Eu tenho 99 dúvidas, mas King Mo Lawal não é mais uma delas

Eu tenho 99 dúvidas, mas King Mo Lawal não é mais uma delas
MMA

O MMA Brasil incumbiu Pedro Carneiro de entrevistar o ex-campeão do Strikeforce e atual lutador do Bellator, King Mo Lawal, e, de quebra, iniciar um novo quadro de entrevistas no site.

Goiânia, maio de 2015. King Mo Lawal estava na cidade acompanhando Nik Lentz, seu parceiro na American Top Team, que lutaria no UFC Fight Night 67. Para cobrir o evento pelo MMA Brasil, eu e nosso editor-chefe Alexandre Matos.

Depois de várias vezes cruzando com King Mo no lobby do hotel que hospedava os lutadores, uma cena inusitada: o lutador nos pediu emprestado um carregador de celular. Aproveitamos a deixa para trocar uma ideia com Lawal, que ficou impressionado com o fato de dois brasileiros conhecerem inclusive sua carreira no wrestling. Fomos presenteados com uma camisa da ATT para cada, demos a ele uma do Brasil, trocamos contato pelo WhatsApp. Até hoje nos falamos. Num desses contatos, nasceu o mais novo quadro do MMA Brasil.

Nosso novo projeto começa com uma coluna de entrevistas. Pegando um gancho no famoso verso de Jay Z, vamos esgotar nossas dúvidas sobre King Mo Lawal.

Como você decidiu começar a lutar?

Eu decidi lutar porque, depois da seletiva da Olímpiada de 2008, eu não tinha dinheiro. Estava falido e precisava fazer dinheiro para sobreviver e viver feliz. Então decidi começar a lutar MMA.

Conte-nos como foi a experiência da primeira vitória e da primeira derrota da carreira.

Na minha primeira vitória no MMA, eu fiquei feliz, mas não estava satisfeito porque precisava ganhar mais dinheiro. Já na minha primeira derrota, fiquei tranquilo porque eu sei que toda as vezes em que você perde, se levar sua derrota a sério, é possível evoluir e se tornar um lutador melhor na próxima vez.

Em 2010 você foi campeão do Strikeforce. Que mudanças ocorreram na sua carreira por ser um campeão?

Quando eu ganhei o cinturão do Strikeforce, esportivamente não houve muitas mudanças, porque eu sempre me mantive treinando, competindo e com um objetivo. Eu ganhei um pouco mais de dinheiro, mas sempre queria lutar mais e mais. A diferença de valores que eu recebi quando era campeão não é muito maior do que recebia antes.

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Qual foi a sua luta mais difícil?

Minha luta mais difícil não foi de MMA, foi a luta contra uma infecção por uma bactéria chamada estafilococo. Essa infecção quase encerrou a minha carreira, foi muito difícil voltar. Eu levei dois anos para voltar ao normal.

E como foi esse período com estafilococo?

Minha experiência com o estafilococo foi a pior possível. Não desejo isso para o meu pior inimigo. Eu não conseguia dormir, não conseguia comer, estava com tubos no meu joelho para tirar o líquido da infecção. Eu estava tomando antibióticos na veia de 12 em 12 horas e tudo isso destruiu o meu estômago, eu levei dois anos para me recuperar completamente.

Quem são seus lutadores favoritos?

Sinceramente, eu não tenho nenhum lutador favorito em particular, mas amo boxe e tenho muitos lutadores favoritos como Floyd Mayweather Jr., Iran Barkley, William “Caveman” Lee, Fábio Noguchi, Tyrone Spong. No wrestling eu sou fã do Abdulrashid Sadulaev, do Kyle Snyder. No jiu-jítsu, sou fã de todos os faixas-pretas porque eles me finalizam facilmente.

Você já é um veterano no esporte, por quanto tempo você pretende lutar ainda? Quais são os seus planos após a aposentadoria como lutador de MMA?

Estou com 35 anos agora e meu objetivo é continuar lutando e me divertindo. Eu não tenho planos para depois da aposentadoria, estou focado em lutar agora e me divertir, lutar cada vez melhor e evoluir.

Qual foi a opinião dos seus pais quando você decidiu lutar? Eles te apoiaram ou não gostaram da ideia?

Quando decidi começar a lutar, minha mãe me disse: “Vai lá, dê o seu melhor, treine duro e não seja surrado”. Ela estava bem com isso, desde que eu estivesse em segurança, e eu já era adulto e poderia fazer o que quisesse. Então, fiz a minha estreia contra Travis Wiuff, no Japão, e venci.

Qual o seu próximo adversário?

Eu não tenho certeza ainda sobre meu próximo oponente, mas estou sempre pronto. Estou sempre treinando duro na academia para ajudar meu time a estar pronto para as lutas. Tive recentemente a preparação do Cara de Sapato, nós treinamos muito para vencer. Estou na academia novamente para ajudar o Junior Cigano e depois vou para a Califórnia ajudar o Lyoto Machida na Black House. Estou sempre treinando e me mantendo pronto para lutar.

Você treina com muitos lutadores brasileiros. Como é essa troca de experiências para você?

O MMA brasileiro é cheio de assassinos, eles treinam muito duro e estão sempre no topo. E é muito difícil se destacar no Brasil, porque existem muitos lutadores talentosos. Quando um cara é um lutador top no Brasil, você sabe que ele é especial, ele tem que treinar muito e ser muito talentoso para se destacar. Lutadores como José Aldo, Lyoto Machida, Anderson Silva, os irmãos Nogueira e Bibiano Fernandes são muito talentosos e especiais para terem chegado no topo.

Obrigado pela entrevista, foi um prazer para o MMA Brasil te entrevistar. Há alguma coisa que eu não perguntei e você gostaria de falar?

Para todos os leitores do MMA Brasil, continuem lendo e ajudando esse site. Eu espero ser convidado para mais entrevistas, continuem lendo o site, que é um dos melhores do mundo.

Só mais uma coisa: vão lá apoiar a Cris Cyborg porque ela é uma das maiores do mundo, uma das lutadoras que eu mais gosto de assistir. E continuem seguindo o MMA Brasil, porque é o melhor site de MMA do Brasil.

  • Lero

    http://io9.gizmodo.com/5927327/mma-fighters-love-staph-infections fiquei com medo dessa merda do estafilococo. Quando voltar na academia (algum dia) vou ligar mais pra higiene

    • Pedro Carneiro

      É muito importante, pode acabar com uma carreira…

  • Paulo Josué Lemos Alves

    Já tinha lido, mas ainda não tinha comentado. Excelente. Outro nível. Muito bom ver o alto nível que o site alcançou e ainda vem mais por aí!!

    • Pedro Carneiro

      Obrigado e vem mesmo!

  • Filipe Cunha

    excelente entrevista!