Por Pedro Carneiro | 09/04/2015 15:46

Guerra. Nenhuma outra palavra descreve tão bem o que aconteceu no dia 9 de abril de 2005, no Cox Pavilion, onde Forrest Griffin enfrentou Stephan Bonnar por um contrato de seis dígitos com o UFC, na final da primeira edição do reality show The Ultimate Fighter.

A guerra teve início quando Bonnar acertou um chute na cabeça de Griffin e trocas de golpes, clinches e quedas selvagens somente se encerraram ao soar do último gongo (confira a íntegra da luta no vídeo ao final desta matéria). Todos os juízes enxergaram a vitória por 29-28 para Forrest Griffin, que se sagrou campeão do TUF 1 na categoria dos meios-pesados.

A importância dessa luta não está somente na batalha épica que ocorreu dentro do octógono, mas no impacto que toda a temporada do TUF causou nos Estados Unidos, culminando no embate épico da final do reality show. O UFC estava perto de decretar falência quando decidiu realizar o programa junto com o canal Spike TV. Era a última tentativa de salvar o evento e o último montante que os irmãos Fertitta estavam dispostos a gastar no UFC.

O TUF nasceu com a intenção de humanizar os lutadores e aproximá-los do público, além de mudar a imagem do esporte, que era vista como selvageria, uma “rinha de galos” humana. Apesar de não ter atingido grande audiência durante a temporada, a pancadaria lendária da final protagonizada por Griffin e Bonnar fez com que os índices televisivos alcançassem valores muito acima dos esperados – a audiência subiu vertiginosamente durante o combate. O resultado finalmente colocou o UFC no mainstream. Tanto a organização quanto o esporte deixavam de ser atração de nicho e passaram a ser aceitos pelo grande público americano.

O impacto do TUF 1 foi tão grande que Dana White já afirmou diversas vezes que, sem aquela edição, o UFC jamais conseguiria ter alcançado o mainstream, não teria evitado a falência iminente e não teria sido capaz de comprar a massa falida do PRIDE FC, incorporando quase todos os maiores astros do MMA da década passada. Por estes motivos, o presidente do UFC considera a luta entre Forrest Griffin e Stephan Bonnar como a mais importante da história de sua empresa. E é possível ir mais longe: é a luta mais importante da história do MMA.

Além dos dois finalistas, o TUF 1 contou com a participação de vários outros atletas que viriam a se tornar estrelas do evento. Foram os casos de Diego Sanchez; Kenny Florian, vice-campeão de Sanchez e desafiante em duas categorias diferentes; Josh Kosheck, desafiante dos meios-médios; e o polêmico Chris Leben, lutador que deu as boas-vindas a Anderson Silva no octógono.

Os treinadores daquela edição também se beneficiaram com o sucesso do programa. As superestrelas Randy Couture e Chuck Liddell puderam acirrar uma rivalidade que nascera dois anos antes e que se tornou uma das maiores da história do MMA. O TUF 1 tornou Couture e Liddell grandes personalidades nos Estados Unidos.

Tudo isso, catapultado pela última luta que completa hoje uma década, transformou o UFC no fenômeno que é hoje, tirando-o de um público restrito, fadado ao fracasso, para se transformar em uma das franquias esportivas mais poderosas do mundo, deixando de valer US$2 milhões para invadir a casa dos bilhões de dólares.

Em 2013, Griffin e Bonnar entraram para o Hall da Fama do UFC, em reconhecimento à importancia que tiveram para a organização e, com certeza, para todo o MMA. Se Forrest e Stephan não tivessem protagonizado essa luta, talvez os fãs ainda estariam sofrendo para acompanhar os eventos, para conseguir notícias – e certamente este texto não teria sido escrito.

Então, dez anos depois ainda é necessário dizer: obrigado, Forrest Griffin e Stephan Bonnar.

Historiador e fã de lutas, conheceu o MMA através das lutas de Vitor Belfort, no UFC 12. Fanático por cinema, séries, literatura e Sylvester Stallone.