Floyd Mayweather vs. Conor McGregor: o impossível se concretizou

Por Alexandre Matos | 15/06/2017 10:32

Não se pode duvidar de mais nada neste mundo. Quando Floyd Mayweather e Conor McGregor começaram a se provocar, a hipótese de uma luta era tratada como escárnio – inclusive por mim. Porém, nesta quarta-feira, o que era tido como patacoada ganhou data e local.

Mayweather e McGregor se enfrentarão num ringue de boxe no dia 26 de agosto, na T-Mobile Arena, em Las Vegas. A luta será disputada em 12 assaltos, embora sem valer título mundial, no peso médio-ligeiro (ou super meio-médio), com limite até 154 libras, cerca de 69,9 quilos. O acordo prevê utilização de luvas de 10 onças e exames antidoping organizados pela USADA.

 

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O combate vai juntar o maior fazedor de dinheiro da história de qualquer esporte com o sujeito que mais fez os dólares rolarem no MMA. Esta é a principal sustentação – na verdade, a única – para justificar uma luta de tamanha disparidade técnica e de experiência. A venda de pay-per-view nos Estados Unidos ficará a cargo do canal Showtime, que detinha um contrato para as seis últimas lutas da carreira de “Money”. Há a expectativa de que o espetáculo seja o único capaz de rivalizar com o histórico combate entre Mayweather e Manny Pacquiao, a luta mais rica de todos os tempos.

Estima-se que cada um embolsará US$100 milhões. Para Mayweather, seria seu segundo maior ordenado, contando apenas bolsa garantida. Para McGregor, uma dinheirama que talvez ele nem tivesse tempo para arrecadar em toda a carreira no MMA. Porém, os vencimentos do americano irão além da bolsa, já que o combate será promovido pela Mayweather Promotions. Acredito que não haverá divisão de pay-per-view nem de publicidade, ambos cabendo apenas ao americano, mas não há ainda uma divulgação oficial a este respeito (e acho que sequer haverá).

Dana White deve estar esfregando as mãos, já que parte da grana que caberá a McGregor cairá na conta bancária do presidente do UFC, que é dono do contrato profissional do irlandês. Por outro lado, é bom que White já esteja providenciando a disputa do cinturão interino-que-vai-virar-linear do peso leve do UFC entre Khabib Nurmagomedov e Tony Ferguson. Eu duvido que McGregor volte a pisar no octógono depois de embolsar uma centena de milhões numa única noite. McGregor precisaria de umas 10 lutas no UFC para igualar este montante. E ele cansou de dizer que não pretende lutar por tanto tempo.

Essa quantidade nababesca de dinheiro envolvido tem um motivo. Floyd e Conor são os mais bem-sucedidos trash-talkers da história das lutas, em relação à capacidade de reverter o falatório em dinheiro. Eles já vêm se provocando e promovendo a luta desde 2015, quando Mayweather abandonou o boxe após igualar o icônico cartel de 49-0 de Rocky Marciano. Ambos são tão bons nisso que certamente o irlandês fará muitos acreditarem que pode vencer o combate e o americano deixará outros muitos irritados com sua arrogância, amealhando a tradicional torcida contra. Junte as duas situações e teremos um mar de gente em todo o planeta disposto a gastar dinheiro para assistir ao combate.

 

THE FIGHT IS ON.

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Não vou mentir, eu também quero assistir. Não só pela obrigação profissional para com meus leitores, mas porque acho que essa luta vai acabar sendo divertida. Só não confundam divertida com competitiva. McGregor não é azarão por largas margens à toa. O irlandês jamais competiu na nobre arte, nem mesmo como amador, e vai encarar o maior boxeador do nosso tempo, um dos maiores gênios já vistos em cima de um ringue, por muito tempo o número um peso por peso e campeão mundial em cinco categorias de peso. Uma discrepância tão gritante que a Comissão Atlética de Nevada jamais sancionaria o combate se não fosse render tanto dinheiro ao estado.

Há quem acredite que, aos 40 anos e há dois sem lutar, Mayweather estaria numa situação perigosa a ponto de cometer um deslize que mancharia para sempre sua reputação esportiva. Há quem também acredite que o notável poder de nocaute mostrado por McGregor no octógono será suficiente para finalmente reprovar um dos sistemas defensivos mais sólidos da história do boxe.

Toda a avaliação técnica terá espaço no MMA Brasil em seu devido tempo, com direito até a uma coluna Choque de Titãs. Até lá, vou pegar a pipoca para acompanhar as tretas que se intensificarão a partir de hoje.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.