Floyd Mayweather vence Andre Berto, encerra a carreira com uma atuação típica e iguala histórico 49-0

Com mais uma atuação dominante, Floyd Mayweather vence Andre Berto por decisão unânime e iguala a marca do lendário ex-campeão dos pesos pesados Rocky Marciano. Foram 19 anos de carreira sem sofrer um knockdown.

Não é raro grandes astros pararem e voltarem. O próprio Floyd Mayweather Jr. já fez isso. Porém, desta vez o pugilista número um do mundo peso por peso reforçou que foi a última vez que subiu num ringue para lutar profissionalmente. O americano bateu o compatriota Andre Berto na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, igualando o cartel histórico de Rocky Marciano.

“Money” teve mais uma de suas típicas atuações, reforçada pelo fato de Berto não ser a melhor escolha do ponto de vista competitivo. Mostrando sua conhecida fortaleza defensiva, Mayweather transitou em todas as partes do quadrilátero e fez o descendente de haitianos errar consistentemente. Mesmo quando se deixava encurralar nas cordas, Floyd era o senhor das ações, como aliás aconteceu em toda a sua lendária carreira de 19 anos e zero knockdonws oficiais sofridos.

Em momento algum Berto deu a impressão que poderia vencer a luta. No começo, pareceu nervoso diante de sua maior responsabilidade. Quando passou a se sentir mais à vontade no ringue e saiu à caça do rival, o ex-campeão dos meios-médios sofreu nas esquivas e contragolpes de Mayweather, que também foi superior no ataque, com jabs muito velozes e direitas precisas. A melhor passagem de Floyd na luta foi um rápido combo de dois ganchos, um com cada punho, seguido, por uma esquiva em pêndulo, saída lateral e um terceiro gancho de direita, um breve resumo de seus domínios defensivo e ofensivo.

O combate foi tão fácil que Mayweather dedicou os últimos rounds para brincar e fazer algumas palhaçadas no ringue. Teria sido mais respeitoso para todos uma tentativa de nocaute, mas Mayweather é Mayweather. O superastro ainda deu uma volta olímpica nos segundos finais do 12º assalto, diante de uma plateia de 13.395 pessoas que começou torcendo contra, mas que já gritava “T-B-E!” (The Best Ever, o melhor de todos os tempos) àquela altura. Ao soar do último gongo, Floyd caiu de joelhos no ringue, ciente de que um ciclo histórico se encerrava ali.

Os três juízes oficiais garantiram a vitória por decisão unânime a Floyd Mayweather. Um deles deu 120-108, marcando todos os assaltos ao campeão. Outro anotou 118-110 e o terceiro viu 117-111. O MMA Brasil compactua com o 120-108 ou com um 119-109 em respeito aos esforços de Berto.

As estatísticas oficiais também mostraram a larga margem que Mayweather obteve na luta. De acordo com o CompuBox, Berto lançou mais golpes (495 contra 410), mas acertou apenas 83 (17%) contra 232 (57%) de Mayweather. Nos golpes contundentes, a vantagem de Mayweather na porcentagem de acerto foi de 68% a 17%, enquanto que nos jabs foi de 43% a 13%.

Não é possível afirmar que Mayweather realmente fez ontem sua última luta profissional. Realmente terminou o contrato de seis lutas e 30 meses que ele havia assinado com o canal Showtime, em 2013. Porém, nada impede que ele faça um acerto para uma 50ª luta no ano que vem, talvez para uma revanche contra Manny Pacquiao, que foi a maior (no sentido numérico) luta da história dos esportes de combate. Na entrevista após vencer Berto, ainda no ringue, Mayweather foi enfático:

“Você tem que saber quando é a hora de pendurar as luvas e esta é a hora para mim. Eu não vou fazer isso quando estiver com 40 anos. Estou neste esporte há 19 anos, sou campeão há 18. Não há mais nada mais para eu fazer no boxe. Fiz grandes investimentos, estou financeiramente estável. Tive uma grande carreira. Meu cartel fala por si só. Estou deixando o esporte com minhas faculdades plenas. Ainda sou esperto, ainda estou afiado. Eu conquistei tudo. Não há mais nada para conquistar. Eu sou o melhor.”

Ele não foi o melhor de todos os tempos, mas indiscutivelmente o melhor boxeador que surgiu nos últimos 30 anos e fatalmente um dos 20 ou 25 melhores que o esporte já viu. Profissional desde 1996, depois de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, Mayweather não só venceu todas as 49 lutas que disputou profissionalmente como esteve em apuros em não mais de cinco delas. Para completar, foram 19 anos sem sofrer um único knockdown de modo oficial (fora uma polêmica contra Zab Judah, que não modificou o andamento e o desfecho do combate).

Mayweather sai de cena sem cicatrizes, sem lesões cerebrais e coberto de cinturões. Berto foi o 16º campeão ou ex que Floyd enfrentou consecutivamente (foram 24 no total). Das 49 lutas que ele disputou, 26 foram disputas de cinturões mundiais nas maiores organizações (WBA, WBC, IBF, WBO) – Mayweather foi campeão entre os superpenas, leves, superleves, meios-médios e médios-ligeiros (super meios-médios). Para completar, nenhum atleta, em modalidade esportiva alguma, faturou tanto dinheiro quanto ele – contra Berto foram US$32 milhões de bolsa garantida. Somente as seis lutas do contrato com a Showtime lhe renderam quase meio bilhão de dólares.

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Sempre haverá críticas sobre Mayweather, especialmente em relação à escolha de adversários. Por exemplo, este compromisso final poderia ter acontecido contra Keith Thurman ou Kell Brook, que certamente seriam mais competitivos do que Berto. Shane Mosley poderia ter sido enfrentado cinco anos antes, assim como o próprio Pacquiao. Até mesmo um confronto contra o vencedor de Acelino “Popó” Freitas e Joel Casamayor teria feito sentido em 2002.

Agora o cenário do boxe mundial se abre. O mexicano Saúl “Canelo” Álvarez é o principal candidato ao posto de maior astro do esporte. Gennady Golovkin também está na briga. O trono está vago depois de Mayweather tê-lo ocupado por tantos anos.

The Game Of Thrones is about to begin. E o boxe – ah, o boxe! –, este nunca morre.

Fotos: AP Photo/John Locher e Steve Marcus