Por Alexandre Matos | 21/02/2015 00:19

Demorou uns cinco anos, mas finalmente uma das lutas mais aguardadas da história dos esportes de combate finalmente foi oficializada. Nesta sexta-feira, o número um do mundo peso por peso Floyd Mayweather anunciou que enfrentará Manny Pacquiao no próximo dia 2 de maio.

A super luta unificará cinturões da categoria meio-médio. O americano colocará em jogo os títulos da Associação Mundial de Boxe (AMB), Conselho Mundial de Boxe (CMB) e The Ring, enquanto o filipino disponibilizará sua coroa da Organização Mundial de Boxe (OMB).

As maiores bolsas garantidas da história de todos os esportes serão pagas neste combate. Mayweather (47-0, 26 KO) conseguiu impor seu desejo de faturar 60% dos vencimentos, levando para casa US$150 milhões – caberá a Pacquiao (57-5-2, 38 KO) outros US$100 milhões. Nestes montantes não estão envolvidos participação em venda de pay-per-view, patrocinadores ou qualquer outro tipo de faturamento extra. Para efeito de comparação, Anderson Silva levou US$600 mil de bolsa e um adicional de US$200 mil por vitória no UFC 183, quando venceu Nick Diaz (ainda que estes valores vão sofrer uma baixa quando a suspensão pelo doping for anunciada).

Mayweather e Pacquiao lutarão no resort MGM Grand, o maior hotel de Vegas e palco das últimas 10 lutas de Floyd, além de oito das últimas 12 de Manny. Para se ter uma noção do quão esperada era esta luta, a assessoria de imprensa do MGM informou que vendeu todos os 6.852 quartos do resort foram vendidos em apenas quinze minutos após a oficialização do duelo.

A expectativa é muito elevada no ponto de vista financeiro. Espera-se que Mayweather-Pacquiao quebre o recorde de 2,4 milhões de pacotes de pay-per-view vendidos na luta entre o próprio Floyd e o superastro aposentado Oscar de la Hoya. O duelo também deverá superar a marca de US$150 milhões de venda de pay-per-view, marca obtida na vitória de Mayweather sobre Canelo Álvarez. A estimativa é que o pacote custe US$89,95 na versão SD e 99,95 na versão HD. Ainda há o recorde de renda, de US$20 milhões em Mayweather-Canelo, que também deverá virar pó. A luta ainda deve proporcionar guerras para os acordos televisivos ao redor do mundo.

A assinatura do contrato foi uma das maiores novelas já vistas. As redes de televisão Showtime, dona do contrato de transmissão das lutas de Mayweather, e a HBO, que detém os direitos de Pacquiao, tiveram que chegar a um acordo que não foi nada fácil – a única vez que elas coproduziram um show foi na disputa do cinturão dos pesados entre o então campeão Lennox Lewis e o desafiante Mike Tyson, em 2002. Além disso, Floyd não negociava com Bob Arum, dono da Top Rank, empresa que gerencia Pacquiao. Também foram gastas horas de negociações para fechar acordo.

Ficou definida uma multa de US$5 milhões para caso um lutador não bata o limite de 147 libras (66,7 quilos). Os atletas ainda estarão sujeitos a testes-surpresa antidoping, que serão realizados pela USADA, a agência antidoping dos Estados Unidos, filiada à WADA. A agência promoverá testes de sangue e urina, conforme pedido de Mayweather. A Comissão Atlética de Nevada sancionará o duelo.

No ponto de vista esportivo, Mayweather-Pacquiao é tida como a versão da primeira Muhammad Ali vs Joe Frazier da atual geração. Será o encontro da fortaleza defensiva do americano contra a superprodução ofensiva do filipino. Enquanto Pacquiao mandou Chris Algieri seis vezes a knockdown em seu último compromisso, Mayweather jamais beijou a lona em sua carreira.

Mayweather-Pacquiao começou a ser fortemente demandada em 2009. Na ocasião, Floyd retornou de uma breve aposentadoria para passar por cima de Juan Manuel Márquez, último homem a vencer Pacquiao, em 2012 (em todos os quatro confrontos, o mexicano deu trabalho gigante ao filipino). Dois meses depois de Floyd bater Juan Manuel, Manny subiu para a mesma divisão dos meios-médios e espancou Miguel Cotto. Quando este cenário se deu, o público achou que o único adversário para Mayweather era Pacquiao – e vice-versa.

Quando Pac-Man foi nocauteado por Márquez – a segunda derrota consecutiva do filipino, que perdera controversamente para Timothy Bradley -, muitos achavam que a super luta tinha ido por água abaixo. Mas Pacquiao se recuperou vencendo o próprio Bradley, Brandon Ríos e espancando Algieri, fazendo seu valor de mercado novamente subir.

Os superastros se encontraram em janeiro, na partida entre o Miami Heat e o Milwaukee Bucks, na NBA. Eles trocaram os números de celulares e passaram a se falar, medida considerada fundamental para o acordo sair.

Agora só nos resta esperar ansiosamente pelo dia 2 de maio.