Renato Moicano comenta resposta de Swanson: “Essa é a luta que tem que acontecer”

Renato Moicano já traçou seu plano para escalar o ranking dos penas e ficar alguns passos mais próximo à posse do cinturão. Vindo de vitória contra Calvin Kattar no UFC 223, no dia 8 de abril, o brasileiro apontou nessa quarta-feira (26) que quer enfrentar com Cub Swanson em julho. Em menos de 24 horas, o americano, aceitou o desafio no Twitter, se colocando à disposição para combate em agosto. “A luta tá pronta pra mim, é só marcar o dia. Não vejo outro adversário, essa é a luta que tem que acontecer”, disse Moicano em entrevista ao MMA Brasil.

O duelo ainda não foi oficializado por nenhuma das partes. O brasileiro, que ocupa o nono lugar do ranking da categoria, tem o objetivo de firmar seu nome no top 5. “Acredito que uma vitória contra o Swanson (quinto colocado) me deixaria na terceira posição da divisão. Logo depois dele está o Jeremy Stephens (em quarto), que, mesmo em boa fase, já foi batido por mim”. Cub caiu um nível após sua derrota na luta contra Frankie Edgar, sofrida no último sábado (21), no UFC Atlantic City.  Moicano avalia seu momento atual da carreira como positivo, reforçando que uma vitória expressiva contra o americano trará argumentos para um futuro title shot.

“Quando se está no top 10, é preciso impressionar. Tem que merecer o título. Pode não ser na primeira luta, na segunda ou na terceira, mas, em dois anos, eu me vejo com o cinturão nas mãos”

O brasileiro sofreu sua primeira derrota da carreira profissional no UFC 214, com uma guilhotina aplicada por Brian Ortega – que tentará destituir o campeão Max Holloway no UFC 226, em 7 de julho. A data estava na mira de Moicano: “Posso esperar um pouco porque ele pode ter tido uma lesão agora, na última luta. O ideal seria em julho, que é quando tem disputa de cinturão da minha categoria”. A retomada do sucesso na divisão, segundo Moicano, é fruto de seu camp na American Top Team, academia para qual o atleta migrou entre o combate contra Ortega e Kattar. “(para a próxima luta) meu camp com certeza será na ATT. Estou muito melhor, mas tem muita coisa que ainda não pude usar. Minha evolução técnica será mostrada quando houver exigência para isso”, completa o natural de Brasília.

O resultado positivo colhido na academia americana não vem só das rotinas de treino e material humano diferenciado à disposição. Em contraste às metodologias no Brasil, Renato diz que nunca teve um preparo com o nível de concentração mental que experimentou na ATT. “Lá, a gente é instruído a pensar também na parte de negócios, por isso pedi a luta. É algo contrário ao meu comportamento de antes, que era aceitar qualquer luta. A American Top Team está me possibilitando desenvolver não só como lutador, mas também como empresário. Saí da minha zona de conforto e voltei como outra pessoa”. Moicano considera trazer a metodologia estrangeira para sua academia na capital do País, a First Fight.

Moicano retomou o caminho da vitória no UFC 223, contra Calvin Kattar (Getty Images)

Relação com o público

Moicano é conhecido pelo seu jogo estratégico. Para traçar seu plano de jogo contra adversários, o brasileiro adota técnicas como análise do histórico de lutas. Parte do público médio costuma ter retorno negativo em relação a lutadores pragmáticos, especialmente grapplers – como Jon Fitch, Demian Maia e Tyron Woodley, em suas defesas de cinturão. A preferência do público pela trocação franca, segundo o atleta – faixa preta em jiu-jitsu e muay thai – não influencia nas suas estratégias. “Eu sou um lutador estratégico, mas eu sei entregar minha performance. Não à toa recebi o prêmio de luta da noite contra o Ortega. Sei que não sou um lutador chato”. No Brasil, sua imagem vem numa crescente, desde o reconhecimento pelo desempenho. “Estou tendo um bom retorno do público brasileiro. Lá fora é um pouco diferente, em função do público médio ainda não olhar tanto pra técnica”.

Independentemente do desempenho dentro do octógono, para criar atalhos na carreira e dar um boost de relações públicas, muitos lutadores têm usado como ferramenta o trash talk. “Acho que é uma das maneiras mais fáceis e rápidas de chegar num title shot. A gente já viu muitos atletas usando isso e tendo sucesso, como o Chael Sonnen e o Conor McGregor. Não faz meu estilo, mas entendo totalmente quem faz. O problema, pra mim, é quando o negócio é feito indiscriminadamente  e de qualquer forma. Quando passa do ponto, acho que pega mal pra imagem do esporte. Tá chegando num momento em que todo mundo quer fazer isso. Todo atleta agora quer ser o Conor McGregor”. Moicano se posiciona como simpatizante do estilo tradicional das artes marciais. “Acho que também podemos aparecer mostrando o esporte como algo positivo e como inspiração pra vida das pessoas. Eu nunca vi uma criança que entra num jiu-jitsu ou num judô que não respeita os pais e não respeita valores”.