Elizeu Capoeira mira no top 10 e fala sobre matchmaking: “Tô fazendo minha parte”

Por Gustavo Bizzo | 25/05/2019 13:28

Em sequência de sete vitórias no UFC, Elizeu Capoeira já deixou claro que sua prioridade é mostrar suas qualidades dentro do octógono, não fora. O paranaense não é adepto do trash talking e do jogo de provocações, método amplamente adotado — muitas vezes forçadamente — por novatos que querem se projetar rapidamente para o grande público no MMA. O brasileiro considera que tem as ferramentas necessárias para que os olhos do público sejam atraído para si.

Dono de um jogo dinâmico de striking e nocauteador — das 21 vitórias em sua carreira, 14 são por esta via rápida –, ele disse ao MMA Brasil que quer que seu próximo compromisso no UFC seja dividido com um top 10. “O primeiro passo é marcar a luta o mais breve possível, com alguém ranqueado. Entre os dez [primeiros] ali. Já citei o [Leon] Edwards, esse britânico que vem numa sequência boa de vitórias. Quem sabe pra julho ou agosto, acho que seria um bom momento pra rolar essa luta”.

O problema é que o inglês, assim como o próprio Capoeira, também está mirando o topo da categoria. Em entrevista transmitida nesta segunda, 20, no programa do jornalista Ariel Helwani, Edwards colocou dois alvos prioritários para sua próxima luta: Rafael dos Anjos ou Robbie Lawler, que também foi pleiteado pelo próprio Capoeira, uma vez que Tyron Woodley foi retirado do combate contra o capiroto da categoria. Elizeu e Edwards estão numa posição complicada, se quiserem lutar novamente no curto prazo.

Tirando da conta os top 10 que já estão com combates marcados e os que acabaram de lutar, há os seguintes atletas: Santiago Ponzinibio, Stephen Thompson e Colby Covington. Estes são os nomes mais acessíveis, levando em consideração apenas o critério de disponibilidade. Isso porque o americano Neil Magny vai levar gancho da USADA, Lawler já declarou que prefere esperar Woodley se recuperar para enfrentá-lo e Darren Till pode não lutar nos próximos meses, já que acabou de se enrolar com a justiça britânica.

Ao notar os últimos resultados nos cartéis dos três nomes que se destacaram, a coisa complica de novo. Covington conquistou o cinturão interino e pode ser o primeiro desafiante do atual campeão, Kamaru Usman. O argentino, assim como Capoeira e Edwards, acumula uma sequência de sete vitórias e está mais bem ranqueado, na nona posição. Sobra um atleta que todos querem convidar para o baile: o “Wonderboy” Thompson, sétimo ranqueado, mas que vem de duas derrotas seguidas. Com tantas variáveis, o próximo movimento desse jogo de xadrez deve ser revelado no anúncio do duelo principal do dia 10 de agosto, na estreia do octógono no Uruguai — e é bem razoável pensar que o evento será liderado pelo hermano.

Numa categoria bastante disputada, cheia de gente com sangue nos olhos, Elizeu entende que, para galgar os próximos passos de sua carreira da divisão dos meio-médios, ele está no caminho certo, que é dar ao público o tipo de luta que eles procuram. “Eu não tenho que mudar nada. Meu trabalho, eu tô fazendo e tenho procurado aprimorar cada vez mais. Quem tem que mudar é a parte da organização; a minha parte, eu tô fazendo. Não tenho o que falar, não posso obrigar os caras a casarem certas lutas, mas eu tô fazendo a minha parte”, diz Capoeira.

“Não tenho o que falar, não posso obrigar os caras a casarem certas lutas, mas eu tô fazendo a minha parte”

Perguntado sobre apelar a uma postura mais provocadora para furar a fila dos outros adversários, que também querem um confronto ranqueado, o brasileiro nega. “Acho que isso é uma identidade que cada atleta cria e acho que os lutadores brasileiros não são dessa forma, com o trash talk. Acho que a gente é mais de provar dentro do octógono, eu sou dessa forma. É lá que eu me mostro. Faço meu camp certinho, chego lá e mostro que eu sou melhor na porrada. Acho que, com o trash talk, você está se promovendo em cima de alguma outra forma que eu não gosto. Xingar, falar mal de uma nação, isso não é do meu perfil. Pelo que eu vejo, não é nem o perfil dos brasileiros. Por isso que a gente é melhor, mas também acho que falta um pouco de oportunidade. Afinal de contas, por esse travamento que a gente ainda não tem todos os cinturões que a gente merecia”.

“É lá [no octógono] que eu me mostro. Faço meu camp certinho, chego lá e mostro que eu sou melhor na porrada”

Outra alternativa seria escoar o excedente de lutadores dos leves e meios-médios com a criação dos superleves. Apesar de haver demanda e interesse de lutadores que se encaixariam nesse quadro, Dana White não é o maior entusiasta do empreendimento. Ao considerarmos a possibilidade para Capoeira, ele responde: “Eu acredito que seria uma boa, mas me encaixo bem no meio-médio, então isso pra mim não vai fazer muita diferença. Acho que vai dar maior rotatividade de atletas, vai ter mais gente entrando no UFC, mas eu me sinto bem na minha categoria. Faço a minha baixa de peso dentro dos padrões, tenho acompanhamento necessário pra isso e, por mim, quero me manter ainda, até o fim da carreira, nos 77 quilos”.