O brasileiro inclusive é o atual dono do cinturão dos meio-pesados do Strikeforce e colocará o título em jogo contra o armênio. Além deles, o evento americano deve assinar com Jay Hieron e colocá-lo para disputar o cinturão vago dos meio-médios contra Nick Diaz no mesmo evento de 15 de agosto.

Outros lutadores do Affliction com casa nova garantida são Ben Rothwell e Chase Gormley. Ambos agora se enfrentarão no UFC 104, que será encabeçado pelo duelo dos meio-pesados Lyoto Machida e Maurício Shogun. O UFC também negocia com Rogério Minotouro, irmão gêmeo de Rodrigo Minotauro.

Mas obviamente o maior alvo dos rumores é Fedor Emelianenko…

    O futuro de Fedor

Fedor EmelianenkoDesde o UFC 100 intensificaram as declarações de Dana respondendo a perguntas sobre o supercampeão russo. O presidente do UFC não mede mais palavras e assume que quer contratar Emelianenko, inclusive dizendo que isso é um fato certo. Todos ficaram eufóricos com a possibilidade de o bom e velho padeiro destronar o falastrão Brock Lesnar. Mas como já ouvimos diversos boatos a este respeito, convinha não se empolgar demais. Até agora…

Por que até agora? Porque, pela primeira vez, um órgão respeitável passou uma notícia concreta sobre este assunto. O Los Angeles Times, um dos mais prestigiados jornais do mundo, divulgou que o mais aguardado acordo da história do MMA já foi acertado entre os empresários de Fedor e o UFC, mas só será anunciado na próxima sexta, dia 31 de julho.

A junção do maior evento do mundo com o maior lutador de todos os tempos era a notícia que todo fã do MMA sonhava em ver se concretizar. Por mais que a fonte do jornal tenha pedido para não se identificar (por motivos lógicos), o LA Times é um organismo respeitabilíssimo. O acordo ainda não teria sido divulgado, segundo o jornal, pela dificuldade que o UFC encontra para fazer Fedor aceitar o contrato padrão de seis lutas, além da má vontade do campeão de se render às obrigações comerciais e de marketing na nova casa.

A única notícia ruim dada pelo jornal é que Fedor já estrearia de cara contra Brock Lesnar, pelo cinturão. Não que o desafio seja mais difícil do que outras guerras enfrentadas pelo russo na carreira, mas seria mais justo dar pelo menos uma ou duas lutas de preparação para Fedor sentir o evento e, principalmente, se acostumar com o octógono. Mas depois de tanta dificuldade, não iríamos esperar que Dana fosse facilitar alguma coisa para Fedor, certo? Além disso, o padeiro já provou do que é capaz e pode muito bem pisar pela primeira vez num octógono atropelando Lesnar e levando pra casa o mais cobiçado cinturão do MMA mundial.

A M-1 Global, por outro lado, nega o acordo. Mas nem vou entrar em maiores detalhes, pois esta é a atitude mais óbvia. Fedor é a estrela maior da M-1 e estaria de saída (mesmo que não definitiva) para o maior concorrente. Seria o mesmo que o Flamengo divulgasse que Adriano está acertando com o Vasco ou que o Corinthians promovesse o acordo de Ronaldo com o Palmeiras.