Entrevista Jessica Andrade: “Em mais três lutas, encontrarei a Joanna de novo e aí será diferente”

Entrevista Jessica Andrade: “Em mais três lutas, encontrarei a Joanna de novo e aí será diferente”
MMA

Última desafiante do peso palha no UFC, Jessica Andrade se testou no tatame do Gracie Pro. Ela disse como as competições de jiu-jítsu ajudam no MMA, o que aprendeu na derrota para Joanna Jedrzejczyk e o planejamento para o futuro.

Ainda durante o Gracie Pro, que aconteceu no fim de julho, conseguimos bater um papo com Jessica Andrade. A última desafiante do cinturão do peso palha do UFC fez sua primeira competição depois de conseguir a faixa marrom de jiu-jítsu. Ela perdeu na final, mas finalizou uma faixa-preta pelo caminho.

Jessica falou sobre conciliar o MMA com a arte suave, falou da lesão sofrida antes da luta com Joanna Jedrzejczyk, como foi a luta, o que aprendeu com ela e quais são os planos para o futuro.

Não tem muito tempo que você lutou no UFC, desafiando o cinturão da Joanna Jedrzejczyk. Agora lutou no Gracie Pro. Como é esta vida de conciliar o MMA e o jiu-jítsu?

Vou te falar que é bem difícil, mas eu acho que a gente tem que fazer isso, dar a cara a tapa, participar dos campeonatos. É muito importante. Eu costumo dizer que todo mundo vai para ganhar, mas quando a gente perde é um aprendizado. A gente não tem obrigação de ganhar, nosso foco principal é o MMA. Quando você vem aqui, aprende muita coisa. Aprende seus defeitos, sabe onde tem que mudar. Lutar jiu-jítsu influencia muito no meu MMA. Se tiver um ajuste bom, uma pegada, uma defesa boa de quedas, é fundamental no MMA. É aqui no campeonato de jiu-jítsu que a gente aprende isso.

Neste mês, estou participando de todos os campeonatos de jiu-jítsu que eu puder. Não estou conseguindo treinar, estou me recuperando de uma lesão depois da luta com a Joanna. Estou fazendo tratamento, mas mesmo assim consigo competir aqui com bons resultados. Quando eu puder treinar direito, vai vir ouro.

Você pegou a faixa marrom há pouco tempo e ganhou de uma faixa preta no Gracie Pro. Isso te dá mais confiança para sua carreira como um todo.

Com certeza. Peguei a faixa marrom há duas semanas, eu acho. Peguei no Mundial da CBJJE, em São Paulo. Em cada faixa que eu pego, aprendo uma coisa nova, fico melhor. Consegui finalizar a faixa-preta, isso anima a gente. Vejo que consigo render como meu mestre quer. Lutei na categoria de cima, veio a prata. Agora vou me dedicar mais para conseguir o ouro depois.

Qual foi a gravidade dessa lesão da luta com a Joanna e qual é o tempo previsto para recuperação total?

Na verdade eu me machuquei antes da luta. Estava num treino de queda, na grade. Quando fui defender, minha colega de treino conseguiu me quedar e eu caí com o ombro colado no pescoço. O médico disse que eu trinquei a clavícula. Fui pra luta mesmo assim, dei o meu melhor lá. Não trouxe a vitória e o cinturão, mas eu participei, lutei bem. Quando voltei, pensei: “Agora tenho que me cuidar”. Estou fazendo fisioterapia. O médico disse que em sete ou oito sessões já estarei bem, não vou mais sentir dor. Vai dar para fazer boas lutas.

Você disputou o cinturão do peso palha do UFC e não conseguiu vencer a Joanna, ela acabou te frustrando no volume de golpes. Como foi a experiência de lutar com ela? O que faltou, qual foi o seu maior erro na luta?

Tudo o que eu precisava era fazer uma disputa de cinturão. Eu nunca tinha feito cinco rounds. No primeiro round, a Joanna fez tudo o que a gente tinha treinado. Ela vai para cima das meninas, troca e para. Neste momento foi quando eu consegui aplicar bons golpes nela, consegui derrubar. Por causa da lesão não consegui mantê-la no chão. Mesmo assim a gente trocou, achei que fui muito bem no primeiro round. No segundo round, ela já mudou a estratégia. Isso me confundiu muito. Ela começou a bater e sair correndo. Quando eu tentava contragolpear, ela já estava muito longe, eu não conseguia acertá-la. Quando eu ia para cima, ela andava para trás. Como ela tem a envergadura maior que a minha, foi bem difícil encontrá-la. E como eu nunca tinha feito cinco rounds, o mestre falou para irmos dosando, que se fosse para perder, pelo menos perderia em cinco rounds, por pontos, sem ser nocauteada ou finalizada. Então fui fazendo esse trabalho. O gás estava excelente, tanto que fui para cima dela no quinto round, não dei espaço, mas mesmo assim eu não consegui nocautear. Ela corre muito bem, né (risos)? Eu fiquei muito feliz, o trabalho foi bem feito, o camp foi muito bom. Consegui chegar lá e mostrar que, mesmo sendo nova, tendo uma estrada longa pela frente, uma menina de 25 anos pode chegar lá e fazer frente com a campeã. Quando eu comecei a treinar, ela já era campeã mundial trilhões de vezes de muay thai. Tenho uma estrada longa pela frente, mas com certeza em mais umas três lutas eu encontro com ela de novo e aí será diferente. Já sei o que ela pode fazer. Eu sei que ela não vai me nocautear, então o jogo é deixar ela bater e entrar pra dentro.

A derrota não te jogou muito para trás no ranking. Quem você gostaria de enfrentar para recuperar o fôlego na corrida pelo título? Quer lutar no UFC de São Paulo?

Estou conversando com meu empresário para ele casar a próxima luta em outubro ou novembro. Tem uns eventos bons, um aqui em São Paulo e outro na Polônia. Tudo depende do UFC. Eu gostaria muito de lutar com alguém mais bem ranqueada do que eu. Acho que a Tecia Torres seria uma boa pedida, ela é a quinta do ranking. Até mesmo a Claudinha Gadelha (Jessica ainda não tinha sido confirmada contra Claudinha no UFC Japão). Eu não sei qual é a ideia do UFC. As outras meninas estão com lutas marcadas, então pode até vir uma menos ranqueada. Seja quem vier eu sei que vou estar pronta. Vou continuar entre as cinco e quem sabe, em mais três lutas, voltar a disputar o cinturão de novo.

O UFC está criando o peso mosca e você não é uma peso palha tão grande. Tem interesse em se testar na categoria de cima? O corte de peso hoje é muito severo para você?

Eu costumo falar para meu mestre que está muito bom no 52. No começo, quando baixei de categoria, duas abaixo da minha, eu tinha medo de não conseguir bater o peso. Nossa prioridade como atleta é bater o peso. A gente treina só para isso, para bater o peso e fazer uma boa luta. Fiz esse trabalho e desci muito bem. Não faço sauna, não faço banheira. Só faço treinos e alimentação regradinha.

Essa categoria nova será muito boa também, mas acho que pode desfalcar muito as categorias 61 e 52. Se eu me mantiver na minha, terei a chance mais rápido ainda de conquistar o título. Talvez a Joanna suba para lutar no 57. Como ela sofre muito para bater 52, acho que ela vai optar pelo 57, aí vai sobrar mais espaço para mim. É questão de estratégia. Eu me sinto muito bem lutando de 52, mesmo sendo baixinha. Mas eu era mais baixinha ainda quando lutava de 61, né? Agora acho que me encontrei.