Entrevista: Maurício Shogun fala das mudanças no treinamento e do confronto contra Chael Sonnen

Por Alexandre Matos | 14/08/2013 19:08

O ex-campeão dos meios-pesados do UFC Maurício Shogun tem compromisso marcado para o próximo sábado. O astro curitibano vai enfrentar o americano Chael Sonnen na luta principal do UFC Fight Night 26.

Dois dias antes de subir à balança, Shogun conversou com o MMA Brasil sobre a mudança que ele fez em sua equipe de treinamento. E não foi uma mudança qualquer. Tirando Renato Babalu, todos os demais treinadores foram trocados, inclusive seu irmão, Murilo Ninja. O carateca Glaube Feitosa, que havia ajudado nos treinos de Maurício para a luta contra Lyoto Machida, passou a desempenhar um novo papel – ele é “um dos três head coaches” de Shogun, em conjunto com o próprio Babalu e Roberto Gordo, que liderou os treinos de jiu-jítsu da estrela.

Shogun falou também da tática que ele espera que Sonnen use, das dicas que ele recebeu do lendário treinador de boxe Freddie Roach durante a curta, mas proveitosa, temporada de treinos que eles fizeram e até mesmo de uma possível mudança de categoria caso ele não consiga reconquistar o cinturão do qual foi dono entre 2010 e 2011.

Renato Babalu teve um importante papel no camp de treinamento de Maurício Shogun (Foto: Arquivo pessoal do lutador)

Renato Babalu teve um importante papel no camp de treinamento de Maurício Shogun (Foto: Arquivo pessoal do lutador)

No camp para a luta com Rogério Minotouro, você havia recrutado o americano Jacob Harman para cuidar do seu wrestling. O adversário mudou, agora é um wrestler de alto gabarito. Renato Babalu seguiu o plano traçado pelo Harman ou, como é uma luta totalmente diferente, foi feito um plano totalmente diferente?

Em 2013, foquei muito no wrestling. Treinei com o Harman nos Estados Unidos, em fevereiro, e conseguimos levá-lo ao Brasil para o camp. Mas, como a luta contra o Minotouro caiu e minha luta ficou para agosto, ele não pôde vir desta vez, porque já tinha compromissos nos Estados Unidos.

O Babalu conhece bem o Harman e colocou ainda mais qualidade nos treinos, já que tem uma visão muito boa também de MMA. Focamos no estilo do Sonnen de derrubar, então montamos a defesa e o ataque.

Você já enfrentou wrestlers pelo menos tão fortes quanto Sonnen em várias oportunidades. Que diferença você vê no jogo de Chael em relação a Jon Jones, Dan Henderson, Kevin Randleman ou Mark Coleman? E onde esta experiência pode te ajudar no sábado?

Acho que a diferença é que todos que você citou gostavam mais da luta em pé do que o Sonnen gosta, então tivemos troca de golpes em pé e algumas tentativas de quedas nas lutas. Contra o Sonnen, acho que ele vai correr para as minhas pernas, tentando dar pressão nas quedas o tempo inteiro. Mas vou saber defender e manter a luta de pé.

Falando em Randleman, você o finalizou sem dar um único soco, apenas trabalhando a guarda depois que ele te derrubou. Você acha que este cenário pode se repetir no sábado (principalmente se levarmos em conta o histórico de derrotas por finalização de Sonnen)?

Pode sim, até porque também tive excelentes treinos de jiu-jítsu. O Gordo é um grande mestre, seus treinos são ótimos. Se pintar a oportunidade, vou pra finalizar.

Seguindo na linha do jiu-jítsu, sempre considerei você como uma das guardas ofensivas mais fortes, mas pouco valorizadas, do MMA. Como foi o trabalho com Roberto Gordo, que é um dos melhores treinadores de jiu-jítsu dentro do MMA atual? Quais foram os principais pontos trabalhados?

Obrigado pelo elogio. Eu sempre gostei muito de treinar jiu-jítsu e me dei muito bem com o Gordo. Tanto que, quando adiaram minha luta, fez questão que ele fosse pra Curitiba de novo para participar do camp. Os treinos dele são ótimos e ele aplica o jiu-jítsu muito bem ao MMA.

Ainda em relação ao seu camp, o que foi mudado no campo da preparação física, para evitar quedas bruscas de rendimento?

Fiz um trabalho intenso físico, mas também no técnico, que ajuda muito no meu rendimento físico. Me cuidei mais, estou mais leve, pronto para lutar cinco rounds se for preciso.

Para encarar por cinco rounds um adversário que pressiona o tempo todo, Shogun investiu pesado na preparação física (Foto: Eduardo Ferreira/Tatame)

Para encarar por cinco rounds um adversário que pressiona o tempo todo, Shogun investiu pesado na preparação física (Foto: Eduardo Ferreira/Tatame)

Você fez uma mudança total na equipe de treinamento e recrutou o Glaube Feitosa como head coach. Por que o Glaube, que tem vasta experiência no kickboxing, mas nem tanta no MMA? Como ele se saiu no papel de líder da equipe?

Então, não teremos um head coach ao pé da letra. O Glaube participou do camp inteiro, foi nomeado no início assim, mas depois interagiu muito bem com o Babalu e com o Gordo, então temos três caras que sabem tudo de luta para orientar. É lógico que vamos concentrar em quem vai passar essas informações, que deve ser o Babalu na luta. Mas estou com três excelentes ‘head coaches’ (risos).

Você falou que agora está com soco “de homem” depois de treinar com Freddie Roach. Que tipo de mudança técnica ele incorporou em você?

Ele me deu muitos conselhos de posicionamento do corpo na hora do golpe, e isso muda tudo. Eu sempre fui considerado por ter um punch bom, então agora acho que ficará ainda melhor (risos). O Roach me passou detalhes e eles serão fundamentais para melhorar ainda mais minha trocação.

Se você não conseguir reconquistar o cinturão dos meios-pesados, há alguma chance de vermos você lutar como peso médio?

Muita gente me pergunta isso, mas não é fácil para mim. Peso naturalmente mais de 100 quilos, cortar para 84 quilos não seria fácil e não sei se eu conseguiria bater o peso bem, acho que bateria fraco. Sempre fui conhecido pela explosão física, acho que eu perderia isso nos médios. O meio-pesado é o meu peso, é a minha categoria.