Exclusivo: Gilbert Durinho fala sobre nocautes e adoração dos fãs: “Quero mais”

Por Gustavo Bizzo | 19/04/2018 17:00

Gilbert Durinho não planeja descansar tão cedo. No último sábado (14), no UFC On FOX 29, o brasileiro conquistou uma vitória significativa ao nocautear o estreante Dan Moret. O confronto marcou o segundo nocaute consecutivo do peso-leve, que não esperou para pedir o próximo adversário. Durinho mira no canadense Olivier Aubin-Mercier – 15º colocado no ranking da categoria – para a Semana Internacional da Luta, em julho. “Em 2018, quero lutar quatro vezes, e já estou apto para subir no octógono novamente em julho”, disse Durinho em entrevista ao MMA Brasil.

Conhecido pela sua especialidade na luta agarrada, o tricampeão mundial de jiu-jítsu reforça que os últimos resultados são frutos da evolução de sua carreira, em busca do aperfeiçoamento completo de suas armas no octógono. Apostando fichas na trocação, além de se lapidar, Durinho quer conquistar o fã médio de MMA com uma fusão entre agressividade e inteligência. A decisão foi acertada, segundo o lutador, destacando que não vai parar por aí e que tornará a vida de seus adversários ainda mais complicada. “Sei que o público adora nocautes. Os fãs estão me adorando pelos dois nocautes, e quero mais. É questão de tempo eu mesclar a trocação afiada com meu grappling, e aí os adversários ficarão preocupados sem saber o que eu vou fazer”, completou, reforçando que mantém suas raízes no jiu-jítsu.

Apagar os oponentes não tem sido uma questão apenas de estratégia, mas também de infraestrutura. O brasileiro confirma que mudar do Brasil para os Estados Unidos fez toda a diferença no seu desempenho. “Treino com professores holandeses, cubanos, brasileiros e americanos. Isso você só consegue ter nos Estados Unidos”, disse Durinho. Os treinos diários com outros atletas do UFC, mão de obra qualificada e a pujança do mercado norte americano são fatores-chave para que mais brasileiros sejam atraídos para os treinos nos Estados Unidos, segundo Gilbert. Outros exemplos de brasileiros que optaram pela mesma estratégia são Fabrício Werdum, Ronaldo Jacaré, Claudia Gadelha e Edson Barboza.

Desafios

Não só de treino, estrutura ou estratégia de imagem é feita uma luta no UFC. Antes de “saírem no soco” com seus adversários no octógono, os atletas precisam encarar outra luta do lado de fora: a balança. Durinho recentemente teve contratempos ao tentar se adaptar ao corte de peso exigido em sua categoria. O mais recente foi no UFC On Fox 29, neste final de semana. O brasileiro bateu meia libra (0,22kg) acima da tolerância, mas conseguiu se colocar dentro dos limites depois de uma hora, além do limite da pesagem oficial. Ao ser perguntado se a frequência de lutas, desde 2016, foi influenciada pelo corte de peso, Durinho afirmou: “Lutei menos porque é difícil casar luta para mim, muita gente corre. Sabem que eu não sou luta fácil pra ninguém”.

Em fevereiro, com luta marcada no UFC on FOX 28, em Orlando, Durinho passou pelo mesmo problema no corte, mas sem chance de se habilitar para o combate. Segundo decisão da comissão atlética local, o atleta não estava em condições de fazer o corte de modo saudável. Gilbert, na ocasião, enfrentaria Olivier Aubin-Mercier — a quem desafiou neste fim de semana. Uma das possíveis soluções para esse desafio que o brasileiro — e outros atletas — enfrenta é a abertura de novas categorias de peso na organização. Movimentos da Comissão Atlética da Califórnia (CSAC) e do UFC geraram rumores que indicam que esse cenário pode se desenhar no futuro. “Eu adoraria que essa categoria entre a leve e a meio-média surgisse no UFC. Seria ótimo para mim”, confirmou Durinho.

Outra tarefa fora do octógono é se manter relevante, antes e depois do combate. Lutando na categoria mais disputada e populosa na organização, o brasileiro enxerga o trash talking como parte da evolução do esporte e como ferramenta de visibilidade dos atletas, até certo ponto. “O lutador tem que se enquadrar no cenário atual do MMA. Não precisa faltar com respeito para provocar o adversário, para criar ansiedade nos fãs. Eu sou adepto aos lemas das artes marciais, do respeito, da disciplina, então nunca fiz isso. Mas entendo que o lutador tem que ter um diferencial, dentro e fora do cage“, completou o atleta.