Por Edição MMA Brasil | 16/11/2019 19:17

Por Gustavo Lima e Idonaldo Filho

O UFC São Paulo começou às 19:00 horas, no Horário de Brasília, e a equipe do MMA Brasil esteve no Ginásio do Ibirapuera para fazer uma cobertura especial luta a luta da parcela preliminar do evento, com atualizações ao vivo dos bastidores. O duelo principal desta fatia do card contou com um faminto James Krause atropelando Serginho Moraes na categoria dos meios-médios e clamando um duelo contra um adversário de alto calibre.

A porção preliminar da noite contou ainda com algumas lutas muito interessantes, como Francisco Massaranduba encarando Bobby Green – duelo divertido vencido pelo Brasileiro – e Douglas D’Silva castigando brutalmente o ex-campeão Renan Barão.

James Krause nocauteia Serginho Moraes e engata quarta vitória consecutiva

É muito possível que essa tenha sido a última luta de Serginho Moraes no UFC. O jiujiteiro até que teve alguns momentos no primeiro assalto, conseguindo levar o combate ao chão, mas sendo pouco contundente, se limitando ao controle. Do segundo assalto em diante a luta foi toda de Krause.

Ambos mostraram defesas esburacadas, mas a trocação desengonçada de Serginho deu muitas brechas para que este fosse fortemente golpeado, tomando dois knockdowns durante o confronto. No terceiro assalto, Krause enfim obteve o nocaute. É a terceira derrota seguida de Serginho, sendo a segunda por nocaute.

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

Krause chegou na sala de imprensa um pouco atrasado, com o pé enrolado em bandagens. Segundo o atleta, seu dedão ficou preso entre a lona e a grade em algum momento do primeiro round, fazendo com que ele precisasse de alguns pontos, inclusive.

Quando questionado sobre as provocações feitas por Moraes no terceiro round, James foi bem humorado e revelou esse tipo de situação serve como motivação – valorizando o bom pano de fundo que Sérgio possui no jiu-jítsu.

“Eu gosto quando falam merda, me ajuda a continuar progredindo. Quando ele começa a fazer aquele tipo de coisa, seja desrespeito ou não, eu só vou ver depois. Eu não culpo ele […]. Eu estive no chão com ele, consegui reverter uma posição, não senti nada. Eu sou um faixa preta também! Ele não é o único faixa preta no UFC. Eu respeito muito ele, mas agora é minha hora”.

Carcacinha estreia nos penas com vitória convincente e levanta torcida

O uruguaio Luiz Eduardo Garagorri era o único lutador invicto a lutar no evento, e acabou perdendo essa invencibilidade para Ricardo Carcacinha, que fazia sua estreia na categoria dos penas. Logo no início do combate, o brasileiro conseguiu uma queda plástica, pegou as costas e conseguiu a mochilada. Logo encaixou o mata-leão facilmente e Garagorri teve que bater.

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

Com apenas 24 anos de idade e muito potencial, bons ventos sopram a favor Carcacinha na nova divisão, tendo admitido se sentir muito melhor sem o duro corte de peso.

“Pra quem já viu nos bastidores, sabe que o negócio [corte de peso] é louco. Eu sempre cortei muito peso pra bater 61, então a melhor escolha que fiz foi mudar pra 66. Nunca mais volto pra 61kg, 66kg é meu lugar.”

Massaranduba esbanja intensidade física e sai com o braço levantado

Em uma luta bastante acirrada, Francisco Massaranduba retornou a coluna das vitórias com uma decisão unânime sobre Bobby Green. A ação se manteve na trocação durante boa parte do combate, sendo que quando o duelo foi para o chão foi devido a erros de decisão de Massaranduba, que acabaram não o custando a luta, mas preocuparam. Green mostrava bom boxe e esquiva, mas o brasileiro também revidava com bom volume e teve um knockdown a favor no início do confronto. A decisão foi com placares de 30-27, 30-27 e 29-28 para Trinaldo.

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

Randy Brown volta a encaixar duas vitórias seguidas com boa finalização

Uma surpreendente derrota foi a de Warlley Alves. O brasileiro teve um início forte, derrubando Randy Brown com movimentos plásticos e colocando pressão por cima, até que o americano conseguiu retribuir o favor e o derrubou de forma bonita pouco antes do fim da primeira parcial. No segundo assalto, já mostrando uma leve queda de rendimento, Warlley entrou na guarda do jamaicano, mas logo caiu em um triângulo e teve que bater.

Após a luta, Brown desafiou Michael Chiesa e elaborou sobre o possível confronto nos bastidores:

“Eu acho que é uma boa luta pra mim. Ele é um lobo, é um cara do jiu-jitsu, mas ei, eu tenho um pouco de jiu-jitsu também (risos)[…]”

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

Sobre a evolução demonstrada nos últimos anos, Brown deu ênfase ao pouco período que possui como profissional e franco período de maturação pelo qual passa:

“Eu estou aprendendo com o trabalho, cara. Eu virei profissional em 2014 e em 2016 eu já estava no UFC. Por volta de 2015, eu lutei 5 vezes num período de 13 meses, então eu era muito inexperiente, ainda estava me encontrando. Ainda estou me encontrando.”

Douglas D’Silva atropela a sombra de um antigo campeão

Em luta desigual, Douglas D’Silva aplicou uma surra em Renan Barão, causando a quinta derrota em sequência do ex-campeão dos galos. Considerando os desempenhos anteriores, Renan se mostrou mais preparado, com um início de luta focado e conseguindo aplicar algumas quedas, mas não sendo tão efetivo.

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

Douglas pressionou Barão durante todo o combate, sempre aplicando sequências rápidas e potentes. Uma cotovelada abriu o olho de Renan, prejudicando sua visão no combate. Mostrando queda de ritmo, por pouco Barão não foi nocauteado antes do soar da buzina. Os juízes marcaram 30-26, 30-26 e 29-27 para Douglas D’Silva.

Quando perguntado sobre a atual situação de Renan Barão, Douglas mostrou respeito e solidariedade pela história do ex-campeão no esporte.

“É um cara que sempre admirei muito […] A gente fica pensativo, porque antes mesmo da proposta pra essa luta, eu via e pensava “pô, o guerreiro tá numa maré aí, mas vai levantar”. Não demorou muito, veio a chamada, falei “é, vamos lá”. Eles casaram a luta, aí é profissionalismo. Admiro o cara pra caramba, mas no fundo eu confesso que prefiria [lutar com] outra pessoa, um gringo, melhor ainda”.

Ariane Lipski espanta a zica e consegue primeira vitória no UFC

Contratada como campeã do KSW, Ariane Lipski finalmente venceu sua primeira luta no octógono após três combates realizados. Sua oponente foi Isabella de Pádua, atleta que pegou a luta com apenas dois dias de antecedência e não conseguiu bater o peso da categoria.

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

O início de Lipski foi muito agressivo e ela chegou a conseguir um knockdown em boa sequência de socos no início, mas logo Isabella conseguiu se recuperar e terminou o primeiro assalto por cima no ground and pound. O segundo round foi quando a maior parte das polêmicas aconteceram, com uma pedalada ilegal de Pádua fazendo com que ela perdesse um ponto e, em um momento, pareceu bastante que Lipski havia desistido batendo em uma chave de braço. No final, mais domínio de Lipski no solo, com ela terminando vitoriosa na decisão unânime por 30-26, 30-26 e 29-27.

“Eu não consegui ver bons momentos dela [Isabella] na luta. Galera achou que ela me finalizou no segundo round, gente, não existe finalização daquela posição. Eu estava tentando me movimentar, olhei pro meu córner pra ele me orientar a qual lado eu iria sair. Escutei dez segundos, ela tava puxando meu braço mas não tava pegando, não senti um soco, não senti um nada durante a luta.”

Tracy Cortez estreia no UFC com desempenho maiúsculo

Abrindo o evento, a estreante americana Tracy Cortez venceu Vanessa Melo na categoria dos galos – uma acima da categoria natural em que costuma atuar. Cria do Contender Series, Cortez mostrou uma variedade impressionante em seu arsenal, vencendo o primeiro assalto com sequências pesadas e maior atividade e contundência.

“Ela [Vanessa] lutou do jeito que eu esperava que ela fosse lutar, estávamos preparados pra isso. Eu queria ter mostrado minha habilidade com as mãos um pouco mais, os chutes, eu sei do que sou capaz no chão, wrestling e jiu-jitsu, então eu só queria mesmo me testar e acho que extraí o melhor disso”; disse Cortez.

Credit: Jason Silva-USA TODAY Sports

O restante da luta foi de total dominância, com Tracy mostrando seu wrestling, deixando poucas oportunidades para Vanessa tentar algo. Os juízes marcaram decisão unânime para Cortez com os placares de 30-27, 30-27 e 29-28. Com 25 anos de idade e esbanjando simpatia, a atleta natural do Arizona prova que é uma boa e promissora adição para o evento. Nas declarações pós-luta, a estadunidense demonstrou muita calma e confiança.

“Não é só uma luta de boxe, de kickboxing, é uma luta de MMA. Então eu gosto de misturar, não gosto de me prender a uma única coisa.”