Entrevista: Cris Cyborg fala da estreia e futuro no UFC, corte de peso, treinos com Pacquiao e, claro, Ronda Rousey

A um dia de bater um peso que não alcançava há 10 anos, Cristiane Cyborg falou de seu futuro no UFC, chance de lutar como peso galo, dos treinos realizados com Manny Pacquiao, da relação com Leslie Smith, inimizades e Ronda Rousey.

O gigante UFC 198, que será disputado neste sábado, em Curitiba, está repleto de atrações. Uma das que mais tem atraído interesse do público na cidade é a local Cristiane Cyborg, que finalmente fará sua estreia na maior organização do MMA mundial.

Cris esteve hoje junto com as principais estrelas do card curitibano no Media Day promovido pelo UFC no Estádio Atlético Paranaense, que será palco do evento. Aproveitei a ocasião para, numa parceria com a repórter Ana Hissa, do SporTV, conversar com a campeã peso pena do Invicta FC, que vai encarar a americana Leslie Smith em peso combinado até 140 libras (cerca de 63,5 quilos). Cyborg falou do corte de peso, da talentosa menina que se exibiu com ela nos treinos abertos da véspera, de lutar com amigas, de ter (ou não) inimigas, da interminável rivalidade com Ronda Rousey e até mesmo de Manny Pacquiao, que andou ajudando na campanha para Cris lutar no UFC.

Confira abaixo o bate-papo com a simpática lutadora.

Você foi a principal atração das sessões de treinos abertos de ontem, especialmente quando chamou uma menina que parecia a mini-Cyborg.

A verdade é que ontem eu estava um pouco nervosa. Vai dizer que eu não ia ficar nervosa? Então começou o treino e, no finalzinho, falei para chamar uma fã para treinar comigo. Aí apontaram para a menina. Eu já a conhecia, a Poliana, sabia que ela lutava boxe. “Vou fazer uma sombra com ela aqui”. Ela é uma grande fã, me segue em todo lugar, acho que foi uma boa oportunidade. Fico feliz de ver uma lutadora de 13 anos lutando como ela. Eu comecei a lutar com 19 anos, você vê como está evoluindo o esporte. Fico feliz de ter dado oportunidade a ela e que outras crianças vejam e tenham interesse em praticar o esporte.

E estrear no UFC em Curitiba, na sua cidade?

Está sendo perfeito. Treinei muito, como se fosse a primeira luta da minha carreira. Há dois anos eu venho treinando para baixar para 140 libras. Estou me sentindo bem, acho que o corte de peso vai ser muito bom.

Falando no seu corte de peso, você voltou até para as suas origens no handebol para ajudar no processo. Conta para a gente como foi.

Na verdade eu sempre jogo bola num quartinho usando um monte de roupa, esquenta o quarto. Gosto de correr também, eu corro muito. Como eu estou em Curitiba, tenho o contato do pessoal do handebol que eu jogava. Mandei mensagem: “Hoje tem treino?”. O professor disse que tinha no masculino e eu falei que iria bater uma bolinha, perder um peso. Foi bom também para fazer a galera ver um outro esporte que eu praticava. Handebol não é muito reconhecido, mas as jogadoras brasileiras são muito boas (a seleção brasileira feminina foi campeã mundial em 2011).

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Você está aparentando estar melhor agora cortando para 140 libras do que em outras vezes que nós vimos para 145 (cerca de 66 quilos). É isso mesmo, está se sentindo melhor?

Eu estou me sentindo bem. Fazem dois anos que eu estou na dieta para bater 140. Estou me sentindo preparada. Acho que vai ser igual a bater o meu peso de 145, foi um trabalho prolongado. Em 13 meses eu fiz quatro lutas, então ajudou muito

A 24 horas de bater 140 libras depois de 10 anos, 135 (limite da categoria peso galo, a mais pesada que o UFC tem no MMA feminino) virou uma meta?

Todo mundo está fazendo essa pergunta. Acho que depois da luta eu vou saber, porque não é só bater 140, eu preciso bater 140 e lutar bem, me sentir bem. Se eu me sentir bem, vou continuar fazendo lutas especiais em 140, vou lutar com a campeã (do peso galo) ou com a Ronda. Senão eu fico na minha categoria até 145. É um trabalho prolongado.

Você faria uma luta com a Miesha Tate, que fez o filme “Fight Valley” com você há pouco tempo? Vocês criaram um laço de amizade?

Então, eu nunca escolhi adversária. Sempre estou preparada para lutar com a campeã. Tenho que estar preparada para lutar com qualquer uma. Se pintar uma oportunidade de lutar com ela, com certeza.

Mesmo sem valer o cinturão?

Mesmo sem valer o cinturão. Eu gosto de lutar. Sou a campeã mundial do meu peso e fui lutar com uma campeã de muay thai (Jorina Baars, que venceu Cris no Lion Fight 14). Acredito que isso é experiência. É lógico que você quer a vitória, mas isso melhora voce como atleta.

Fala um pouco da sua relação com o Manny Pacquiao. Ele até entrou na campanha para você lutar no UFC.

Eu e o Pacquiao temos o mesmo patrocinador, a Mitsubishi. Sempre tive curiosidade de conhecê-lo. Ele é cristão, tem a oportunidade de levar a palavra de Deus para todos os atletas. Tive a oportunidade de conhecer, corri com ele algumas vezes. Meu, o treino dele é sinistro! Treino dele é treino de campeão mesmo. São oito milhas (cerca de 13 quilômetros) correndo na subida. Meu Deus… a batata da perna dele é gigante. É outro esporte. Eu gosto muito de boxe, mas nunca tive a oportunidade de conviver com um boxeur. Aprendi muito assistindo a ele treinando. Quando vou treinar boxe, lembro de algumas coisas. Você aprende mais assim.

Você falou que conversou com a Leslie Smith quando o UFC marcou a luta, não foi?

A Leslie tinha uma luta marcada e me mandou uma mensagem perguntando se poderia fazer um treino comigo. Ela disse que estava perto da minha academia. A gente combinou, foi um sparring de boxe com queda, foi um treino bem bacana. Ela agradeceu, disse que valeu muito como confiança para a luta dela. Quando ela recebeu o convite para lutar comigo, me mandou uma mensagem: “Acho que posso fazer parte desse seu sonho, de você participar de um UFC no Brasil. Só quero que você saiba que respeito seu trabalho, é tudo profissional”. E é tudo profissional. Você treina para estar preparada, nós não somos inimigas. Independente de falar bem ou mal, eu não sou inimiga. Quero muito a vitória, treinei para a vitória, mas respeito muito a atitude dela. Várias atletas não aceitaram.

A Ronda é uma inimiga? Ela postou uma foto nas redes sociais treinando e você disse que a sombra ganhou dela.

Engraçado, eu não sou inimiga da Ronda. Assim, acho que as pessoas esquecem muito do que ela fez. Esquecem muito rápido. Quando eu falei isso (a provocação da sombra), o pessoal disse: “Nossa, você tá falando mal da Ronda…”. Vocês esqueceram tudo o que ela fez durante três anos? Por três anos ela ficou falando na mídia e eu só respondia: “A gente se encontra no octógono. Esse dia vai chegar”. Acredito que o UFC não pode forçá-la a lutar. Ela não é mais a campeã. Eu continuo sendo a campeã, mas desço para lutar com ela. vai ser uma luta boa para todos os fãs. Ela não é minha inimiga, mas quero encontrá-la no cage (risos).

Para você é mais satisfação pessoal lutar com a vencedora de Miesha Tate-Amanda Nunes pelo cinturão ou com a Ronda, para resolver de vez essas diferenças?

Ah, vou deixar pros fãs escolherem, né? Mas acho que já até sei qual vai ser (risos).

Qual vai ser? A Ronda?

(Risos)

Foto de destaque: Jason Silva/Combate.com

  • Guilherme Yamashita Anami

    Boa entrevista. Lembro que a Evy Rodrigues já entrevistou a Cris algumas vezes e falava que ela era muito gente boa. Parece ser mesmo.

  • Raphael Augusto

    Belíssima entrevista Alê…Cutucou sem ser ofensivo e deixou a Cris bem à vontade…
    Vai ter áudio dessa entrevista tb?

    • Eu não publiquei o áudio porque tava com muito barulho no som ambiente e eu gravei do celular. A Aninha que ficou com uma qualidade boa por causa do microfone do SporTV.

  • Juan

    Boa!

  • Gabriel Fareli

    Boa entrevista Alê !!

    Não sei se é possivel você ter essa impressão, mas você acha que ela vai conseguir bater o peso bem ? Acha que ela tinha uma aparencia de quem vai conseguir bater o peso ? Eu gostaria que ela batesse o peso e lutasse bem , pra quem sabe ela fazer umas lutas no peso Galo.

    • Ela está com uma aparência muito boa, não está com cara de sofrida. Só não faço ideia se ela vai bater o peso, não sei quanto ela tá pesando e não tenho outras oportunidades de comparação.

    • Acabei de ficar sabendo que faltava 1,5kg e tá difícil de cortar.

      • Gabriel Fareli

        Caramba, deve ter sido o 1,5 kg mais dificil da vida dela, agora quero ver como ela vai recuperar esse peso e como vai estar na hora da luta.

        Valeu pela atençao, Alê.

  • Hudson Paulo Dias

    Eu escutei a entrevista ao vivo no facebook. Quando entrou um cara mandando um bom e velho ruanês eu sabia que era o Alexandre. rsrs
    Gosto muito da cyborg, mas ela dá muito mole em manter negócios com o tito. Trazer o cara até aqui me parece uma afronta ao dana.

    • Minha dicção é igual à dos Rua?

      • Hudson Paulo Dias

        Só falta falar cantando como um bom paranaense. rsrs

        • hahaha Nossa, você foi o primeiro a falar isso. Já comentei em TV, já estive em programas, nunca falaram da minha dicção. E meu sotaque carioca é bem forte.

  • Malk Suruhito

    “Acho que depois da luta eu vou saber, porque não é só bater 140, eu preciso bater 140 e lutar bem, me sentir bem.”
    Exatamente o que pessoal daqui sempre bateu na tecla, nos podcasts. Cirúrgico.

    • Parece que falta 1,5kg e tá difícil de cortar. Informação que tive hoje, mas não descobri a que horas foi a situação.

  • Marcos E

    Uma figura a Cyborg.

  • Hudson Paulo Dias

    Meu aquela encarada foi muito tensa. Temo pela vida da leslye…