Entenda as mudanças nos critérios de julgamento de lutas de MMA

Entenda as mudanças nos critérios de julgamento de lutas de MMA
MMA

Associação das Comissões de Boxe vetou a pontuação fracionada no julgamento dos rounds, mas definiu conceitos e diretrizes que devem melhorar a qualidade dos julgamentos - desde que juízes competentes façam o trabalho. Retirada da defesa é o ponto fraco das mudanças.

Provavelmente você viu a foto ao lado e se perguntou: “Quem é este cidadão e o que ele faz no MMA Brasil?” A primeira resposta é simples. Ele é Timothy J. Lueckenhoff, presidente da ABC Boxing, ou Association of Boxing Comissions (Associação das Comissões de Boxe), organização sem fins lucrativos, sediada nos Estados Unidos. A resposta da segunda pergunta é a relação que a ABC Boxing tem com as Regras Unificadas de Conduta do MMA.

Apesar do nome, a ABC Boxing controla todas as comissões atléticas dos Estados Unidos, Canadá, Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas. Ou seja, toda a parte de regulamentação do boxe profissional, do MMA amador e profissional e de outros esportes de combate sem armas são sancionadas pela ABC Boxing e implementadas pelas comissões estaduais, responsáveis pelo controle dos eventos em território norte-americano (exceto no México).

A ABC Boxing realiza conferências anuais para debater assuntos referentes aos esportes controlados por elas. Na de 2012, um dos assuntos debatidos foi o critério de julgamento das lutas de MMA, assunto polêmico e que já rendeu muita discussão no MMA Brasil. A fim de tornar as regras menos subjetivas, algumas medidas foram discutidas e novas recomendações foram definidas. Neste artigo, vamos apresentar e discutir o que foi deliberado pela ABC Boxing.

Pontuação fracionada não será implementada no MMA

Na conferência anual de 2010, foi proposta a implementação de pontuação fracionada no julgamento dos rounds numa luta de MMA. A ideia, proposta pelo árbitro e juiz Nelson “Doc” Hamilton, era quebrar as pontuações inteiras, inserindo meio ponto entre elas. Com isto, seria possível ver rounds com 10-9.5, 10-9, 10-8.5 e etc. Depois de análises feitas pela ABC Boxing, a ideia não foi aprovada.

A ideia de Hamilton, defendida por algumas pessoas da imprensa internacional, visava diminuir a diferença de 10-9 aplicados em rounds apertadíssimos e outros nem tanto assim, mas que ainda não tivesse sido claro a ponto de valer um 10-8. Ele propôs ainda a utilização de um quarto juiz para entrar em ação em caso de empates, possibilidade maior de ocorrer no sistema de meio ponto.

As comissões atléticas dos estados da Califórnia (uma das mais importantes dos EUA), Colorado, Geórgia e a canadense Alberta fizeram o teste da proposta. Em lutas amadoras e profissionais válidas, uma equipe paralela de juízes fez o julgamento dos combates utilizando a nova pontuação para confrontar os resultados com os obtidos pela regra vigente (pontuação inteira). Os resultados do teste foram enviados ao Comitê de Julgamento da ABC Boxing e o veredito foi publicado durante a conferência de 2012.

A comissão da Geórgia disse que nenhuma luta teve resultado alterado na nova pontuação. A do Colorado reportou também nenhuma mudança em mais de 550 lutas avaliadas, concluindo que a nova regra apenas traria mais empates para o MMA. Os comissários californianos notaram diferença de resultado em 7 de 389 lutas avaliadas (2%), lutas estas muito apertadas. Em outras 38 lutas (10%), houve diferenças no placar final, mas sem alterar o vencedor (ou seja, um 30-27 teria virado 30-28.5, por exemplo). Eles concluíram que o sistema atual já lhes atende e que a pontuação fracionada não resolveria o problema de juízes incompetentes. Por fim, a comissão do estado canadense verificou alteração em 4,85% das lutas testadas, concluindo que ficaria a cargo dos eventos optar pelo uso da pontuação fracionada ou manter o sistema de pontos inteiros.

Deste modo, a ABC Boxing considerou que o baixo índice de alteração nos resultados das lutas avaliadas não justifica mudança no sistema de pontuação, mas recomendou que as comissões atléticas invistam na contratação de juízes mais competentes e no treinamento do corpo de julgadores atual. O relatório da ABC Boxing pode ser visto no site oficial da entidade.

Opinião do MMA Brasil: nada a acrescentar em relação ao decidido pela ABC Boxing.

Defesa não é mais um critério de julgamento

O Comitê de Julgamento da ABC Boxing considera que as ações ofensivas devem ser o único critério a ser julgado em lutas de MMA. De acordo com o comitê, “lutadores ofensivos são aqueles que conduzem o ritmo do combate, fazendo a luta acontecer” e “defesa é a própria recompensa para os lutadores”. Ou seja, se um lutador opta por não usar ações defensivas para se proteger, o problema é dele.

De acordo com o comitê, ações defensivas só servem para manter o atleta na luta, possibilitando que ele mantenha-se capaz de pontuar com ações ofensivas. Defesa de quedas, jogo de esquivas, bloqueios eficientes, defesa de submissões, nada disso mais fará diferença no julgamento de uma luta, servirá apenas para proteger a integridade do próprio lutador.

Defesa não mais será considerada no julgamento das lutas

Opinião do MMA Brasil: Paul “Bear” Bryant Jr., lendário técnico do time de futebol americano da Universidade de Alabama, disse: “Ataque vende ingressos, defesa ganha campeonatos”. A decisão da ABC Boxing é absolutamente estapafúrdia se considerarmos que MMA é um esporte profissional e não um show com o único intuito de divertir as massas, como são as “competições” do telecatch.

Trocação (striking) e luta agarrada (grappling) têm o mesmo peso no julgamento

Ainda que as Regras Unificadas digam que a luta agarrada vale mais quando um round é passado mais tempo nesta situação, isto raramente foi posto em prática pelos juízes de MMA. No mundo real, a trocação sempre teve maior peso nos julgamentos de lutas. A partir de agora, isto não vai mais ocorrer.

O grappling terá o mesmo peso da trocação no MMA

Opinião do MMA Brasil: se MMA é uma mistura de artes marciais, não existe motivo para privilegiar um conjunto de habilidades em detrimento de outro. Não há nada que justificasse a maior valorização da trocação sobre a luta agarrada. Com esta decisão, o MMA tornar-se-á um esporte competitivamente mais justo, acabando com o chororô que dizia que “lutadores de jiu-jitsu são prejudicados nos EUA”.

Ainda há um ponto a se reforçar neste quesito. A recomendação da ABC Boxing citada no item da pontuação fracionada deverá mais do que nunca ser levada à prática: os juízes precisam evoluir e conhecer também como funcionam todas as lutas agarradas. Se continuarmos tendo juízes de boxe julgando manobras de judô, jiu-jitsu e wrestling, continuaremos vendo julgamentos toscos nos combates.

O termo “dano” será substituído por “efetividade”

Esta alteração só tem o lado legal. A ABC Boxing considera que estados que não sancionam o MMA possam fazê-lo com a remoção do termo “dano” do vocabulário do MMA.

Opinião do MMA Brasil: nada a acrescentar em relação ao decidido pela ABC Boxing.

Reforço das definições de “trocação efetiva” e “agarramento efetivo”

As Regras Unificadas falam em trocação efetiva (effective striking) e agarramento efetivo (effective grappling). Com as mudanças expostas acima, a ABC Boxing achou necessário reforçar o significado destas duas expressões que decidem as lutas. São elas:

Trocação efetiva é julgado determinando o impacto de golpes legais lançados por um lutador no adversário. Ataques mais contundentes, que geram impacto mais visível no oponente, deve ter peso maior do que a quantidade de golpes lançados. Isto inclui deixar um adversário atordoado, fazendo-o cambalear, e o aparecimento de cortes ou hematomas que causam dor ao oponente.

Além disso, o acúmulo de golpes também deve ser levado em consideração. Se nenhum lutador mostrar vantagem em termos de impacto de ataques, a quantidade de ataques vai determinar o lutador mais eficaz na trocação.

Agarramento efetivo considera a quantidade de execuções com sucesso de uma queda, reversões (raspagens), montadas, passagens de guarda e tentativas de submissão. Ainda devem ser considerados os lutadores que fazem guarda ofensiva, ou seja, aqueles que, mesmo por baixo, buscam encaixar algum estrangulamento ou chave no oponente.

Tentativas de submissão que chegam perto de encerrar uma luta terá peso maior do que aquelas que são facilmente defendidas pelo adversário. Também terá peso alto as tentativas que minam o oponente quando este tenta se defender.

Quedas de grande amplitude e aquelas que geram impactos maiores devem ser mais valorizados do que as quedas mais simples. Isto significa que quedas como o suplê de Kevin Randleman em Fedor Emelianenko, o harai goshi de Tim Boetsch sobre Nick Ring, os slams de Matt Hughes e coisas do gênero serão mais bem pontuadas do que single-legs curtos.

– Ainda há o conceito de Agressividade Efetiva, que representa o lutador que avança sobre o adversário lançando golpes válidos ou atacando a partir da guarda com tentativas de submissões. Isto significa que “andar para frente socando o vento” não vale nada.

Opinião do MMA Brasil: Todas as análises de lutas aqui no site sempre levaram em consideração estes significados de trocação e agarramento efetivos. Isto nunca deveria ter sido de outro modo.

Aplicação do sistema de pontuação

A ABC Boxing determinou como o sistema de pontuação deve ser utilizado, ou seja, quando um juiz deve marcar 10-10, 10-9, 10-8 e 10-7.

– Um round deve ser marcado como 10-10 quando ambos os lutadores pareceram lutar igualmente e nenhum deles mostrou superioridade sequer por uma margem apertada. Este placar deve ser raramente usado.

– Um round deve ser marcado como 10-9 quando um lutador vence por pequena margem, lançando maior quantidade de golpes efetivos legais, demonstrando efetividade na luta agarrada e utilizando outras técnicas efetivas.

– Um round deve ser marcado como 10-8 quando um lutador vence por larga margem usando trocação efetiva e/ou agarramentos efetivos, provocando grande impacto no oponente.

– Um round deve ser marcado como 10-7 quando um lutador domina totalmente usando trocação efetiva e/ou agarramentos efetivos, colocando o oponente em sérios apuros durante o round. Num round de 10-7, a interrupção do árbitro central deve ser iminente. Este placar deve ser raramente usado.

Opinião do MMA Brasil: É ótimo que isto tudo fique claro. Existe 10-10 e 10-7, apesar da recomendação de serem usados raramente. A diferenciação de “pequena margem” para “larga margem” deve tornar mais claras as utilizações de 10-9 e 10-8. Mais uma vez o MMA Brasil já seguia estas recomendações em nossas análises de lutas.

  • Fabrício

    Rapaz, essas mudanças não servem apenas para o MMA se tornar mais entretenimento (e menos esporte, na minha opinião), vendendo mais. Analisando com frieza, é mais uma mudança que visa privilegiar atletas oriundos do wrestler (ou seja, americanos em geral). Prensar o cara na grade, cozinhar a luta no clinch sem derrubar vai contar ponto e a vítima amarrada vai perder. Absurdo. E penso que golpes efetivos em pé deveriam, sim, ser mais valorizados do a luta no solo. Essa é outra mudança pra favorecer wrestlers, que bastam quedar e amarrar no chão. Aliás, amarrar (tipo o que Clay Guida fez com Pettis) contará como ataque ou defesa?
    .
    Lyoto, por ex., está ferrado com essas mudanças. Terá que alterar drasticamente o seu jogou, sob risco de perder. Agora, ou vence por KO/TKO ou perde por decisão, unânime ou dividida.

    • Fabrício

      Me parece que ocorreu uma JonFitchzação das Regras Unificadas.

    • Fabrício

      E retirar as cotoveladas do GnP, a exemplo dos pisões e tiros de meta, que é bom….
      .
      E, sinceramente, o tal reforço ou definição de efetividade e agressividade não vai mudar muita coisa, porque vão continuar sendo conceitos indeterminados, que precisam da subjetividade dos juízes para preencher o seu conteúdo.
      .
      Acho que já critiquei tudo que queria.

      • Fabricio, a agressividade efetiva não é subjetivo. Andou pra frente socando o vento não é ser agressivo. Esta vai ser a principal mudança, os enganadores vão ter que se emendar.

    • Pablo

      Foi isso que eu imaginei, o Lyoto vai ser bastante prejudicado com essas mudanças, apesar de ser difícil de achá-lo no octógono; acredito que essa luta de sábado vai ser o Touro (Bader) vs o Toureiro (Machida) o cara vai buscar a todo momento botar pra baixo e o Lyoto só no contra-golpe, tomara que saia com uma vitória.
      Agora eu acho que a luta agarrada tem mesmo que ter o mesmo valor que a luta em pé!

    • Pelo critério novo, Anthony Pettis teria vencido por ter sido mais ativo na guarda.

      E o Lyoto não estará ferrado. Lembre-se que andar pra frente sem acertar o oponente não vale de nada.

  • Felipe Freitas

    “Defesa não é mais um critério de julgamento” QUE IDIOTICE! Leonard Garcia será agradece esse julgamento.

    Essa regra vai FODER com o jogo do Lyoto.

    • Vai não, vai foder exatamente com o Leonard Garcia, que anda pra frente jogando golpe no vento.

      • Felipe Freitas

        Do jeito que algumas cagadas acontecem, não duvido que vejam vitórias do Garcia

        • Então, mas aí é juiz de merda, não tem regra que dê jeito nisso.

  • Luca

    Concordo com quase tudo, menos com o absurdo de que defesa não é mais julgamento essa galera deve tá muito chapada mesmo só tão querendo ver show, tantas artes marciais principalmente as orientais priorizam uma boa defesa na luta, isso é simplesmente um absurdo agora veremos doidos que só fazem andar pra frente ganhando lutas, enquanto caras como Lyoto Machida que já eram injustiçados antes sendo mais injustiçados ainda e pior dentro da “regra”, fico me perguntando se a luta entre Diaz x Condit tivesse acontecido depois dessas novas regras se o resultado se manteria(que pra mim seria mais do q justo).

    • Acho que vocês não entenderam um ponto… não é só a defesa que mudou, mas a questão da agressividade efetiva também. O cara que só faz andar pra frente acertando o vento vai ser prejudicado (como tem que ser).

      • Pablo

        Eu acho que é nesse ponto que o pessoal estava meio confuso; imaginei que simplismente o andar para frente iria garantir a pontuação, então o Lyoto não vai ser prejudicado com essas mudanças!

        • Mas o texto diz: “Isto significa que “andar para frente socando o vento” não vale nada.”

  • R

    Bom já que o post foi elaborado por tópicos, responderei da mesma forma.

    -Defesa não é mais um critério de julgamento.

    Pelos comentários e pelo próprio texto não houve muita concordância com essa parte. A principio quando eu li me pareceu correta. A defesa não só previne que o lutador não sofra danos, como também evita que o adversário pontue. Dessa forma não vejo por que um lutador que se defendeu corretamente tem que ser bonificado. Seguindo esse raciocínio acho ainda que aquele primeiro Round do Weidmann vs Munhoz ficaria mais evidente um 10-7 – caso não fosse levada em conta a defesa – não? Tipo se a regra define como modo de pontuar a defesa, uma luta nunca terminaria com um Round 10-7, por que se o lutador sobreviveu até o fim de um Round digno de 10-7 provavelmente o fez por que se defendeu corretamente e dessa forma diminuiria a pontuação para no máximo um 10-8. Posso estar falando uma baita asneira, então se eu estiver errado me corrijam, até por que posso estar interpretando equivocadamente o que isso modifica no mma.
    O Felipe fez um comentário que isso foderá o jogo do Lyoto. Sempre tive para mim que a defesa somente fazia o Lyoto ganhar por que ele tinha um ótimo contra-ataque junto, isso posto, não entendo por que modificaria lago no julgamento das lutas do Lyoto.(Asneira?)

    Trocação (striking) e luta agarrada (grappling) têm o mesmo peso no julgamento.

    Nem comentarei nada, por que o que a “nota de rodapé” do mma-brasil já me deu voz ali. Mas queria dizer que achei ótima essa frase.

    “Se continuarmos tendo juízes de boxe julgando manobras de judô, jiu-jitsu e wrestling, continuaremos vendo julgamentos toscos nos combates.”

    Reforço das definições de “trocação efetiva” e “agarramento efetivo”

    A única dúvida que me sobrou e que eu já trazia anteriormente é: golpes defendidos pontuam como trocação efetiva? todos golpes lançados pegam na guarda do oponente, independente de força, serão computados na pontuação? Eu entendo que se causar um dano significativo ao oponente deverá ser somado, entretanto aqueles golpes safados que pegam no braço são computados?

    Aplicação do sistema de pontuação

    Achei ótima a modificação, até por que anteriormente a definição era “total” para um 10 a 7 e de forma esmagadora para um 10 a 8, o que me passava uma ideia de 10-8 era um resultado máximo a ser alcançado.
    Achei ótima definição de uma larga margem e uma pequena margem, se for seguido esse raciocínio, haverá mais julgamentos de 10-8.
    “Num round de 10-7, a interrupção do árbitro central deve ser iminente. Este placar deve ser raramente usado” (como assim iminente?), o cara tem que apanhar tanto que para ser um 10-7 o árbitro deveria parar antes? isso não impossibilitaria o resultado 10-7 numa decisão?
    Inclusive gostaria trazer um assunto debatido no Podcast, se a luta do Weidman vs Munhoz foi 10-7 no primeiro Round. De acordo com essa regra acho que sim.
    Mas é isso ai, achei ótima as modificações, exceto talvez com relação a defesa – aguardo explicações =).
    Ainda melhor foi esse post, valeu pelos esclarecimentos, achei ótimo o post e vai ajudar bastante gente – inclusive eu – a entender melhor as regras.
    Mais uma vez o mma-brasil está de parabéns, esse artigo deveria estar em revista.
    Gostaria de fazer um pedido para a posterioridade – quando houve tempo livre kkk – fazer um tópico permanente de um ranking do mma-brasil. Não sei foi para evitar polêmicas que ainda não tem, ou se é muito trabalhoso atualizar sempre os resultados. Mas acho que seria legal se for possível. A gente ouve e lê tanto as opiniões de vocês, acredito que um ranking elaborado pelo mma-brasil seria interessante.

    • Fabrício

      Você disse “A defesa não só previne que o lutador não sofra danos, como também evita que o adversário pontue”, então, pela sua lógica, o que atacou também não pontuaria. Penso que a pontuação antiga funcionava desta forma: como se ambos pontuassem, ficando no “zero a zero”. Agora, somente quem ataca pontua em maior ou menor grau, a depender da “efetividade” e “agressividade” da investida. É como se a defesa (bloqueio, esquivas, etc.) fosse relegada a segundo plano, aliás, a plano algum. Imagine a situação do clinch e as grudadas nas pernas pra derrubar: se o cara derrubar ou não, tanto faz, ele vai pontuar, “mais ou menos”, de qualquer forma. E me corrijam se eu estiver errado.

      • R

        A sim se for para manter o “zero a zero” como tu disse ai sim. Mas claro né, opinião minha, e se for dessa forma, ou seja, pontuando todo ataque que atinga o adversário mesmo na guarda, ai sim é ridículo tirar a defesa da computação de pontos.

        • R

          Atinja*

      • A questão da defesa é assim: se um lutador socar e acertar o oponente, ele pontua e o oponente não. Isto é justo. Se o soco passar no vento (por erro técnico de quem atacou), nenhum dos dois pontua. Isto é justo. Se o soco for bloqueado (ou esquivado) pelo oponente, nenhum dos dois pontua. Isso é injusto com quem se defendeu com uma técnica válida.

        O absurdo está na questão da defesa. Socar o vento como faz o Leonard Garcia não devia valer nada. Socar o vento como fazem os adversários do Anderson ou do Lyoto, que se fodem nas esquivas deles, é diferente. É mérito do cara que se defendeu. Esta regra é absurda.

        • Fabrício

          Compreendi, Professor Alexandre. Na parte da trocação você explicou, mas e como ficaria a questão do clinch e tentativas de quedas? É como penso ou estou novamente equivocado?

          • Na questão do grappling, a situação é um pouquinho diferente pois raramente você vai ver uma tentativa de queda “passar no vazio”. De resto, é igual à trocação: se o cara tentar quedar e conseguir, pontua; se tentar quedar e o adversário defender, ninguém pontua.

    • Um lutador que sobreviveu até o fim de um round de 10-7 mostrou que tem ótima absorção de golpes (o famoso queixo de aço).

      A falta da defesa não vai prejudicar o Lyoto exatamente pela questão do contragolpe. Se ele somente desviasse dos golpes seria prejudicado, mas não é o que acontece. Ele até vai ser prejudicado, mas não no ponto como o pessoal tá imaginando.

      Golpes defendidos não são golpes efetivos exatamente porque não atingiram o alvo (foram defendidos). Não vai valer ponto pro atacante nem pro defensor. Tosquíssimo.

      Iminente significa algo que está prestes a acontecer, mas não necessariamente aconteceu. Ou seja, num 10-7 o árbitro ficará a ponto de interromper a luta, mas não o fará.

      Sobre o ranking, isso é polêmico por causa da fórmula pra obter a lista. Nunca chegamos num ponto comum.

      • Rafael Alves

        Alexandre, pelas regras atuais… Teria como dar exemplo de rounds recentes que seriam 10×10 10×8 e 10×7? Só pra entender a mudança.
        Por exemplo, o ultimo round Shogun vs Henderson foi um claro10x8 correto? Pelas regras novas ele seria um 10×7?

        • Isso é complicado. O que eu posso fazer é colocar essas comparações nas análises dos eventos futuros.

  • Luca

    Lendo os comentários eu entendi melhor como vai se dar essas novas, realmente não é de todo mal algumas coisas tão até melhor desenvolvidas, mas o pior é q se continuar com esse juizes laterais morto de fome que dão vitoria pro Leonard Garcia não dá, como o próprio artigo falou é necessário juizes competentes e a escolha desses juízes que tem q melhorar pq se não vai ter muito nego interpretando a regra errada e dando resultado injusto.

  • Erick Silva vs Jon Fitch, na minha opinião se o Erick ganhar ele deveria ter o title shot, além de ser 4 vitorias seguidas, seria uma vitoria sobre nada menos qe Jon ‘boring’ Fitch, ou pelo menos uma luta com Martin Kampmman para decidir o proximo desafiante, é claro que o primeiro UFC RIO foi bom, Anderson Silva, Minotauro e Shogun, lutas boas, mais esse UFC RIO 3, em termos de lutas boas, não vai ficar para traz!

  • Rodolfo

    Não intendi esse 10-7 dificilmente tem 10-8, esse 10-7 ai é pra complicar. e com relação a não pontuação da defesa se for parar pra pensar é uma boa ideia tendo em vista que o lutador que bloquear um soco, ele estará automaticamente perdendo o que o faz ter que contra golpear com um soco chute ou queda que poderá ser ou não defendido pelo seu oponente gerando assim uma maior combatividade na luta. Alexandre com relação a pontuação de 10-7, você teria um exemplo de alguma luta?
    você acredita que essa pontuação possa ser usada?
    Estão falando que o Lyoto vai se prejudicar, pelo contrario como você disse pra pontuar tem que acertar.

    • Mas o 10-7 sempre existiu, não é novidade e já foi usada até no UFC. O que foi feito agora somente clarificou a utilização dos placares.

      Sobre a defesa, não é uma boa ideia. Defesa não impede contragolpe, pelo contrário. Um lutador técnico começa um contragolpe com um movimento defensivo. Sem defesa, as lutas virariam pancadaria de botequim, seriam autênticas peladas.

  • Rodolfo

    fiz o comentário mas depois re-li um dos seus comentários e fiquei com outra duvida. Pelo o que você pôs na matéria ao bloquear o lutador não ganha nada mas o agressor pontua, sendo que você fez um comentário dizendo que quando o golpe é bloqueado ninguém pontua. Bem lendo a matéria o que eu entendi foi o que eu comentei a cima. mas ainda estou confuso. rs

    • Onde está dizendo que o agressor pontua no caso de um golpe bloqueado?

  • Rodolfo

    A duvida com relação ao 10-7 é. ela vai ser usada.
    eu pelo menos nunca vi uma luta com 10-7 eu já havia ouvido comentários que existia essa pontuação. mas ainda fico na duvida em qual seria a diferença entre o 10-8 e o 10-7. Exemplo primeiro round da luta do
    FE vs Gray Maynard seria uma 10-8 ou um 10-7, o juiz ficou varias vezes ao ponto de parar a luta, o que seria um 10-7 mas se não estou enganado foi um 10-8.

    • Já houve 10-7 no UFC mais de uma vez. Como diz o texto da regra, o 10-7 deve ser usado quando um lutador domina completamente o adversário. Eu teria dado 10-7 pro Maynard contra o Edgar no primeiro round da segunda luta entre eles.

    • Roberto Cbmma Mma Lutas

      acho que é mais facil dar 10 x 7 quando tiver faltas, ou quando o adversario for muito inferior e apanhar muito, mas muito mesmo.

  • Vitor Silva Gonçalves

    Tipo eu fiquei em dúvida quanto a defesa não ser mais critério, com essa regra a luta de Aldo vs Kenny Florian, por exemplo, quando um lutador faz o jogo do Florian e mantém o oponente na grade tendo negado todas as tentativas de queda, por um lado, mas sendo pouco agredido por outro, esse lutador ele está sendo beneficiado contra aquele que está ali na grade se defendendo, ou não? E no caso da luta em si algum round teria ido pro Florian por causa dessa mudança?

    • Edu Machado

      seria beneficiado, mas como a questão da efetividade agora é maior privilegiada, não vale de nada.

      um não marca nada por defender e o outro não marca nada por não ser efetivo.

    • Olha, preciso rever a luta, mas se um lutador ficar controlando o outro no clinch, ele está ganhando a disputa de grappling.

  • Edu Machado

    o fim das cotoveladas na luta agarrada, joelhada na cabeça nos 3 ou mais apoios (menos quando o adversário estiver de costas para o chão), fim do trt e suspensão aos atletas que passarem dos limites no thrash talking infelismente não apareceram nessa.

    mas foram boas as medidas, até a questão das defesas que tecnicamente seria um erro, foi contornada já que também aumentou o valor da efetividade.

    e sinceramente, por mim ainda consideraria, mas tbem não ser considerado eu pelo menos não vejo como grande preju nem nada, defesa no máximo como critério menor.

    nem é questão de show, mas defesa é importante sim, mas vc não ganha o adversário se não atacar.

    eu pelo menos penso assim

    • A defesa já tinha critério menor no texto original das Regras Unificadas. E defender não significa deixar de atacar.

  • Marcelo Sucuri

    Po, agora que a maioria dos treinadores brasileiros começaram a se preocupar com as defesas de quedas dos seus atletas, vem essa regra e da aquela sacaneada. Realmente é impressionante a frase do treinador Paul Bryant Jr, aqui mesmo no Brasil vimos um exemplo desses com o time do Corinthias, no brasileiro e na libertadores esse ano. E é isso que meu mestre sempre nos ensina, “artes maciais é para vocês aprederem a se defender”

    • Seu mestre está com toda a razão. Aí vem um esporte que mistura as artes marciais e acaba com o valor da defesa, transformando-a apenas em uma ferramenta de auto-proteção. Ridículo…

      • Marcelo Sucuri

        Pois é cara

        Além da defesa ser um grande mérito é bonito demais quando um lutador executa uma esquiva perfeita (anderson x sonnen) ou sai de uma finalização e raspa seu adversário. Agora vem uns caras e diz que isso não é mais importante. Po Alexandre, isso é revoltante.

      • Raphael Costa

        Alexandre, pergunta para polemizar, assim como aconteceu no BloodyElbow:

        Para o lutador que negar as quedas visando manter a trocação significa que ele tem controle do octogono? Se for sim a resposta, nao significa que uma defesa está sendo privilegiada?

        • Sim e sim. Por estas e outras, tirar a defesa da pontuação é ridículo.

  • Rafael Espindola

    Realmente, o MMA-Brasil (vc, Alexandre!) sempre usou esses critérios, acho que não há nenhuma novidade, só resta uma interpretação bem feita dos árbitros!

    Quanto à parte mais polêmica (questao da defesa), não sei se está havendo uma falta de compreensão, mas eu nunca soube que defesa era passível de pontuação! Geralmente o cara que só se defende (mesmo que de maneira 100% eficaz), perde a luta, não é?!?!?!? Tem que atacar em algum momento… Não entendi muito bem a diferença.

    • Rafael Espindola

      Acho que pode ser feita uma analogia ao futebol, como disse o Sucuri, mas em prol da nova regra… Não adianta vc se defender o jogo todo, se nao meter gol! Defesa é um caminho para a vitória sim, mas precisa do complemento, não?

    • Defesa sempre foi um quesito de pontuação, é só você olhar a nossa página das regras. O que o pessoal está fazendo confusão é sobre um lutador que só se defende. Defesa não é igual a apenas se defender. Defesa é um recurso que possibilita o contra-ataque, por exemplo. Defesa é o que faz com que Anderson, Lyoto e outros sejam pouco atingidos.

  • Rafael M

    Em geral gostei das mudanças, e foi importante para deixar a regra clara e transparente. Dois pontos que achei importante:
    1- Realmente espero que os juizes apresentem um maior conhecimento na luta agarrada, pois nada adianta igualar em importancia a luta agarrada com a trocacao se os caras nao entendem de grappling.
    2- Nao concordo com boa parte do pessoal que acha que a defesa ta sendo desvalorizada. O sujeito desfere um golpe que vai te atingir e vc se defende, ja é um baita beneficio nao ter sido atingido, e nao tme que ser revertido em pontuacao pois vc nao fez nada de efetivo no adversario. Msma situacao de bloquear uma queda. Agora, se defendendo com eficiencia vc frustra o adversario e passa a ter uma vatangem psicológica na luta q te beneficiará no futuro do combate, mas nao ahco q tenha q ser revertida em pontuacao. Exemplo, em um round imaginario onde o atleta A desfere 10 golpes e o B se defende com eficiencia dos 10 e nada mais acontece, eu marco 10-10, só que penso que o A se sentirá frustrado e abrirá brechas para o B crescer no combate e ser mais efetivo.
    Desculpa se me alonguei, é que to gostando da discussao. kkkkkk
    abs

    • Rafa, a defesa possibilita, por exemplo, o controle de área de luta. Um lutador que se defende bem pode definir onde a luta vai transcorrer.

      Num esporte de luta, o significado de defesa poderia ser “habilidade de atingir o oponente sem ser atingido de volta”. Como você vai excluir isso da pontuação? Como vai existir contra-ataque sem defesa?

      • Rafael M

        Concordo, e por concordar e admirar uma boa defesa nas lutas sou fã de atletas como o Mayweather. Agora, a defesa trazendo todas essas vantagens q vc citou (e que eu concordo), nao acha q essas vatangens por si só já nao vao ser revertidas na pontuacao para o atleta q se defende bem? Se vc pontuasse a defesa, eu penso que estaria dando peso 2 a um ato, por isso nao precisa pontua-la, ela por si só já trará n beneficios q devem te dar o dominio da luta e assim vc vai pontuar da mesma forma.

        • A questão do “peso 2” que você citou era rebatida pelo fato de a defesa ter o menor peso no julgamento. Antes era assim: trocações efetivas, agarramentos efetivos, controle da área de luta, agressividade efetiva e defesa. Agora não tem defesa.

    • Roberto Cbmma Mma Lutas

      Rafael em alguns pontos concordo. mas a defesa tem que ser valorizada,, apesar que mesmo que sejamos a favor da defesa , vão usar as regras de fora.

  • Rafael Alves

    Vou tentar comentar por tópicos:
    1- ok. Só complicaria fracionar pontuações. Ia parecer nota de escola de samba.
    2- típico do americano criar regras que privilegiem ataque à defesa. O raciocínio ai e de esporte-show nao de arte marcial. Talves mude algo em algumas estratégias mas nunca vi alguém vencer porque tinha se esquivado bem a luta inteira… Nao acho que há um lutador ou grupo particularmente prejudicado.
    3-4-5- ok
    6- para essa e todas as regras uma coisa que nao vi falada e indispensável. Melhor preparo de arbitro e juízes. Sem isso ainda vamos ver distorções para quaisquer regra posta

  • Rodolfo

    Alexandre, não tem nada dizendo que o atacante pontua no caso de um golpe bloqueado mas também não tem nada dizendo que um ataque bloqueado não garante pontos ao atacante. E foi a partir disso que achei boa a ideia de não pontuar a defesa, como eu disse no comentário anterior.
    O que vai gerar mais combatividade. E não vai virar briga de bar como você falou, apenas vai alertar o cara que só defende que se continuar assim ele vai perder, abrindo brechas na defesa de um ou de outro.

    • Rodolfo, não há um caso de alguém que só se defenda. Ninguém entra num octógono pra sequer tentar um soco ou uma queda.

  • Vitor

    Tá dificil hein alexandre, caramba… VAMOS LÁ… ASSUNTO: LYOTO!
    O Lyoto fez sumô ou seja, ele é ótimo em defender quedas, assim como ele defendeu aquele double leg do shogun na primeira luta deles q ele colocou uma mao passando por dentro das pernas e a outra por cima segurando essa entre as pernas… Nesse caso o Shogun pontuaria pois teve a audácia de tentar quedar (mostrar efetividade e talz, isso pontua) e o Lyoto que com uma técnica incrível conseguiu nao deixar ser derubado, neutralizando o jogo do oponente nao somente para nao ser derrubado. Defesas de quedas fazia (ou é pra fazer) com que o adversário pense “caramba, será que nao vou conseguir derrubar ele mesmo?” e fique desestabilizado por também saber que isso era contado como “pontuação”, agora o cara vai ficar se jogando nas pernas só pra mostrar “olha to indo atras do jogo hein…”, sendo que antes muitos nao iam ficar nesse jogo xato só para pontuar, pois na verdade seria ruim pra eles… EM FIM que conhece lyoto sabe sim que isso o prejudicará… Não é tao dificil!

  • Paulo Josué

    Excelente matéria, muito esclarecedora! Agora saindo totalmente do assunto, gostaria de saber a opinião de vocês: O MMA sem dúvida está talvez no seu maior patamar evolutivo no momento, e ainda tem muito a evoluir pois é um esporte muito novo ainda. No entanto muitas vezes vemos comparações principalmente entre UFC e o extinto PRIDE, com relação a qualidade dos lutadores, que os do antigo evento não se “criaram” no UFC, pois agora o MMA é mais técnico e profissional. Mas assistindo as lutas do PRIDE, o que eu noto é o seguinte: antes o MMA se parecia mais com uma situação real de combate do que é hoje, agora é muito claro visualizar as transições entre striking, wrestling e grappling, antigamente no Pride, e mais antes ainda no primeiros UFCs era tudo mais “embolado” os lutadores trocavam, de repente de engalfinhavam, caíam no solo e a luta seguia ali. Inclusive com a evolução do esporte, técnicas mais plásticas de artes marciais mais tradicionais como Karate, Taekwondo, Judô e outras passaram a ser mais utilizadas e com grande efetividade, coisa que não parecia ser possível no MMA das antigas. Daí eu pergunto, os lutadores que evoluíram tecnicamente e por isso aplicam essas técnicas agora ou o esporte como um todo está se tornando mais um “jogo” e por essa razão essas técnicas estão tendo espaço? Sei que viajei legal, mas sempre tive curiosidade nesse assunto e ninguém melhor pra saber a opinião do que a equipe do MMA Brasil.

    • Isso seria uma questão legal pro fórum. Abre um tópico lá no Vale Tudo.

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