Elizeu Capoeira descarta trash talk e diz que vai conquistar o público “na porrada”

A ascensão de Elizeu Capoeira na categoria meio-médio do UFC vem ganhando expressão. O paranaense acabou de conquistar sua quinta vitória consecutiva na organização, emplacada por um belo chute rodado que nocauteou Sean Strickland no Rio de Janeiro. Em entrevista ao MMA Brasil, o atleta garante que ainda não mostrou todas as suas armas no octógono. “Meu estilo agrada e te garanto que ainda não consegui mostrar nem metade do meu repertório”. Capoeira descarta ganhar mais visibilidade e crescer na organização por meio do trash talk:

“Não falo muito, pretendo conquistar o público na porrada e proporcionando a eles (público) um espetáculo no octógono, não falando”

Dono de estilo de luta plástico, oriundo da sua base na capoeira, Elizeu tende a agradar o fã médio de MMA, que tem preferência pela trocação e nocautes expressivos. Ao formular seu plano, antes de dividir o octógono com seu adversário, o brasileiro pesa a relação entre a objetividade do combate com suas raízes. “A capoeira é bonita e para eu ser objetivo nas lutas tenho que surpreender com meus movimentos de origem. Minha preocupação é a vitória, mas a vitória só vem quando uso todo meu potencial. Por consequência, as lutas agradam a plateia”

UFC Fight Night 119 (São Paulo): Elizeu Capoeira conquista quarta vitória consecutiva, sobre Max Griffin

É inevitável desconsiderar a entrada no ranking, em vista da sequência feita por Capoeira, desde sua primeira vitória no UFC, em abril de 2016, quando nocauteou o russo Omari Akhmedov — ouça nossa análise no It’s Time, podcast do MMA Brasil. Desde então, o integrante da CM System se viu de frente com outros strikers, com exceção do japonês Keita Nakamura, proficiente nas finalizações. Dividindo a mesma categoria de peso que abriga wrestlers de elite nas primeira posições, questionamos se enfrentar lutadores de especialidades mais variadas faria diferença, antes de entrar no ranking da divisão. “Não acho isso. Aos poucos estou conquistando meus espaço sem escolher adversários, sendo grappler ou striker, me sinto à vontade para lutar com qualquer um. Não acho que o estilo de luta dos meus adversários vão me preparar melhor ou me ranquear mais fácil”, afirmou.

Mesmo que seu jogo seja predominantemente na trocação de pé, Capoeira vem reforçando seu preparo de wrestling. Quem vem contribuindo para a formação do atleta é o multicampeão brasileiro de luta olímpica Marcelo Zulu. “A didática dele é muito boa, e, sendo um atleta competidor em diversas modalidades, a capacidade dele adaptar o Wrestling para o MMA dificilmente seja superada por outro técnico. Wrestling é uma coisa, aplicar o wrestling quando vale soco e finalização muda tudo. Em relação ao planejamento de luta, é um trabalho conjunto entre os técnicos, o Cristiano Marcello, Zulu e Felipe Silva”.

Alguns atletas brasileiros apontam que, em relação ao tipo de preparo que existe nas academias dos Estados Unidos, o Brasil ainda não consegue se manter nivelado com a assistência oferecida pelos técnicos e infraestrutura “gringa”. Capoeira discorda e vê plenas condições de se manter no topo com os camps em territórios brasileiro. “Talvez quem reclamou não estivesse no lugar certo. Veja o histórico dos nossos campeões e onde a maioria treinou. A vantagem real de morar fora são as melhores condições de vida que o atleta tem em relação a apoio e patrocínios”, completou.